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Seminário do IPMC reúne mais de 300 participantes para discutir economia e investimentos

há 1 hora
4 min de leitura

28/10/2026


Começou nesta quarta-feira (28/10), em Curitiba, o 2º Seminário de Investimentos do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Curitiba (IPMC). Com mais de 300 inscrições, o evento reúne representantes de 31 institutos de previdência de municípios do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para dois dias de capacitação, troca de experiências e discussão sobre os cenários econômicos e as estratégias de investimento para 2027.


A abertura foi conduzida pela presidente do IPMC, Jocelaine Moraes de Souza, que destacou a importância de reunir especialistas de referência no mercado financeiro para oferecer informações que contribuam para as decisões dos gestores e conselheiros dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

“O conhecimento compartilhado no seminário ajuda os participantes a retornarem aos seus institutos mais preparados para definir as políticas de investimento. Essas decisões têm impacto direto na sustentabilidade dos regimes previdenciários, na capacidade de pagamento de aposentadorias e pensões e, consequentemente, nas contas públicas e nos serviços oferecidos à população”, disse a presidente.

“Temos aqui especialistas de primeira linha, consultorias renomadas e casas de investimentos reconhecidas. Esses economistas acompanham o mercado financeiro de perto. Receber esse tipo de informação, ainda mais de forma gratuita, é um insumo importantíssimo para as decisões que vêm pela frente”, afirmou o diretor administrativo-financeiro do IPMC, Marcos Aurelio Litz.

 

Além do cenário macroeconômico, a programação inclui discussões sobre estratégias de investimento, inteligência artificial, plataformas eletrônicas, gestão eficiente e regulação. O objetivo é oferecer subsídios técnicos para que os institutos avaliem riscos e oportunidades antes de definir suas políticas de investimento para o próximo ano.


O secretário de Governo de Curitiba, Marcelo Fachinello, participou da abertura representando o prefeito Eduardo Pimentel. Ele ressaltou que a gestão dos recursos previdenciários envolve mais do que rentabilidade, pois está diretamente relacionada à segurança financeira dos servidores públicos.

“Quando falamos de investimentos previdenciários, estamos falando da vida das pessoas, da segurança, da tranquilidade e do respeito a quem trabalha pelo desenvolvimento da nossa cidade”, afirmou.

 

Economia mundial e os desafios para o Brasil


A primeira palestra do seminário foi apresentada por Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica e Relações com os Mercados do Banco Safra, com o tema “Economia Global e Brasil: o que muda para os investidores após as eleições?”.


Levy abordou os desafios da economia dos Estados Unidos, com destaque para a situação fiscal do país, a perspectiva de juros elevados e os investimentos em inteligência artificial. Segundo ele, a expansão dos centros de processamento de dados, conhecidos como data centers, têm contribuído para o crescimento da economia norte-americana. Ao mesmo tempo, a demanda por infraestrutura e energia pode gerar pressões inflacionárias, exigindo atenção dos bancos centrais.


O economista também apontou que a adoção da inteligência artificial pelas empresas deverá provocar mudanças importantes no mercado de trabalho nos próximos anos, inclusive em áreas que concentram empregos mais bem remunerados.


Ao analisar o Brasil, Levy destacou o desempenho positivo do setor externo e a perspectiva de sustentação das exportações, favorecidas pelo comportamento das commodities. Por outro lado, alertou para os riscos relacionados ao câmbio e à situação fiscal.

“ A economia brasileira não apresenta desequilíbrios que indiquem uma crise iminente, mas precisa avançar nos ajustes das contas públicas. A confiança e a previsibilidade das medidas econômicas serão importantes para reduzir incertezas, favorecer a queda dos juros e melhorar as condições para o investimento privado”, afirmou o palestrante.

Levy também chamou a atenção para a influência do dólar sobre a inflação brasileira, especialmente nos preços dos alimentos e de outros produtos. Para ele, o país precisa manter a cautela, sem deixar de buscar soluções para os desafios fiscais e econômicos.


Juros internacionais e inflação


Na sequência, o economista Marcelo Toledo, da Bradesco Asset, participou do painel Perspectivas macroeconômicas para 2027: da leitura do cenário à alocação estratégica de ativos, ao lado de Pedro Chrysostomo, da Vinci Compass.


Toledo analisou o cenário internacional, marcado pela resiliência da atividade econômica, mas também pela permanência de juros elevados em diversos países. As decisões do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, e os movimentos das curvas de juros globais representam desafios para economias emergentes como a brasileira, que busca reduzir sua taxa básica de juros.


O economista também destacou os efeitos do mercado internacional de petróleo e os investimentos em inteligência artificial sobre as perspectivas econômicas mundiais. No Brasil, a combinação entre crescimento econômico mais moderado e inflação ainda elevada deve exigir atenção do Banco Central. Entre os fatores que podem pressionar os preços, Toledo citou os possíveis reajustes dos combustíveis, os efeitos climáticos sobre a produção de alimentos, a entrada em vigor de mudanças tributárias e os custos relacionados às alterações na jornada de trabalho.

“A  inflação poderá permanecer elevada mesmo com a desaceleração da atividade econômica, o que torna mais complexa a definição da política monetária. Nesse contexto, o cenário fiscal de 2027 será decisivo para criar condições para uma redução sustentável dos juros”, disse Marcelo.

Para os gestores de previdência, acompanhar essas variáveis é fundamental para avaliar os riscos e definir estratégias de investimento. Toledo ressaltou que as projeções econômicas não representam certezas, mas ajudam a ampliar o conjunto de informações disponível para a tomada de decisões.

“Nosso objetivo é trazer informações, visões e análises que acrescentem ao conjunto de dados que os gestores dos planos têm para tomar suas próprias decisões”, explicou.


Troca de experiências


Entre os participantes do evento  está Jean Jaques Dressel Braun, gerente de investimentos do IPREV Santa Catarina, que veio de Florianópolis para acompanhar o seminário. Ele destacou a importância do contato com outros profissionais e do acesso às análises de especialistas em um momento de mudanças nas expectativas do mercado. “É muito bom ouvir o que outras pessoas pensam, fazer networking e conhecer as expectativas para os próximos meses”, afirmou.


Para Jean, a educação previdenciária e financeira tende a ganhar cada vez mais espaço. Ele também ressaltou o diferencial da iniciativa do IPMC.

“O que me chamou muito a atenção foi o fato de o evento ser gratuito. É uma iniciativa muito boa, e a gente só tem que agradecer e torcer para que aconteçam mais eventos assim”, disse.

 

 

Foto: L. Cruz Ferreira/SECOM


 
 
 

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