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Semana Fashion Revolution mobiliza UniSenai PR e reforça caminhos para uma moda mais justa e sustentável

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

24/04/2026


A Semana Fashion Revolution – Moda UniSenai transformou o campus de Curitiba em um espaço de troca, reflexão e prática sobre o futuro da indústria da moda. Realizado ao longo desta semana, entre os dias 22, 23 e 24 de abril, o evento integrou a mobilização global do movimento, que promoveu ações em todo o país voltadas à justiça social e climática.

Inspirada pelo tema “Fortalecer ecossistemas da moda”, a programação reuniu estudantes, docentes, profissionais e o público em geral para discutir e vivenciar soluções mais sustentáveis para o setor. A proposta foi estimular conexões e promover mudanças estruturais na forma como a moda é produzida e consumida.


Um dos destaques foi o showroom “Moda UniSenai – Edição Moda Circular”, que apresentou peças do acervo de professores e alunos em um modelo de consumo mais consciente, com itens a preços acessíveis. A iniciativa evidenciou, na prática, como o reaproveitamento pode gerar valor e reduzir impactos ambientais. “Ver peças sendo ressignificadas e voltando para o ciclo de uso faz a gente repensar o consumo. É uma experiência que vai além da estética, tem propósito”, comentou a visitante Amanda.


A programação prática ganhou força com oficinas e workshops. Na oficina de upcycling de camisetas, conduzida pela designer de moda Virgínia Lane, os participantes foram convidados atransformar peças antigas em novos produtos, explorando criatividade e consciência ambiental. “O upcycling mostra que a gente não precisa criar do zero para inovar. É possível transformar o que já existe e, ao mesmo tempo, reduzir desperdícios”, destacou uma das participantes.


Moda com propósito

Marianne Dias, aluna do curso de Moda do UniSenai PR,contou que conheceu a Semana Fashion Revolution pelas redes sociais da instituição e se interessou pela proposta. “Eu já me encantava pelo upcycling desde o início do curso, mas a oficina ampliou muito minha visão. Percebi que dá para aplicar a técnica em diferentes tipos de peças, desde as mais básicas até produções mais elaboradas”, afirmou. Durante a atividade, ela levou camisetas manchadas que estavam sem uso e conseguiu ressignificá-las. “O resultado foi tão positivo que as peças deixaram de ser usadas só em casa ou na academia e passaram a compor outros looks”, disse. Para ela, criar moda com propósito está diretamente ligado à responsabilidade ambiental. “A indústria ainda gera muito desperdício, então reaproveitar materiais e prolongar o ciclo de vida das peças é essencial.”


A participante Gisele Mello também destacou o impacto da experiência. “Eu fiquei sabendo da oficina por um grupo de WhatsApp do curso. Eu amo costurar e também acho muito importante essa preocupação com o resíduo têxtil. Às vezes a gente tem uma peça que já não usa mais, então achei interessante vir testar e ver o que podia surgir”, relatou. Para ela, moda com propósito é ressignificar. “É dar uma cara nova para algo que poderia ir para o lixo. A gente consegue transformar e diminuir o impacto ambiental.” Durante a atividade, Gisele explorou uma técnica nova. “Eu tirei uma estampa que já não me representava e criei outra composição com sobreposição de tecidos. Ainda quero finalizar, mas já gostei muito do resultado”, contou.


Democratização do acesso ao conhecimento

Responsável pela oficina, Virgínia Lane ressaltou o caráter acessível e transformador da prática. “A proposta foi trabalhar com técnicas que eu já utilizo na minha marca, criando estampas a partir do próprio tecido. É sobre reaproveitar materiais que já existem e elevar o valor das peças, tanto estético quanto monetário”, explicou. Segundo ela, a simplicidade da técnica facilita a replicação. “É uma oficina simples, com materiais acessíveis, mas que gera peças únicas, com a identidade de cada participante.”


A designer também destacou a importância de iniciativas como essa dentro do ambiente educacional. “Quando a faculdade abre esse espaço, especialmente de forma gratuita, ela democratiza o acesso ao conhecimento. Muitas pessoas ainda não conhecem nem o termo upcycling, então esses eventos ajudam a disseminar esse conceito e aproximar mais gente da sustentabilidade”, afirmou. Para ela, a diversidade de participantes também enriquece a experiência. “A troca de vivências torna tudo mais criativo. Cada pessoa traz sua realidade e isso se transforma em novas ideias.”


O professor Jonas Eduardo Rocha reforçou o papel do movimento Fashion Revolution no contexto global. “O movimento surgiu para provocar uma reflexão sobre todo o processo produtivo da moda e a responsabilidade dos profissionais, especialmente porque a indústria têxtil é uma das mais poluentes. São ações que acontecem no mundo todo para fomentar esse debate”, explicou.


Na visão dele, o impacto na formação dos alunos é direto. “Quem está se formando em moda precisa entender que não basta criar produtos esteticamente bons. É fundamental incorporar a sustentabilidade como parte do processo. Esses eventos ampliam essa consciência e mostram a urgência de repensar práticas na indústria.”


O docente também destacou a necessidade de integração entre diferentes setores. “Para construir um sistema de moda mais sustentável, é preciso conexão entre academia, indústria e poder público. Só com essa atuação conjunta conseguimos reduzir, de fato, os impactos da cadeia têxtil e avançar para um modelo mais responsável.”

 

 

Foto: Fiep


 
 
 

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