Roda de conversa no Ippuc destaca olhar feminino sobre a cidade
06/10/2026

Diferentes experiências de viver e percorrer Curitiba foram o centro do debate na atividade promovida pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), nesta segunda-feira (5/10), em referência ao Dia Mundial do Habitat. O encontro reuniu três mulheres com trajetórias distintas para uma roda de conversa com planejadores urbanos do Instituto.
Foram convidadas Camila Silva, mulher negra, empreendedora e atuante nas áreas de inovação e mobilidade; Leonir Santos, de 92 anos, moradora do CIC e participante das discussões comunitárias sobre a cidade; e Salete do Rocio, de 52 anos, motorista de ônibus há 14 anos e uma das pioneiras na função na empresa Redentor.
A partir das experiências de cada uma, foram discutidos temas como mobilidade, segurança, qualidade dos espaços urbanos, acesso a equipamentos e serviços, autonomia e economia do cuidado.
“Ao compartilhar diferentes experiências no diálogo com os profissionais que atuam no planejamento urbano, nossas convidadas ajudam a aproximar os técnicos das necessidades de quem vê a cidade se transformar todos os dias”, avalia Ana Zornig Jayme, presidente do Ippuc.
As participantes compartilharam pontos de vista sobre a rotina urbana. “A gente precisa melhorar cada vez mais o lugar onde mora. E isso se faz com participação”, ensina Leonir. Moradora do CIC desde 1967, ela conta que chegou ao bairro ainda sem água e energia elétrica. E que caminhava com os quatro filhos mais de três quilômetros para pegar o ônibus para levar as crianças à escola, no Centro da cidade. “Hoje eu tenho tudo próximo de casa. Faço atividades na regional e nos grupos de idosos a semana toda”, conta.
A rotina da mulher foi um dos pontos centrais da conversa. Além do deslocamento entre casa e trabalho, o cotidiano envolve percursos relacionados ao cuidado com filhos e familiares, acesso à saúde e à educação, compras, trabalho, participação comunitária e atividades de convivência.
“Meu deslocamento diário é quatro vezes mais complexo do que do meu marido. E isso impacta em tempo para mim, para a família e na consequente qualidade de vida de todos”, observa Camila.
Como motorista da Linha Direta Colombo/CIC por oito anos, Salete conta que 80% dos seus passageiros são mulheres. “Mães carregadas de sacolas, com carrinhos de bebê, filhos pequenos e toda a responsabilidade do cuidado diário com a família. Me preocupo com a segurança delas dentro e fora do ônibus”, conta.
A roda de conversa teve como objetivo ampliar a escuta sobre o cotidiano das mulheres e provocar os planejadores a incorporar essas experiências nas decisões sobre mobilidade, espaços públicos, equipamentos, serviços e organização territorial.
Mais do que discutir uma cidade ideal, o encontro sugeriu um olhar para a cidade que existe, a forma como ela é vivida e os obstáculos que ainda precisam ser enfrentados para ampliar o acesso e a autonomia das mulheres.







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