Toxoplasmose: Pesquisa da UEM analisa novos tratamentos

04/05/2021


Pesquisa da Universidade Estadual de Maringá apura quatro tipos desse parasita



A Universidade Estadual de Maringá (UEM) está desenvolvendo um estudo inédito sobre novos tratamentos para a toxoplasmose, popularmente conhecida como doença do gato.


Não contagiosa, a infecção é adquirida pela ingestão de água ou alimentos contaminados pelo protozoário Toxoplasma gondii.


A pesquisa investiga quatro tipos desse parasita, a fim de comparar as cepas isoladas encontradas no Brasil com as linhagens de outros países. Na primeira fase foi investigada a cepa ME-49.


Normalmente os pacientes não apresentam sintomas ou desenvolvem manifestações leves, semelhantes aos de uma gripe, porém a patologia pode causar dores musculares e alterações nas glândulas do sistema linfático.


Pessoas com baixa imunidade podem apresentar sintomas mais graves, incluindo febre, dor de cabeça, confusão mental, falta de coordenação motora e até convulsões.


O projeto faz parte da pesquisa empreendida pela estudante de doutorado Fernanda Ferreira Evangelista, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde da UEM.


Com orientação da professora Ana Lúcia Falavigna Guilherme, o estudo é realizado na área de doenças infecciosas e parasitárias, na linha de pesquisa de zoonoses e outras parasitoses de interesse médico.


A pesquisadora explica que, nessa etapa, o estudo analisou os efeitos do medicamento Rosuvastatina no comprometimento da memória e da ansiedade decorrente da infecção causada pela cepa ME-49.


Os procedimentos experimentais foram desenvolvidos em camundongos cronicamente infectados com o protozoário Toxoplasma gondii, seguindo todas as diretrizes e recomendações do Comitê de Ética na Utilização de Animais da UEM.


“A infecção aumenta comportamentos que se assemelham à ansiedade e prejudica a memória de curto e longo prazo, porém o tratamento com a Rosuvastatina reverteu esses dois efeitos”, afirma Fernanda, destacando que o medicamento atenuou os sinais de inflamação cerebral, tais como proliferação microglial, que é uma reação comum a danos no sistema nervoso central, além de infiltração de células inflamatórias e danos aos tecidos.


Antes dessa fase de testes em animais, foram feitos experimentos in vitro. “Os resultados indicam, pela primeira vez, a eficácia desse fármaco no tratamento da toxoplasmose crônica. Ademais, o comprometimento da memória e o efeito ansiogênico causados pela infecção podem ser mediados pela redução da carga do cisto, o que diminui a inflamação e os danos cerebrais”, sinaliza a pesquisadora, que também é enfermeira e mestre em Ciências da Saúde.


Sobre a causa desses cistos, estudos relatam que estão associados à esquizofrenia, dificuldade de aprendizado e memória prejudicada. Em crianças, principalmente recém-nascidos, pode causar microcefalia, cegueira e surdez.


A professora Ana Lúcia, que também coordena o Grupo de Pesquisa em Toxoplasmose da UEM, ressalta a importância desse estudo, considerando que ainda não há cura para a doença.


“Apesar de não haver tratamento para a toxoplasmose crônica, há medicamentos já comercializados no mercado com efeitos na fase aguda da enfermidade. Do ponto de vista do tratamento experimental, a pesquisa alcançou resultados promissores na fase crônica, com efeito na carga parasitária no interior de cistos cerebrais”, afirma.


Recentemente, Fernanda publicou artigo sobre a etapa atual da pesquisa na revista científica Plos One, periódico da Public Library of Science, classificado com conceito A1 de excelência internacional, segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

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