Com enredo sobre os opostos, escola Acadêmicos da Realeza busca o título em Curitiba
- admjornale
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03/02/2026

Segunda escola do grupo especial do Carnaval de Curitiba a entrar na Marechal Deodoro no sábado (14/2), a Acadêmicos da Realeza levará um enredo inspirado no conceito oriental do yin-yang e nas dualidades que atravessam o cotidiano humano, a cultura e o próprio carnaval.
Com forte simbologia, o desfile da escola batizada pelo sambista Neguinho da Beija-Flor explora a convivência entre opostos que não se anulam, mas se complementam. O preto e o branco, cores que conduzem a narrativa visual mostrando contrastes como dia e noite, bem e mal, razão e emoção. O público também vai ver imagens como o tabuleiro de xadrez, metáfora do equilíbrio entre forças distintas.
Entre o Preto e o Branco, Tudo é Dois, Tudo é Um
Entre o Preto e o Branco, Tudo é Dois, Tudo é Um é o título do samba-enredo. A letra destaca a ideia de transformação constante e da mútua existência dos contrários. A música foi escolhida em um concurso nacional de sambas que teve sete composições na disputa, três chegaram à final e a vencedora contou com a colaboração de 14 compositores.
A escolha do tema nasceu de um processo coletivo. Integrantes da Acadêmicos apresentaram sugestões, que foram debatidas internamente até a definição do enredo pela diretoria. A partir disso, coube aos carnavalescos transformar o conceito em narrativa visual, com fantasias e alegorias.
Na Marechal Deodoro, estarão cerca de 450 componentes que desfilam pela escola neste ano. Nos bastidores, mais de 50 pessoas trabalham na preparação do espetáculo, divididas entre ateliê, quadra e barracão. O desfile contará com 12 alas e três carros alegóricos.
“Queremos fazer um desfile bonito, alegre e que dialogue com o público. A ideia é apresentar o conceito da dualidade de forma leve, provocar reflexão e, ao mesmo tempo, celebrar o carnaval como esse espaço de transformação e alegria”, afirma a diretora de harmonia da Acadêmicos da Realeza, Barbara Murden.
O samba-enredo também estabelece um paralelo entre as contradições humanas e o carnaval. “Na avenida, o pobre vira rei, o luxo anda com o lixo e a fantasia permite atravessar mundos. O carnaval é, por essência, esse encontro de opostos”, completa Barbara.
A história da Imperatriz da Liberdade
Fundada em março de 1997 e batizada por Neguinho da Beija-Flor, a Imperatriz da Liberdade é uma das mais tradicionais escolas de samba de Curitiba. A agremiação soma 11 títulos no carnaval curitibano, o mais recente conquistado em 2024 e é a única do grupo especial que nunca foi rebaixada ao grupo de acesso, mantendo uma trajetória de destaque ao longo de quase três décadas.
Seus enredos valorizam a memória da cidade, do Paraná e de personagens marcantes da cultura local. Além dos desfiles, a escola também atua na formação cultural, com oficinas de percussão e participação em diferentes eventos da cena cultural curitibana.
Samba-enredo da Acadêmicos da Realeza
Eu sou a luz, mas também sou as trevasPonto e contraponto, eu sou a dualidade!Estou na vida em transformaçãoE na manifestação das possibilidades!
O preto acolhe e o branco iluminaFeito reis e rainhas a dançar no tabuleiroNa sabedoria milenar não rejeito a metadeE nem busco o inteiro.
Vou navegando neste mar de emoçõesVou navegando neste mar de emoçõesEntre o céu e o inferno, o destino finalSó depende da batalhaEntre o bem e o mal!
Fiz do carnaval contradiçãoOnde o luxo e o lixo andam sempre abraçadosNa avenida, quem é pobre vira reiAo vestir a fantasia do profano ao sagrado
Atotô, Obaluaê! Atotô, Babá!Atotô, Obaluaê! Atotô, Babá!Trago axé e reza forte pra saudar meu orixá!Entre a vida e a morte o cortejo vai passar!
A Realeza vem mostrar o seu valorMeu grande amor, muito além da razãoNo meu terreiro tem sambista, sim senhorTudo é dois, tudo é um… na escola da emoção!
Foto: Luiz Pacheco/FCC









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