Romanelli alerta sobre impacto das bets nas famílias brasileiras
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13/04/2026

O deputado Luiz Claudio Romanelli (PSD) disse nesta segunda-feira (13) que as bets (jogos de azar e apostas online) já deixaram de ser entretenimento e passaram a pesar no bolso e na vida de milhões de brasileiros. Segundo dados, foram 17,7 milhões de apostadores em apenas seis meses, além dos impactos negativos à saúde da população.
“Segundo o Banco Central, são até R$ 30 bilhões por mês movimentados em apostas no país. Um volume enorme de dinheiro que, muitas vezes, sai do básico, como alimentação, educação e contas do dia a dia. As perdas econômicas e sociais ao país são estimadas em R$ 38,8 bilhões por ano. Esse valor inclui danos à sociedade, como suicídios, desemprego, gastos com saúde e afastamento do trabalho”, apontou Romanelli.
O problema vai além da economia e já é tratado como questão de saúde pública. “O vício em apostas cresce, afeta famílias, gera endividamento e compromete o futuro, principalmente entre os mais jovens. Não dá para normalizar algo que está tirando oportunidades e criando uma falsa ilusão de ganho fácil”, afirmou.
Jogos de azarRomanelli apontou que os jogos de azar estão entre os fatores que contribuem para o endividamento das famílias brasileiras. “De um lado, temos uma massa salarial comprimida. O mercado de trabalho até gera vagas, mas os salários não acompanham. Soma-se a isso a carga tributária, os juros elevados e as dificuldades da economia. E há um fator que preocupa muito: esse gasto de R$ 30 bilhões por mês em bets”.
Dados do governo federal indicam que 34% do dinheiro gasto com apostas vem das famílias das classes C, D e E. “A pessoa está tirando recursos de necessidades básicas, como alimentação e vestuário, para apostar. E, em média, são cerca de R$ 350 por mês”.
“Enquanto isso, houve uma regulamentação recente, com aumento ainda tímido da carga tributária. Em outros países, a taxação é mais robusta. Aqui, na prática, essas empresas seguem operando com grande vantagem”, completou.
Impacto
O deputado destacou ainda que as empresas do setor utilizam estratégias de forte apelo nas redes sociais, com influenciadores, publicidade massiva e patrocínio a times de futebol. “O resultado é um país com mais pessoas endividadas, enquanto as bets acumulam lucros. Isso não pode ser ignorado. São muitas famílias afetadas, uma questão clara de saúde pública, que exige atenção das autoridades”.
Pesquisa do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde e da Umane aponta que o Brasil teve 17,7 milhões de apostadores em seis meses e estima em 12,8 milhões o número de pessoas em situação de risco.
Os pesquisadores também projetaram os impactos econômicos com base em estudos internacionais: R$ 17 bilhões por mortes adicionais por suicídio, R$ 10,4 bilhões por perda de qualidade de vida com depressão, R$ 3 bilhões em tratamentos médicos, R$ 2,1 bilhões com seguro-desemprego, R$ 4,7 bilhões com encarceramento e R$ 1,3 bilhão relacionado à perda de moradia. Do total, 78,8% (R$ 30,6 bilhões) estão ligados a custos na área da saúde.
Foto: Valdir Amaral/Alep







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