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Saúde alerta viajantes com destino a países da Copa do Mundo para vacinação contra o sarampo

  • há 28 minutos
  • 6 min de leitura

15/05/2026


A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba alerta para que os viajantes com destino ao exterior do país confiram com antecedência se possuem o esquema vacinal completo contra o sarampo. A orientação, referendada pelo Ministério da Saúde, é direcionada principalmente aos viajantes com destinos aos países sede da Copa do Mundo, que passam por surto da doença.


Estados Unidos, México e Canadá concentram mais de 70% dos casos de sarampo nas Américas, de acordo com dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto o Brasil é considerado país livre de circulação da doença.

“Estima-se que milhões de pessoas participem da Copa o Mundo, gerando uma intensa mobilidade internacional que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis. Nesse cenário, o sarampo merece atenção especial por ser uma doença viral aguda, altamente contagiosa e potencialmente grave”, alerta o diretor do Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde, o médico Alcides Oliveira.

De acordo com o médico, a transmissão do sarampo ocorre principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias, facilitando a propagação em locais com grande concentração de pessoas.

“É fundamental destacar que o sarampo é uma doença prevenível por vacinação. A vacina está disponível gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações”, destaca a secretária municipal da Saúde de Curitiba, Tatiane Filipak.

Adolescentes e adultos


O chamado para a vacinação é importante especialmente aos viajantes adolescentes e adultos, uma vez que as crianças já têm um índice de cobertura da vacina no município de 93% para a primeira dose e 90% para a segunda dose – no Brasil a cobertura da 1ª dose fechou 93% e da 2ª dose em 78% em 2025.


Antes de 2006, porém, o calendário nacional de vacinação previa apenas uma dose de imunização contra a doença, sem dose de reforço, ao contrário do que é estipulado hoje.


“Quem nasceu antes desta data, portanto, precisa verificar qual é a sua situação vacinal e, dependendo da idade, procurar uma unidade de saúde e atualizar a carteira de vacinação”, aconselha Oliveira.

O médico lembra que “96% dos acometidos por sarampo no surto de 2019/2020 em Curitiba eram de população jovem e adulta, entre 15 e 49 anos”.


Esquema vacinal


O esquema vacinal vigente para a doença prevê duas doses de vacina com o componente sarampo, sendo uma dose da vacina tríplice viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) aos 12 meses de idade, e uma dose da vacina tetra viral aos 15 meses de idade (que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela).


Quem não completou este esquema vacinal quando era criança, precisa atualizar a carteira de vacinação. Crianças, adolescentes e adultos de 15 meses a 29 anos precisam ter tomado durante a vida duas doses da vacina com componente contra o sarampo (veja quais são abaixo). Já adultos, de 30 a 59 anos, precisam ter tomado, ao menos, uma dose da vacina com componente contra o sarampo na vida.


Para pessoas que precisam receber o esquema vacinal completo de duas doses da vacina, o ideal é que a 1ª dose seja realizada, no mínimo, 45 dias antes da viagem, a fim de ter tempo hábil de receber a 2ª dose (30 dias depois da 1ª dose) e ter período adequado para soroconversão (produção de anticorpos que demanda aproximadamente 15 dias). Para pessoas que precisam receber o esquema vacinal com apenas 1 dose da vacina, é indicado realizar, no mínimo, 15 dias antes do embarque.

“Em situações em que a vacina não foi administrada no período ideal, ainda assim é recomendável que o viajante receba pelo menos uma dose antes de viajar, até mesmo no dia do embarque”, alerta Oliveira.

A vacina não é indicada para crianças menores de 6 meses, gestantes, pacientes imunodeprimidos ou com reação alérgica grave (anafilaxia), após dose prévia ou após contato com as substâncias que compõem a vacina. Oliveira lembra que quem tem dúvidas a respeito de sua situação vacinal pode consultar o aplicativo Saúde Já Curitiba, que traz a carteira vacinação virtual dos usuários do SUS Curitibano. “Se a dúvida persistir, procure uma unidade de saúde”, diz.


Dose zero

Para crianças de 9 meses a menores de 1 ano, que forem viajar para países sede da Copa do Mundo, a indicação é a realização de uma dose da vacina, a chamada dose zero. É necessário realizar a dose zero da vacina, no mínimo, 15 dias antes do embarque para ter tempo hábil da soroconversão.


A dose zero oferece uma proteção precoce e temporária. Porém, não substitui as doses previstas no calendário de rotina, que devem ser mantidas aos 12 e 15 meses de idade.


Sarampo nas Américas

O aumento de quase 32 vezes no número de casos de sarampo nas Américas na passagem de 2024 para 2025 fez a Opas emitir um alerta para países da região, em fevereiro. Em 2025, o continente identificou 14.891 registros da doença, um salto em relação aos 466 casos do ano anterior. Foram 29 mortes em 2025.


A grande concentração de casos está na América do Norte. Em 2025, México (6.428), Canadá (5.436) e Estados Unidos (2.242) somaram quase 95% dos casos (14.106).


Em 2026, com dados referentes às 16 primeiras semanas epidemiológicas, ou seja, de 1 de janeiro até 25 de abril, o surto no México somou 10.049 casos, além de 1.811 nos Estados Unidos e 944 no Canadá. As três nações representam 12.804 registros, o equivalente a 71% das notificações no continente americano.


alerta de fevereiro da Opas havia detalhado, ainda, que a grande maioria dos casos acontece com pessoas sem histórico de vacinação contra a doença. Nos Estados Unidos, 93% das pessoas que contraíram a doença não estavam vacinadas ou apresentavam histórico vacinal desconhecido no período analisado. No México, eram 91,2%; já no Canadá, 89% dos casos.


Brasil

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2018 e 2022, foram registrados mais de 39 mil casos de sarampo no país, com maior concentração em 2019. A partir de 2021, houve queda acentuada, chegando a 41 casos em 2022.


Em 2023, não houve casos confirmados. Em 2024, foram confirmados cinco casos, sendo a maioria importada ou relacionada a viagens internacionais. Em novembro de 2024, o Brasil recebeu novamente da Opas a recertificação da eliminação da circulação endêmica do sarampo e mantém o status de país livre da doença até os dias atuais.

Em 2025, foram confirmados 38 casos no Brasil, distribuídos em diferentes estados. Parte dos casos esteve associada a viagens internacionais. Um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal.


Em 2026, até a semana epidemiológica 14 (11/4), foram confirmados dois casos sendo um no estado de São Paulo, associado a viagem internacional e ausência de vacinação, e um no Rio de Janeiro, com fonte de infecção desconhecida e ausência de registro de vacinação.

“Casos isolados ou importados não tiram a certificação do país, mas indicam que o vírus está buscando brecha, bolsões não vacinados, baixa cobertura, para retornar. O cenário epidemiológico atual reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto”, explica a médica infectologista da Secretaria Municipal da Saúde, Marion Burger.

O Paraná não registra casos autóctones desde julho de 2020 e Curitiba não registra casos autóctones desde março de 2020.


Sintomas


A transmissão do sarampo ocorre de forma direta e rápida, por meio de secreções expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar. As partículas virais ficam suspensas no ar. Por isso, o elevado poder de contágio da doença.

Os primeiros sintomas do sarampo são febre alta, tosse, coriza e conjuntivite, seguidos de exantema – que são as manchas avermelhadas pelo corpo. A orientação, nestes casos, é procurar o serviço de saúde.


Onde se vacinar

Para verificar os pontos de vacinação, endereços e horário de funcionamento, consulte o site Imuniza Já Curitiba.


A SMS orienta que os usuários verifiquem a sua situação vacinal no app Saúde Já ou mesmo em carteirinhas antigas de papel. Quem não tem ou não sabe se tem o esquema vacinal completo contra o sarampo deve procurar uma unidade de saúde ou a Central Saúde Já Curitiba. O usuário também pode solicitar que a Central realize o chamado resgate digital, o que significa incluir no App Saúde Já doses antigas registradas em carteiras de papel.


A Central Saúde Já atende pelo telefone 3350-9000, de segunda a sexta, das 7h às 22h; e nos sábados e domingos, das 8h às 20h.


Como checar se vacina contra o sarampo está registrada na carteira de vacinação

As vacinas que protegem contra o sarampo são:

  • Vacina dupla viral (também chamada de SR)

  • Vacina tríplice viral (também chamada de VTV ou SCR ou MMR)

  • Vacina tetra viral (também chamada de SCRV)

*Qualquer uma dessas definições pode estar na carteira de vacinas. Todas significam que a pessoa foi imunizada contra o sarampo.

Esquema vacinal vigente 

  • 15 meses a 29 anos – duas doses de vacina na vida, após um ano de idade

  • 30 a 59 anos – uma dose de vacina na vida, após um ano de idade 

  • Profissionais de saúde – duas doses de vacina na vida, após um ano de idade 

  • Dose zero – dose extra para bebês de 9 meses a menores de 1 ano, que forem viajar para países sede da Copa

Série histórica de casos de sarampo em Curitiba 

  • 2015 – 0 

  • 2016 – 0 

  • 2017 – 0 

  • 2018 – 0 

  • 2019 – 1.265

  • 2020 – 304 

  • 2021 – 0

  • 2022 – 0 

  • 2023 – 0 

  • 2024 – 0 

  • 2025 – 0

  • 2026 – 0

 

 

 

Foto: Pedro Ribas/SECOM


 
 
 

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