Renan defende bomba atômica e regime de exceção na favela e ameaça descumprir decisões do STF
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27/08/2026

Nesta quarta-feira, 26, o candidato Renan Santos (Missão) defendeu, em sabatina na TV Globo, que o Brasil deve ter bombas atômicas para se tornar uma potência mundial. Ele declarou que "ter armas nucleares é uma forma de defender sua própria soberania".
O político argumentou que as armas nucleares servirão para dar "poder de dissuasão para as nossas riquezas serem respeitadas" - mencionando terras raras, alimentos e energia - , evitando que o Brasil tenha uma "posição submissa" frente a projetos internacionais.
"No futuro, se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, ele vai precisar ter soberania, soberania sob seu próprio território, soberania militar e vai ter que discutir ter bombas atômicas", disse.
O político também reiterou sua ideia de promover um "banho de sangue" para acabar as facções de tráfico que dominam o território nacional. Para tal, ele afirmou que irá decretar um "estado de exceção" nas favelas brasileiras. Apesar disso, alegou ser um "pacifista".
"O que eu defendo é a criação e a declaração de uma guerra contra o crime organizado. É a aceitação de uma realidade que já é verdadeira para os brasileiros. Precisamos de uma guerra contra eles, esse é o primeiro ponto", disse.
A coordenação das operações de invasão e "neutralização" do narcotráfico, segundo ele, ficaria a cargo das forças policiais, enquanto o Exército atuaria estritamente de forma auxiliar.
O candidato citou um custo estimado de "R$ 5 bilhões por ano" para sustentar as bases e operações policiais no Estado do Rio de Janeiro.
Embora tenha dito que não é Nayib Bukele, Renan Santos assegurou que pretende reproduzir "muitos elementos que foram adotados em El Salvador". Dentre eles, Santos apoia o fim da presunção de inocência para quem for classificado como "inimigo da nação" e planeja a construção de presídios gigantescos, com capacidade de 30 a 40 mil vagas cada. Ele calculou que precisaria de "6 milhões de reais" para cada prisão de segurança máxima.
Para ele, os membros das facções devem ser tratados de maneira diferente do cidadão comum. Santos defendeu penas mais duras para crimes cometidos com armas, redução do tempo de julgamento e facilitação da tutela antecipada de operações.
'Decisão judicial ilegal não se cumpre'
Renan Santos também explicou que não irá cumprir decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que julgar "ilegais".
Como exemplo prático de uma decisão que ele considera "grotesca" e que não deveria ser cumprida, o candidato citou uma medida recente do ministro Alexandre de Moraes que quebrou o sigilo de fonte de jornalistas.
Santos esclareceu que essa recusa não seria uma decisão isolada ou tomada puramente "da sua cabeça". Ele definiu que, diante de uma ordem que ele acreditar ilegal, iria "avocar a União" e solicitar um parecer jurídico para avaliar o que fazer.
Ele ainda argumentou que o direito e o dever de não cumprir uma decisão ilegal não é uma prerrogativa exclusiva dele como eventual presidente, mas sim de qualquer cidadão. Dessa forma, um brasileiro que julgar uma decisão judicial como ilegal teria o direito de descumpri-la.
Na sabatina, o candidato também foi questionado sobre como enfrentará a necessidade de um ajuste fiscal, e, ao contrário dos adversários que foram indagados sobre o tema, afirmou ser necessário atuar na desvinculação de receitas da educação e da saúde, na desindexação das aposentadorias do salário mínimo e na realização de uma nova reforma da Previdência.
"Todas essas medidas vão evitar a aceleração e o resto é o corte de gasto que nós vamos fazer. Só que a beleza dos cortes de gastos é que eles estarão vinculados ao investimento em infraestrutura, que é uma coisa que o Brasil está precisando para poder voltar a crescer", disse.
Crédito: Estadão Conteúdo







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