Você sabia? O Palacete Ordine já foi residência, prefeitura e hoje é o Museu Atílio Rocco
- 5 de dez. de 2025
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05/12/2025

Construído entre 1912 e 1915, o Palacete Ordine é um dos exemplares mais representativos da arquitetura eclética presentes em São José dos Pinhais. Erguido inicialmente como residência da família de Luiz Victorino Ordine, o imóvel reflete a ascensão de uma nova burguesia pós-Império, que buscava traduzir em suas moradias o status social e a modernidade da época. O uso de alvenaria de tijolos, platibanda decorativa e cobertura em quatro águas, com telhas francesas, revela influências europeias combinadas a técnicas construtivas brasileiras do início do século XX.
O prédio se destaca pela composição volumétrica e pelos elementos ornamentais que caracterizam o Ecletismo, como portas e janelas em madeira, vãos externos em arco abatido, escadarias em alvenaria com balaústres moldados e pisos de tijoleira, ladrilho hidráulico, petit-pavê e paralelepípedo no entorno. O porão alto e a dupla escadaria frontal reforçam sua imponência, enquanto o acabamento cuidadoso das fachadas demonstra o rigor estético adotado na época. Originalmente pintado em tonalidades claras, o palacete passou por diversas mudanças cromáticas ao longo das décadas, chegando à atual combinação de branco e bordô.
Em 1921, a propriedade foi adquirida pela Prefeitura de São José dos Pinhais, que passou a utilizar o prédio como sede dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de abrigar a Associação Comercial e Industrial, Agrícola e Prestadora de Serviços.
“Dessa forma, o palacete deixou de ser apenas uma residência elitizada e tornou-se um centro administrativo fundamental para o desenvolvimento urbano e político do município. Essa função pública se manteve até 1980, quando o imóvel foi desocupado para fins de preservação”, explica a historiadora do Museu Municipal Atílio Rocco, Damiana Pereira.
Reconhecido por seu valor histórico e arquitetônico, o Palacete Ordine foi tombado em 1980 pelo Decreto Municipal nº 208, tornando-se o segundo bem tombado do município. A partir de 1981, passou a abrigar o Museu Municipal, posteriormente nomeado Museu Municipal Atílio Rocco, instituição criada em 1977 e dedicada à preservação da memória são-joseense.
“A adaptação do espaço exigiu intervenções estruturais e de restauro, incluindo a substituição da cobertura, reforço dos forros, adequações internas e reorganização dos ambientes para uso museológico”, acrescenta Damiana.
Em 2007, o conjunto passou por uma ampliação com a construção de um prédio anexo e de uma passarela que liga os dois edifícios. O novo espaço passou a receber exposições e a antiga “Cinemateca”, além de dar suporte às atividades de conservação do acervo. Em 2013, a reserva técnica do museu foi transferida para o térreo do anexo, solução que garantiu melhores condições de preservação para as mais de sete mil peças catalogadas, entre objetos religiosos, documentos, fotografias, roupas, mobiliário e obras de arte.
Hoje, com 878 m² de área construída, sendo 417 m² destinados a exposições, o Palacete Ordine permanece como um dos mais significativos símbolos culturais de São José dos Pinhais.
“Mais do que um exemplar arquitetônico preservado, o prédio cumpre a função de conectar passado e presente, permitindo que moradores e visitantes compreendam a formação histórica do município através de seus espaços, de seu acervo e da memória material e imaterial que abriga. Com mais de um século de existência, o palacete segue como referência do patrimônio local e marco essencial da identidade são-joseense”, afirma a historiadora.
Foto: Divulgação / Prefeitura de São José dos Pinhais







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