Sam Neill, astro de 'Jurassic Park' e 'O Piano', morre aos 78 anos
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13/07/2026

O ator neozelandês Sam Neill, conhecido mundialmente por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia Jurassic Park, morreu nesta segunda-feira, 13, aos 78 anos. Em comunicado, a família informou que a morte foi "repentina e inesperada".
"Sam estava cercado pela família e morreu com a dignidade que caracterizou toda a sua vida", afirmou a nota. Em abril, o ator havia anunciado que seu câncer estava em remissão após ser submetido a uma terapia genética.
Neill revelou em sua autobiografia, lançada em 2023, que enfrentava um linfoma não Hodgkin em estágio 3 e que acreditava estar "possivelmente morrendo". Neste ano, porém, afirmou que estava livre da doença graças a um tratamento que modificou seu sistema imunológico.
Segundo a família, o ator permaneceu sem câncer até sua morte.
"A perda foi repentina e inesperada, mas somos gratos por Sam ter continuado livre do câncer", diz o comunicado.
De 'Terror a Bordo' a 'Jurassic Park' e 'O Piano'
Neill foi um dos muitos atores e diretores que alcançaram fama internacional após uma explosão de filmes australianos que começou no final dos anos 1970, fazendo companhia a nomes como Paul Hogan, Mel Gibson, Geoffrey Rush, Russell Crowe, Jane Campion, Peter Weir e Gillian Armstrong.
Sua versatilidade era notável: atuou ao lado de Helena Bonham Carter na comédia de Alan Ayckbourn Doce Vingança (1998), decepou (cenograficamente) o dedo de Holly Hunter no drama O Piano (1993) e arrancou os próprios olhos no terror de ficção científica Enigma do Horizonte (1997).
Em A Profecia III - O Conflito Final, ele interpretou Damien, o Anticristo, e também viveu o Cardeal Thomas Wolsey em The Tudors.
O ator chamou a atenção do público internacional pela primeira vez no filme Minha Carreira Brilhante (1979), que também lançou Judy Davis. Mais tarde, ele apareceu em Terror a Bordo, de Phillip Noyce, um suspense de alta classe ambientado no mar e coestrelado pela então relativamente desconhecida Nicole Kidman
Neill contracenou duas vezes com Meryl Streep: em Plenty - Uma História de Mulher, do diretor australiano Fred Schepisi, e - novamente sob a direção de Schepisi - em Um Grito no Escuro, um filme sobre a repercussão sensacionalista da morte de um bebê por um dingo no outback australiano.
Ele recebeu uma indicação ao Emmy por sua atuação no papel-título da minissérie de 1998 Merlin e outra como narrador de Wild New Zealand, de 2017.
Talvez Neill tenha alcançado seu nível mais alto de fama em Jurassic Park, interpretando o paleontólogo Alan Grant, que é convocado a uma ilha na costa da Costa Rica onde um parque temático foi construído para abrigar manadas de dinossauros clonados.
Seu personagem era ponderado e sensato, um cientista que alertou o idealizador do parque temático antes do caos: "Dinossauros e o homem, duas espécies separadas por 65 milhões de anos de evolução, foram subitamente jogados juntos no mesmo caldeirão. Como podemos ter a menor ideia do que esperar?".
Grant sobreviveu aos eventos terríveis quando as criaturas se libertaram, mas não retornou para O Mundo Perdido: Jurassic Park II em 1997. Ele voltou para o terceiro filme em 2001 e para Jurassic World: Domínio em 2022.
"Provavelmente é um pouco tarde para aprender essas coisas", disse ele ao Daily News de Nova York em 2001, "mas finalmente sinto que descobri como ser um herói de ação. Estou mais feliz com o Grant desta vez. Ele está calejado e grisalho, mas parece saber o que está fazendo."
Nascido em 1947 na Irlanda do Norte, Neill emigrou para a Nova Zelândia aos 7 anos de idade. Ele nasceu Nigel Neill, mas disse em entrevistas que começou a adotar o nome Sam porque havia muitos Nigels em sua escola.
Sua família se estabeleceu em Dunedin, na Ilha do Sul, e ele foi enviado para um internato em Christchurch. Depois da faculdade, ele assumiu o papel principal em Sleeping Dogs (1977), o primeiro longa-metragem rodado na Nova Zelândia em mais de uma década.
Os outros papéis de Neill no cinema incluíram o de um oficial de submarino soviético que memoravelmente sonha com uma casa em Montana em A Caçada ao Outubro Vermelho e o de um investigador em À Beira da Loucura, do diretor John Carpenter.
Na TV, Neill interpretou o maligno Chester Campbell na série Peaky Blinders e Thomas Jefferson na minissérie Sally Hemings: An American Tragedy. Na Apple TV, ele esteve na série Invasão, interpretando o xerife de Oklahoma John Bell Tyson, um homem em fim de carreira em busca de seu propósito.
Em 2024, ele estrelou, ao lado de Annette Bening, na série do Peacock Apples Never Fall.
Ator era querido na Nova Zelândia
O ator ficou conhecido na Nova Zelândia como uma pessoa modesta e despretensiosa, que não se deslumbrava com a fama. Nas redes sociais, ele frequentemente postava fotos dos animais de sua fazenda, muitos deles batizados carinhosamente com nomes de celebridades e amigos, como a galinha Laura Dern, o pato Kylie Minogue e a vaca Helena Bonham Carter.
O primeiro-ministro da Nova Zelândia, Christopher Luxon, lamentou a morte de Neill, chamando-o de "um dos grandes" em uma declaração publicada nas redes sociais.
"Ele começou quando mal existia uma indústria cinematográfica de fato", escreveu Luxon. "Por mais de cinquenta anos, ele levou as histórias da Nova Zelândia para o mundo e seus talentos ajudaram a transformar nossa indústria cinematográfica no que ela é hoje."
Neill também era produtor de vinhos e, sob sua marca Two Paddocks, produzia vinhos pinot noir e riesling em sua vinícola na região de Central Otago, na Ilha do Sul da Nova Zelândia. Sua autobiografia, Did I Ever Tell You This?, foi lançada em março de 2023, e ele foi condecorado com o título de cavaleiro (knighthood) em reconhecimento à sua "contribuição excepcional ao cinema", um título aprovado pela falecida Rainha Elizabeth II "Não posso fingir que o último ano não teve seus momentos sombrios", disse Neill ao The Guardian em 2023, referindo-se ao seu diagnóstico e tratamento de câncer.
"Mas esses momentos sombrios realçam a luz, sabe, e me deixaram grato por cada dia e imensamente grato por todos os meus amigos." Ele deixa quatro filhos e oito netos. (Estadão Conteúdo).






