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São José dos Pinhais fortalece educação bilíngue para surdos com escola especializada

há 1 hora
3 min de leitura

23/09/2026


São José dos Pinhais conta com uma escola dedicada à educação bilíngue de estudantes surdos, modelo que utiliza a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua (L1) para instrução e comunicação e o Português, na modalidade escrita, como segunda língua (L2). O trabalho é desenvolvido na Escola Municipal Bilíngue para Surdos Professora Ilza de Souza Santos e ganha destaque nesta terça-feira (23), Dia Internacional das Línguas de Sinais.


A educação bilíngue de surdos é reconhecida pela legislação brasileira e passou a integrar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) por meio da Lei Federal nº 14.191/2021. O modelo considera as especificidades linguísticas dos estudantes surdos e garante que o processo de ensino e aprendizagem tenha a língua de sinais como base.


Desde julho deste ano, a Escola Municipal Bilíngue para Surdos Professora Ilza de Souza Santos está localizada na Rua Joaquim Nabuco, nº 1.360, no bairro Cidade Jardim. A unidade atende estudantes da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental e utiliza a Libras como primeira língua no processo educacional, enquanto o Português é trabalhado na modalidade escrita como segunda língua. O trabalho é desenvolvido por profissionais com formação específica e proficiência em Libras, incluindo professores surdos, fortalecendo a presença da língua de sinais no cotidiano escolar.

A diretora da unidade, Mariana Ravedutti Lucio Machado, explica que a Libras possui estrutura linguística própria e, por isso, seu papel no processo educacional vai muito além de possibilitar a comunicação.

“A Libras é uma língua, e não apenas uma forma de comunicação. Ela possui gramática, semântica e todas as características linguísticas de uma língua. Por isso, dentro de uma escola bilíngue, é muito importante que a Libras seja utilizada como primeira língua, tanto para a comunicação quanto para a construção do conhecimento, enquanto o Português escrito é trabalhado como segunda língua”, explica.

A valorização da língua de sinais também está relacionada à trajetória de conquistas da comunidade surda. No Brasil, a Libras foi reconhecida oficialmente pela Lei Federal nº 10.436/2002, que a define como meio legal de comunicação e expressão e reconhece seu sistema linguístico próprio.


Mariana destaca ainda que a formação dos profissionais é parte fundamental do trabalho desenvolvido na unidade. Segundo ela, todos os professores da escola possuem proficiência em Libras para atuar com os estudantes, e a presença de profissionais surdos também contribui para fortalecer a vivência da língua no ambiente escolar.

“Todos os nossos professores têm proficiência e fluência em Libras, e também temos professores surdos na unidade. Essa formação específica é essencial para que o trabalho pedagógico respeite a língua dos estudantes e para que eles tenham acesso ao conhecimento de maneira adequada às suas necessidades linguísticas”, afirma.

Além do atendimento aos estudantes, a unidade também contribui para ampliar o acesso da população à Libras. Com apoio da Secretaria Municipal de Educação (Semed), a escola promove cursos gratuitos de Libras para a comunidade, organizados nos níveis básico 1, 2 e 3. A formação também é disponibilizada aos servidores municipais interessados em aprender a língua, ampliando as possibilidades de comunicação em diferentes espaços de atendimento e convivência.


As turmas são abertas duas vezes ao ano, com inscrições no início do ano letivo para o primeiro semestre e uma nova oportunidade em agosto para as aulas do segundo semestre.


Setembro reúne datas de valorização da comunidade surda

A data de 23 de setembro integra um período de mobilização e valorização da comunidade surda. Conhecido como Setembro Azul, o mês reúne diferentes datas relacionadas à história, à identidade, à língua e às conquistas das pessoas surdas.


No dia 26 de setembro, será celebrado o Dia Nacional dos Surdos. A data foi instituída no Brasil pela Lei nº 11.796/2008 e faz referência à fundação, em 1857, do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), no Rio de Janeiro, primeira instituição brasileira voltada à educação de pessoas surdas. O calendário também inclui o dia 30 de setembro, dedicado aos tradutores e intérpretes de línguas de sinais.


Além das datas comemorativas, o período reforça a importância da preservação das línguas de sinais, da identidade surda e do acesso à educação e aos serviços em língua de sinais.

 

Foto: Prefeitura de São José dos Pinhais


 
 
 

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