Secretário de Apostas vê indícios de crime organizado em casos de manipulação
- 3 de out. de 2025
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03/10/2025
Giovanni Rocco coordena grupo com missão de criar política nacional de combate a fraudes

Por três dias, nesta semana, o auditório do Ministério do Esporte, em Brasília, reuniu delegados das polícias Civil e Federal dos 26 estados e do Distrito Federal, além de representantes de empresas de integridade e de entidades esportivas para um encontro de capacitação para o combate à manipulação de resultados no Brasil.
A intenção é entregar conhecimento e criar uma rede de compartilhamento de informações que possa ajudar as autoridades a identificarem e investigarem essas fraudes, “um crime muito complexo”, segundo o Secretário Nacional de Apostas Esportivas do Ministério do Esporte, Giovanni Rocco Neto.
Ele é quem coordena um grupo de trabalho com membros dos ministérios do Esporte, da Fazenda e da Justiça, com auxílio de policiais federais, que terá que criar a política nacional de combate à manipulação.
A falta de conhecimento do mercado e o longo período sem regulamentação, que permitiu o aparecimento de centenas de bets que permanecem na ilegalidade, tornam mais difíceis as investigações desse crime, em que ele diz haver indícios da participação do crime organizado.
Veja abaixo a entrevista com Rocco, feita durante o Encontro Técnico Nacional sobre Combate à Manipulação de Resultados Esportivos na última terça-feira.
Qual a função desse grupo de trabalho que foi constituído e qual a missão dele?
– O grupo de trabalho foi constituído por uma portaria interministerial. O ministro da Fazenda assinou, o ministro da Justiça, e o ministro do Esporte, André Fufuca. O que nos motivou? Criar a política nacional de combate à manipulação de resultados.
– A manipulação de resultados é um crime muito complexo. O mercado de apostas é muito complexo. Quando você pega o enfrentamento das manipulações de resultados, é mais complexo ainda. É preciso ter competências distintas, dentro do próprio governo, para construir essa política.
– O Ministério do Esporte cuida da parte da integridade esportiva, a relação com toda a comunidade esportiva brasileira. O Ministério da Fazenda faz a gestão da parte dos fluxos financeiros das apostas. E o Ministério da Justiça tem o poder de polícia para fazer as ações repressoras.
– O mercado de apostas no Brasil, apesar de a regulação ser recente, já funciona aprovado pelo Congresso Nacional desde dezembro de 2018. A lei dava a diretriz de que o Poder Executivo deveria regulamentar essa atividade econômica no prazo de dois anos, prorrogados por mais dois anos. O governo Bolsonaro não regulamentou.
– O que aconteceu? Foram criadas milhares de casas de apostas no Brasil, sem nenhum controle. Nós tivemos que regulamentar o mercado, que é considerado o segundo maior de apostas do mundo, só perde para o dos Estados Unidos, com o mercado já em operação.







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