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Artistas residentes do Memorial Paranista finalizam suas obras

há 27 minutos
3 min de leitura

30/10/2026


Depois de meses de pesquisa e de trabalho, finalmente silicone, argila, cera e sonhos irão se transformar em bronze. Os quatro artistas que participam em 2026 do Programa de Residência Artística e Técnica no Ateliê de Esculturas e Fundição do Memorial Paranista estão iniciando os passos finais de realização das suas obras, com a transformação dos moldes em peças completas – um processo que mistura a beleza da arte escultórica com a precisão de processos consagrados ao longo de séculos.

Elisabeth Sekulic, Flávio Freitas Dinão Júnior, Milene Fogaça e Nicole Christine tiveram seus projetos aprovados em edital publicado em março deste ano, e começaram a trabalhar em maio. Todos os processos são feitos no Atelier de Esculturas e Fundição que fica à vista dos visitantes do Memorial, localizado no Parque São Lorenço.


O processo de finalização começa com um contra molde oco em cera, geralmente gerado a partir de um molde de silicone tirado da matriz. A partir dele, é preparada uma estrutura em cera, os canais e a boca que formam uma espécie de “árvore”, essa estrutura permitirá a entrada do metal líquido e a saída dos gases. No passo seguinte, a incrustação, esse modelo é envolvido em um molde refratário, capaz de suportar as altas temperaturas do metal fundido – em geral, acima de 1.000 ºC. Ao fim, esse bloco vai ao forno. A cera derrete, deixando apenas a cavidade interna, preservando os canais para entrada do metal e dissipação de gases. O nome do processo de produção, cera perdida, vem dessa fase.


Segue-se a fase da fundição, em que a peça de cera se transforma em metal. O bronze é derretido em um forno de fundição até atingir sua temperatura ideal de vazamento, em geral acima de 1.200º C. Usando equipamentos de segurança e ferramentas, os fundidores derramam o bronze incandescente no bloco refratário. O metal preenche rapidamente todos os canais e o espaço oco deixado pela cera.


Após o metal esfriar e se solidificar completamente no molde, o bloco refratário é quebrado com martelos, marretas ou outras ferramentas. Assim surge a escultura, ainda coberta por poeira refratária e mantendo presas a si todas as hastes dos canais de alimentação e respiro (que agora também são de bronze). Na sequência, a peça passa por uma limpeza em que os resíduos do material refratário são removidos e os canais de alimentação e respiro são cortados. Rebarbas metálicas são desbastadas e niveladas.


Por fim, a escultura passa pela fase de acabamento e montagem final.  Estátuas médias e grandes, que costumam ser fundidas em vários blocos separados para garantir um preenchimento perfeito, são montadas e unidas através de solda. Depois, a superfície é trabalhada para obter o nível de textura desejado (desde um acabamento fosco/acetinado até o alto brilho). O último passo é a pátina, processo de oxidação controlada do bronze por meio da aplicação de soluções químicas combinadas com calor, aplicado com maçarico. Esse tratamento químico confere à estátua suas cores e tonalidades características, conforme a intenção do artista, e protege contra o tempo e a oxidação natural descontrolada.


No Memorial Paranista, a fase de preparação dos canais de cera já começou e vai até 6 de novembro. A incrustação das peças em material refratário será feita entre 9 e 11 de novembro. A fundição das peças será em 18 de novembro e a abertura dos blocos está prevista para o dia seguinte. Solda, acabamento e pátina ocorrem de 30 de novembro até 11 de dezembro.

 
 
 

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