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MP acusa 16 por lavar dinheiro do PCC na Faria Lima e com combustível

  • há 16 minutos
  • 2 min de leitura

27/08/2026


O Ministério Público de São Paulo denunciou 16 alvos da maior ofensiva contra a lavagem de dinheiro do crime organizado no setor de combustíveis adulterados, a Operação Carbono Oculto. Eles são acusados de crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). O Estadão tentou contato com as defesas, mas não teve respostas.


A Carbono Oculto, operação conjunta entre Promotoria, Receita e Polícia Federal, atingiu o PCC e suas ligações na Faria Lima. A investigação revelou como o crime organizado migrou para o controle de setores da economia formal, alcançando postos de combustíveis, distribuidoras e endereços financeiros de elite.


O empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, foragido, é um dos 16 denunciados. Ele e seu parceiro, Mohamad Hussein Mourad, o Primo, que também está foragido, tentaram fechar acordo de delação premiada em troca da revogação da prisão e outros benefícios.


A Promotoria concluiu que eles omitiram informações sobre o PCC e ofereceram a devolução de valores reduzidos aos cofres públicos. Primo não está entre os denunciados.


Além de Beto Louco, consta entre os acusados o empresário Admar de Carvalho Martins, o Dema, um dos personagens centrais em outra operação, a Fim de Linha, que atingiu os negócios do PCC no transporte público de São Paulo. Ao lado de integrantes da cúpula da facção, como Décio Gouveia Luiz, o Décio Português, e de traficantes como Silvio Luiz Ferreira, o Cebola, ele é apontado como um dos controladores da empresa UPBus, usada para lavar dinheiro.


ESQUEMA


Segundo a Promotoria, os acusados teriam angariado R$ 2,9 bilhões com o esquema. Na denúncia de 189 páginas, os promotores destacam que a articulação criminosa envolvia a importação irregular e a adulteração de combustíveis.


Com base em documentos apreendidos, informações públicas e dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a PF estimou que mais de 10 milhões de litros de metanol tenham sido desviados para uso irregular em postos de combustíveis.


Segundo a denúncia, o esquema perdurou pelo menos de 2019 a 2025

LAVAGEM DE DINHEIRO


Desde as primeiras descobertas da PF sobre o esquema, as instituições de pagamento passaram a ser apontadas como um mecanismo fundamental para a lavagem de dinheiro, a ocultação patrimonial e a simulação de negócios jurídicos ilícitos. Uma das principais fintechs era o BK Bank.


Estadão pediu manifestação do BK Bank, que não se pronunciou. A quebra do sigilo fiscal da instituição permitiu rastrear o fluxo dos recursos e identificar a participação da Aster Petróleo, ligada a Beto Louco. A companhia teria movimentado ao menos R$ 88 milhões. Ele teria obtido R$ 261,3 milhões em benefícios financeiros.

 

 

Crédito: Estadão Conteúdo


 
 
 

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