Jornalista e cinegrafista são atingidos por míssil ao vivo
09/09/2026

Um ataque atribuído às Forças de Defesa de Israel (FDI) atingiu um jornalista no sul do Líbano, enquanto ele se preparava para entrar ao vivo em uma TV local. O cinegrafista que acompanhava o correspondente registrou o momento, que repercutiu em todo o mundo nos últimos dias.
A explosão atingiu os dois profissionais da equipe de reportagem da emissora libanesa Al-Manar no último domingo (6), na cidade de Nabatieh al-Fawqa, no sul do Líbano. O correspondente Ali Chbib e o cinegrafista Mohammad Berjawi ficaram feridos por estilhaços e destroços.
O incidente foi registrado pelas câmeras da própria emissora antes que a transmissão fosse completamente interrompida. Ambos os profissionais sofreram cortes e contusões e precisaram ser encaminhados ao hospital local para receber tratamento médico, onde Chbib passou por um procedimento cirúrgico no ombro.
Depois disso, ambos os profissionais receberam alta, de acordo com informações divulgadas pela Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) e pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).
Por meio de um pronunciamento oficial, a emissora Al-Manar, rede de televisão afiliada ao grupo Hezbollah, acusou as forças israelenses de realizar um ataque aéreo coordenado, direcionado e deliberado contra sua equipe de jornalistas, que se preparava para uma reportagem.
O canal ainda sustenta que seus profissionais realizavam a cobertura informativa, que já faz parte da rotina, em uma área civil. Logo, a emissora denunciou o ato como parte de uma "escalada de agressões que visa atingir comunicadores no sul do país".
Em contrapartida, as Forças de Defesa de Israel (FDI), também por meio de um comunicado oficial enviado a veículos internacionais, como o jornal The Times of India, confirmaram a realização de ataques aéreos na região de Nabatieh para atingir o que foi classificado por eles como "infraestruturas e depósitos de armas do Hezbollah".
Além disso, as FDI afirmaram estar cientes de relatos sobre um jornalista ferido "nas proximidades da infraestrutura" atingida. A nota militar declarou ainda que o exército "não tem como alvo indivíduos não envolvidos ou jornalistas em nenhuma circunstância". Por fim, alegou o uso de munições de precisão e monitoramento aéreo para minimizar danos a civis.
O Ministério da Saúde do Líbano informou posteriormente que os ataques israelenses - registrados em diferentes localidades do sul do país no domingo (6) - deixaram 11 mortos e 26 feridos.
Em Nabatieh al-Fawqa, sete pessoas morreram, enquanto um ataque contra o estacionamento Fakhr al-Din deixou outras duas vítimas fatais e cinco feridos, entre eles os dois jornalistas da Al-Manar.
Repercussão internacional
O ataque gerou repercussão imediata em organizações globais de defesa da liberdade de imprensa, principalmente após o episódio ganhar visibilidade nas redes sociais, com grande alcance no X (antigo Twitter), onde o vídeo foi compartilhado milhares de vezes.
O CPJ emitiu um alerta oficial, que foi atualizado nesta terça-feira (08). A organização manifestou preocupação com a violência e informou que o ataque em Nabatieh faz parte de uma sequência de incidentes recentes que feriram, ao todo, quatro jornalistas na região (incluindo profissionais de veículos como a Al-Mayadeen e o jornal Al-Rai na Faixa de Gaza).
Além disso, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas destacou que a proteção aos profissionais da imprensa deve ser assegurada independentemente do veículo ao qual são afiliados.
A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) também emitiu uma nota cobrando investigações transparentes sobre o bombardeio. A entidade ainda ressaltou o cumprimento do Direito Internacional Humanitário, que protege comunicadores em zonas de conflitos armados.
Foto: Reprodução/X







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