Roberto Tibiriçá permanece na história da música de orquestra brasileira
16/10/2026

A música brasileira se despediu de um de seus importantes nomes da regência orquestral. O maestro Roberto Tibiriçá, regente e diretor da Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP), morreu no início do mês, aos 72 anos, em São Paulo. Deixa um legado de mais de quatro décadas dedicadas à música, com passagens por algumas das principais orquestras do Brasil e do exterior.
Mais do que a atuação artística, a passagem de Tibiriçá pela orquestra do Centro Cultural Teatro Guaíra foi marcada pelo envolvimento com a instituição, pela gestão e pela relação construída com os profissionais que trabalhavam ao seu lado. Para o diretor-presidente do Teatro Guaíra, Cleverson Cavalheiro, o maestro ajudou a transformar a orquestra e se tornou parte da comunidade cultural paranaense.
“Foi uma pessoa que abraçou Curitiba e nos abraçou. Mais que uma história artística, ele construiu uma história de gestão, de vontade de fazer com que a Orquestra realmente evoluísse e, principalmente, de amizade. Ele sempre dizia que o Teatro Guaíra era a família dele ", afirmou Cavalheiro.
Ao longo da carreira, Tibiriçá esteve à frente de importantes instituições, entre elas a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Petrobras Sinfônica e a Sinfônica de Minas Gerais. A experiência adquirida nesses trabalhos contribuiu para o desenvolvimento de seu trabalho no Paraná.
Uma carreira dedicada à música
Nascido em São Paulo, Roberto Tibiriçá iniciou os estudos musicais ao piano aos 8 anos de idade. Mais tarde, dedicou-se à regência e estudou com Eleazar de Carvalho, um dos grandes nomes da direção orquestral brasileira. Os dois trabalharam juntos por aproximadamente 18 anos na Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp).
Ao longo da carreira, o maestro também atuou no exterior, incluindo uma passagem como regente assistente do Teatro Nacional de São Carlos, em Lisboa, entre 1984 e 1985.
Um dos momentos de grande repercussão de sua trajetória ocorreu em 1997, quando regeu a missa campal celebrada pelo papa João Paulo II no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. O evento reuniu um público estimado em dois milhões de pessoas.
Além dos palcos, Tibiriçá participou de projetos de gravação e difusão da música clássica brasileira e recebeu reconhecimentos por sua contribuição à área.
“Podemos ter certeza de que ele construiu uma linda história. Aqui no Paraná, essa história foi marcante para todos nós. Trazer o maestro Roberto Tibiriçá foi uma evolução para a nossa orquestra, pelo fato de ele ser um dos grandes artistas e músicos e ter participado de grandes orquestras do Brasil”, afirmou Cleverson.
Foto: Vitor Dias







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