Arte e cuidado transformam ambiente de enfermaria de cuidados paliativos do Hospital do Idoso
09/09/2026

Um caminho em meio à natureza, cercado por árvores, flores e luz, passou a fazer parte da enfermaria destinada a pacientes em cuidados paliativos do Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns. A pintura integra uma proposta de ambientação humanizada, pensada para tornar o espaço hospitalar mais acolhedor para pacientes e familiares.
A intervenção foi realizada em parceria com a Associação Nariz Solidário e marca a primeira edição do Projeto Colorindo dentro do hospital. A nova enfermaria conta com três leitos destinados a pacientes em cuidados paliativos exclusivos.
“Nem sempre é possível que esses pacientes estejam em casa, no seu cantinho e com o conforto do próprio lar. A proposta foi trazer um pouco dessa sensação para dentro do quarto, proporcionando aconchego, alegria e conforto”, explica a médica Elisangela Shiroma, da equipe de Cuidados Paliativos.
Arte como forma de cuidado
A proposta surgiu depois que a equipe de Cuidados Paliativos conheceu o trabalho do Projeto Colorindo, desenvolvido pela Associação Nariz Solidário nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) de Curitiba.
“Recebemos o convite e estudamos o formato mais adequado para trazer leveza ao ambiente por meio da arte muralista. É muito gratificante saber que podemos contribuir para além da palhaçaria, oferecendo também esse tipo de acolhimento visual”, conta Eduardo Roosevelt, diretor da Associação Nariz Solidário.
Para a diretora-executiva do Hospital Municipal do Idoso Zilda Arns, Méri Barth, a iniciativa reforça a contribuição do voluntariado para a humanização dos espaços de saúde.
“A iniciativa representa uma demonstração de solidariedade e cuidado com pacientes, familiares e profissionais. O voluntariado contribui para a construção de espaços de saúde mais humanizados, em que pequenos gestos podem fazer diferença na experiência de quem passa pelo hospital”, destaca.
A ambientação foi idealizada por Eduardo em parceria com a artista muralista Elaine Krama e executada coletivamente por voluntários da associação. A escolha dos elementos representados também contou com a participação dos profissionais do hospital.
Para Elisangela, a paisagem remete aos ciclos e aos caminhos percorridos ao longo da vida.
“Cuidados paliativos não são somente relacionados à morte, mas ao cuidado da vida enquanto ela está aqui, presente. A paisagem, o caminho, a natureza e o sol trazem a mensagem da evolução da vida e da morte como um processo natural, que precisa ser acolhido”, afirma.
Cuidados em diferentes fases
Os cuidados paliativos são voltados a pessoas com doenças graves ou progressivas que ameaçam a vida. As ações buscam proporcionar conforto e qualidade de vida, com controle de sintomas e respeito aos desejos do paciente e da família.
No Hospital do Idoso, a assistência é organizada a partir de uma estratificação baseada em protocolos e evidências científicas.
Conforme a evolução da doença, mudam também os objetivos do cuidado: nas fases iniciais, há maior foco no controle de sintomas, nas diretivas antecipadas de vontade e na reabilitação possível.
Na fase exclusiva, a prioridade passa a ser o conforto, a dignidade, o alívio dos sintomas e a presença da família.
“A estratificação permite que toda a equipe fale a mesma língua no que diz respeito ao cuidado do paciente”, resume Elisangela.
O hospital acompanha entre 60 e 80 pacientes por mês em cuidados paliativos, em vários estágios de evolução clínica. Estes pacientes são atendidos pelas diferentes unidades de internação, conforme as necessidades de cada pessoa.
Os três leitos da enfermaria que recebeu o mural são um recurso complementar para pacientes na fase exclusiva, utilizado quando há indicação para esse ambiente assistencial. Os demais seguem acompanhados pela equipe de Cuidados Paliativos nos setores em que estão internados.
A enfermaria, que teve a ambientação concluída na semana passada, representa mais uma etapa da estruturação dessa assistência. Desde 2017, o hospital conta com uma Comissão de Cuidados Paliativos, que atua de forma consultiva e educativa junto às demais equipes assistenciais.
Em novembro de 2025, o Hospital do Idoso passou a ter também uma equipe permanente em Cuidados Paliativos, formada por médico, psicólogo, enfermeiro e assistente social, para o acompanhamento direto dos pacientes.
Conforto para quem acompanha
Para os familiares, que muitas vezes permanecem longos períodos ao lado do paciente, a forma como o espaço é organizado e percebido também pode fazer diferença na experiência da internação.
Juliana Silva, filha de um dos pacientes atendidos na enfermaria, percebeu essa mudança ao retornar ao hospital com o pai.
“Após alguns dias em casa, ele teve que voltar para o hospital e, quando viemos para este quarto, senti tranquilidade. Parece que a gente não está em um hospital”, relata emocionada.
Ela também destacou o cuidado dos profissionais como parte essencial dessa experiência.
“Não é só a estrutura que traz esse acolhimento. Toda a equipe é maravilhosa, isso faz toda a diferença. Gratidão define o meu sentimento por elas”, disse Juliana.
A familiar ressaltou ainda a atenção dedicada a quem acompanha o paciente.
“Eles realmente se importam com o familiar. Estão sempre dispostos a conversar, esclarecer as dúvidas e explicar o que está acontecendo. Isso faz com que a gente se sinta mais seguro e acolhido durante todo o processo”, afirma.
Um ambiente que participa do cuidado
Essa atenção às famílias também faz parte da rotina dos profissionais que atuam na enfermaria.
A enfermeira Cíntia Camargo, integrante da equipe de Cuidados Paliativos, está há mais de 20 anos na profissão e já trabalhou na área em outras instituições. Para ela, o acolhimento oferecido no Hospital do Idoso é um dos diferenciais da assistência.
“O trabalho de acolhimento às famílias que é realizado aqui não tem igual. É um cuidado que faz toda a diferença para quem está vivendo esse momento”, afirma Cíntia.
A produção do mural mobilizou voluntários e empresas parceiras da Associação Nariz Solidário. A intervenção contou com o apoio do Instituto Unimed Curitiba e da Oglee Tintas.







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