No Senado Federal, Fiep cobra melhorias no fornecimento de energia no Paraná
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05/05/2026

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) defendeu nesta terça-feira (5), durante audiência pública realizada na Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, em Brasília, a busca por melhorias na qualidade do fornecimento de energia elétrica para o setor industrial paranaense, que vem enfrentando inúmeros problemas com as frequentes oscilações registradas atualmente. A audiência, que teve participação de outras entidades do setor produtivo paranaense, foi proposta pelo senador Sergio Moro (PL-PR).
O senador justificou que seu principal objetivo ao propor o debate era discutir a qualidade da distribuição de energia elétrica no Paraná e cobrar explicações da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) diante dos prejuízos acumulados por consumidores e produtores rurais. Representada pelo superintendente João Arthur Mohr, a Fiep ressaltou que as constantes quedas ou oscilações de energia causam prejuízos expressivos para indústrias de diferentes setores, especialmente no interior do Paraná.
Um dos pontos destacados por Mohr foi que os indicadores de quedas de energia registrados pela Copel e fiscalizados pela ANEEL acabam sendo mascarados pelo baixo número de horas de interrupção do fornecimento para consumidores residenciais em grandes cidades, como Curitiba. Além disso, apontou que boa parte das interrupções é expurgada dos cálculos sob justificativa de que ocorreram devido situações extraordinárias, como condições climáticas extremas. Tudo isso que faz com que a companhia registre uma média de 7 horas de interrupções ao ano por unidade consumidora, abaixo da meta de 8 horas estabelecida pela agência reguladora.
Porém, Mohr reforçou que esses indicadores não capturam a realidade vivida pelo setor produtivo diariamente. Citando um levantamento realizado por um grupo de 30 grandes indústrias do município de Ponta Grossa, o superintendente mostrou que, juntas, elas totalizaram no ano passado 1.200 horas de interrupção em suas atividades devido a oscilações de energia, o que dá uma média de 40 horas por empresa. “Isso não aparece nos indicadores porque são oscilações de tensão, suficientes para desarmar linhas de produção inteiras, o que causa perda de matéria-prima e retrabalhos”, explicou.
Já ao analisar dados sobre conjuntos de subestações monitorados pela ANEEL, Mohr afirmou que, além de Ponta Grossa e municípios vizinhos, os problemas de oscilações e quedas de energia que prejudicam o setor produtivo estão concentrados também nas regiões Sudoeste, Oeste e Noroeste do Paraná e em algumas cidades da Região Metropolitana de Curitiba. “A gente vê muito claramente onde precisa trabalhar”, disse.
Além disso, mostrando resultados de uma pesquisa com consumidores industriais realizada por meio de um convênio firmado entre Fiep e Copel, Mohr afirmou que existe uma estimativa de crescimento na demanda por energia no Paraná na ordem de 4,5% nos próximos anos. Para ele, isso reforça a necessidade de investimentos na ampliação de subestações já existentes e na instalação de novas dessas estruturas, com o objetivo de melhorar a qualidade do fornecimento e aumentar a oferta de energia. “Temos um risco de ter que parar de crescer, parar de produzir alimentos, parar de alimentar o mundo se a gente não tiver energia na qualidade e na quantidade necessária”, disse, defendendo a importância de investimentos por parte da companhia para garantir disponibilidade de energia para ampliação e novas instalações industriais no Paraná.
O superintendente cobrou, ainda, a necessidade de melhorias na conservação das linhas de distribuição no meio rural. Isso porque muitas indústrias estão interligadas nos mesmos ramais que levam energia a propriedades rurais, que também vêm enfrentando enormes dificuldades e prejuízos com a instabilidade no fornecimento. “Se temos uma falha no rural em função de um galho que bate na linha, por exemplo, isso oscila a tensão daquela rede e já derruba a linha de produção de uma indústria”, afirmou. “Por isso, é muito importante fazer um trabalho para isolar ou diferenciar essas linhas para resolver o problema das quedas tão repentinas no rural”, afirmou, dizendo que é fundamental que a Copel invista mais, entre outros pontos, nas podas de árvores próximas à rede elétrica.
Tempo de resposta e reajuste tarifárioOutro ponto questionado pela Fiep durante a audiência no Senado foi o aumento do tempo de resposta aos chamados abertos pelos consumidores quando há casos de quedas de energia. Segundo dados da ANEEL, o tempo médio de preparação, que é o período entre a Copel ser acionada e disparar a equipe para campo, passou de 159 minutos em 2021 para 238 minutos em 2025, um aumento de 50%.
Além disso, também ressaltou que o tempo médio para religar a energia após quedas subiu de 30 para 40 minutos nos últimos anos, um aumento de 33%. “Temos muitas queixas de que os eletricistas da Copel chegam ao local e não conseguem restabelecer a energia. Esse indicador preocupa porque mostra que teve uma queda na qualidade desse eletricista da Copel lá da ponta”, relatou.
Por fim, o superintendente da Fiep fez um alerta sobre o forte impacto que o processo de Revisão Tarifária Periódica 2026 da Copel Distribuição, atualmente em andamento, pode ter sobre as planilhas de custos de muitas indústrias. A proposta sugere um reajuste médio nas tarifas de energia no Paraná que chega a mais de 26%, sendo 19,2% previstos para este ano e 7% já ficando definidos para 2027. Porém, para alguns segmentos que recebem energia em alta tensão, que abrangem indústrias de diferentes setores, o reajuste chega a 51%.
Na semana passada, durante audiência pública realizada pela ANEEL, em Curitiba, a Fiep já colocou seu posicionamento contrário aos índices de reajuste sugeridos e apresentou algumas propostas para minimizar seus impactos.
Prejuízos no agroTambém presente na audiência, o presidente do Sistema Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, reforçou que as constantes quedas no fornecimento de energia estão causando grandes prejuízos para os produtores agropecuários paranaenses. Destacou, ainda, os efeitos que o cenário atual tem para a competitividade do setor. “O que está em discussão aqui não é a qualidade da energia elétrica no estado do Paraná. O que está em pauta nesta audiência é a capacidade de um dos principais estados do país continuar produzindo alimento de forma segura, previsível e competitiva para o mercado interno e para o mundo”, afirmou Meneguette, que é também coordenador do G7, grupo que reúne as principais entidades do setor produtivo paranaense.
Quem também participou foi o coordenador de Desenvolvimento Técnico da Ocepar, Sílvio Krinski, que colocou o posicionamento das cooperativas agroindustriais paranaenses sobre o tema. “Como estratégia, as cooperativas dão escala aos pequenos, médios e grandes produtores, para que a gente possa agregar valor a essa produção. E, para isso, precisam de energia”, disse.
Krinski explicou que as 20 maiores cooperativas agroindustriais do Paraná absorvem cerca de 6% da energia consumida em todo o estado. Além disso, elas projetam um crescimento de quase 33% nesse consumo até 2032. “O problema real que a gente tem quando vai conversar com uma cooperativa ou com um produtor é que temos queda e oscilação de tensão e interrupção de energia de forma frequente. Isso traz uma questão prática, que é a queda de competitividade da nossa agroindústria”, afirmou, acrescentando que há reflexo diretos no custo de produção, que muitas vezes é repassado ao consumidor no preço final dos produtos, o que pressiona os índices de inflação.
Entre outros convidados, a audiência teve, ainda, a participação do diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antônio Villela de Abreu, que falou sobre investimentos realizados pela companhia nos últimos anos; a superintendente-adjunta de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica da ANEEL, Ana Claudia Cirino dos Santos; e o responsável pela Secretaria Nacional do Consumidor, ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Morishita Wada.
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Foto: Andressa Anholete/Agência Senado







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