Indústria enfrenta juros elevados e restrições ao crédito em 2025, aponta sondagem da CNI
- admjornale
- há 41 minutos
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28/01/2026
No final da semana passada, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou os resultados da Sondagem Especial nº 98, que analisa as condições de acesso ao crédito enfrentadas pela indústria brasileira ao longo de 2025. O levantamento, divulgado em janeiro de 2026, ouviu cerca de 1,8 mil empresas industriais de diferentes portes e revela um cenário marcado por dificuldades persistentes na obtenção de recursos financeiros, especialmente em função das elevadas taxas de juros.
De acordo com a pesquisa, o custo do crédito segue como o principal obstáculo para o setor industrial. Aproximadamente 80% das empresas que buscaram crédito de curto e médio prazo apontaram as taxas de juros como a maior barreira, percentual que supera 70% entre aquelas que tentaram operações de longo prazo. O resultado evidencia o impacto direto da política monetária sobre a capacidade das indústrias de financiar suas atividades, manter o fluxo de caixa e planejar investimentos.
Outro fator relevante identificado pela sondagem é a exigência de garantias reais, como imóveis, máquinas e outros ativos, que se mostra especialmente restritiva para micro, pequenas e médias empresas. Além disso, muitas indústrias relatam a falta de linhas de crédito compatíveis com o perfil, o porte ou a natureza dos seus projetos, problema que se intensifica nas operações voltadas a investimentos produtivos de longo prazo. Essa limitação contribui para maior frustração nas tentativas de financiamento e afeta diretamente processos de modernização, expansão e ganho de competitividade.
O estudo também aponta mudanças no comportamento das empresas diante desse cenário. Cerca de metade das indústrias optou por não buscar crédito no período analisado, proporção ainda maior quando se trata de financiamentos de longo prazo. Entre os principais motivos estão o custo elevado das operações, a percepção de burocracia excessiva e a baixa expectativa de aprovação junto às instituições financeiras.
Quando o crédito é contratado, a principal finalidade continua sendo o capital de giro, sobretudo nas operações de curto e médio prazo. Já os financiamentos de longo prazo são mais associados a investimentos produtivos, como aquisição de máquinas, equipamentos e ampliação da capacidade instalada, reforçando o papel estratégico do crédito no desenvolvimento industrial.
Diante desse contexto, a CNI destaca a importância de que o crédito seja encarado de forma estratégica pelas empresas, especialmente em um ambiente de juros elevados. Avaliar cuidadosamente o impacto das taxas, dos prazos e das garantias sobre o fluxo de caixa, planejar a tomada de recursos e comparar diferentes propostas e instituições são fatores decisivos para reduzir riscos e custos financeiros.
No Paraná, o Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC) da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) atua como um importante aliado da indústria nesse processo. A iniciativa oferece orientação gratuita e personalizada aos industriais, apoiando a identificação das linhas de crédito mais adequadas ao perfil e aos objetivos de cada empresa, a estruturação de projetos e demandas de financiamento, a análise de taxas, prazos e exigências de garantias, além do apoio no diálogo com bancos e agentes financeiros parceiros. Com essa atuação, a Fiep contribui para reduzir a assimetria de informações no mercado financeiro e ampliar as chances de aprovação das operações de crédito, fortalecendo a sustentabilidade e a competitividade do setor industrial.
Ao apoiar o industrial na tomada de decisão, o NAC reforça seu papel estratégico ao ajudar as empresas a acessar crédito de forma mais consciente, sustentável e alinhada à sua estratégia de crescimento, em um cenário econômico que exige cada vez mais planejamento e qualificação financeira.
Acompanhe a pesquisa completa aqui







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