Desde o início do novo protocolo, 19 pessoas foram internadas involuntariamente em Curitiba
- admjornale
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30/01/2026
Em janeiro, 19 internações involuntárias de pessoas em situação de rua, a maioria depois de atendimento em serviço de urgência, foram realizadas em Curitiba. Com muita responsabilidade, critérios técnicos e transparência, a Prefeitura está conduzindo o trabalho intersetorial de atenção a pessoas em situação de rua que necessitam de internação involuntária por colocar a própria vida em risco.
A primeira internação involuntária que teve como base a nova norma, no dia 9 de janeiro, foi conduzida por abordagem da equipe do Consultório na Rua, quando a médica do serviço entendeu que a mulher atendida colocava a própria vida em risco, precisava ser estabilizada e receber tratamento adequado em serviço de Saúde.
A ação dos órgãos da administração municipal é baseada na portaria conjunta nº 2, de 19 de dezembro de 2025, norma da Prefeitura de Curitiba que atualizou os critérios de atuação em situações críticas em que a internação involuntária pode ser acionada.
“Nosso trabalho é feito com muita seriedade, com transparência e critérios técnicos. Oito leis federais embasaram esse protocolo que foi atualizado pela Prefeitura de Curitiba, onde está incluída a internação involuntária. Lembrando que a internação é exceção, ela não é regra. Ela é feita somente em casos onde a pessoa estiver fora de controle e colocando a sua vida ou de outras pessoas em risco”, ressalta o prefeito Eduardo Pimentel.
Linha de cuidado
A secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, detalha as ações desencadeadas pelas equipes de saúde para estabilizar e tratar as pessoas em situação de crise aguda e em vulnerabilidade, seja pelo uso de substâncias ou por transtornos mentais, e destaca a força do trabalho intersetorial.
“A Prefeitura montou um time técnico de todas as áreas para discutir e definir o cuidado desses pacientes. É uma câmara de governança que reúne todas as secretarias e a nova norma é fruto de amplo debate entre os técnicos da Prefeitura, que estão no dia a dia da política pública de atenção às pessoas em situação de rua”. explica Tatiane Filipak.
O principal objetivo desse trabalho intersetorial é a reinserção social dessa pessoa, em que ela tenha total capacidade de gerir a própria vida. Para isso, primeiro é necessário o trabalho da saúde, que intervém para retirar da crise aguda e oferece o tratamento multiprofissional em diversos pontos de atenção, dependendo da resposta de cada pessoa.
A Unidade de Estabilização Psiquiátrica (UEP) é o segundo ponto de atenção, depois do diagnóstico que determinou a internação, seja pelo Consultório na Rua, serviço de urgência, como a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou equipes dos Caps e das unidades de saúde.
O médico psiquiatra avalia o quadro de saúde e acompanha a evolução do paciente, que pode ser encaminhado para tratamento hospitalar, em leito de saúde mental ou em Centro de Atenção Psicossocial III (Caps), que possui leitos 24 horas. O tempo de tratamento em cada tipo de serviço depende da resposta do paciente.
“Durante uma internação psiquiátrica, um dos motivadores que a gente muitas vezes consegue sucesso em pessoas vulneráveis, em situação de rua ou com outras vulnerabilidades é a busca ativa de familiares. Quando possível, esse familiar passa a participar do plano terapêutico do paciente e isso ajuda muito no tratamento”, explica o médico psiquiatra Marlon Braga, diretor técnico da unidade psiquiátrica Úniica, hospital contratado pela prefeitura de Curitiba e que oferece mais de 100 leitos para internamento de saúde mental.
Braga explica que a jovem internada involuntariamente no dia 9 de janeiro está no hospital, passou pela desintoxicação inicial e está na fase de participação das psicoterapias e atividades em grupo dentro da própria instituição.
Durante todo o período de internamento, a paciente é constantemente reavaliada, onde se busca com um trabalho de psicoeducação, que ela entenda a sua condição e o que a levou a essa necessidade de uso de substâncias. Segundo o médico, a alta hospitalar se dá a partir do equilíbrio da situação de saúde, que é uma condição crônica, ou seja, não se fala sobre cura, mas sim de controle da situação, que precisa de acompanhamento constante.
Caps
A partir da alta hospitalar o paciente continuará sendo assistido pela Rede de Atenção Psicossocial da Prefeitura de Curitiba em um CAPS tipo três, com atendimento 24 horas e leitos, ou um CAPS tipo dois, com leitos de hospitalidade noturna.
Nas duas modalidades, o paciente tem acompanhamento por equipe multidisciplinar, que envolve médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, terapeuta ocupacional, musicoterapeutas, entre outros profissionais
Toda jornada do paciente é acompanhada pela equipe da Fundação de Ação Social que busca a aproximação familiar, quando possível, pode oferecer alternativas de moradia temporária, capacitação profissional, encaminhamento a emprego e renda, até sua total reinserção social.
“É possível atingir esse objetivo de reinserção social. Não é fácil, é um grande desafio, mas nós construímos uma linha de cuidado robusta, com pontos de atenção bem estabelecidos em que cada serviço vai cumprir com seu papel na jornada desse paciente”, detalha a secretária Tatiane Filipak.






