Sanepar usa drone e barco autônomo para garantir eficiência no Miringuava
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16/04/2026

A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) está aplicando métodos inovadores e tecnologia de ponta no processo para o enchimento e operação do novo Reservatório do Miringuava, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O monitoramento do acumulo de água ocorre 24 horas por dia e tem como guia os modelos digitais produzidos antes do fechamento da comporta, em janeiro. O enchimento completo da represa depende do regime de chuvas na bacia do Rio Miringuava.
A equipe técnica da Companhia aproveitou a etapa final da supressão vegetal na área que está sendo alagada para tirar milhares de fotos. Foi utilizado um drone voando a 120 metros de altura e antenas GNSS (Global Navigation Satellite System) de alta precisão – GPS avançado – para georreferenciar as imagens. Com ajuda de softwares de geoprocessamento de alta performance, foi possível criar modelos 3D do fundo do futuro reservatório.
Segundo o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, essas ações visam dar suporte técnico rigoroso para a tomada de decisões durante o enchimento do lago e a futura operação, garantindo a eficiência do sistema de abastecimento. “A Sanepar não está apenas construindo uma obra de concreto, mas criando uma base de dados digital e científica para operar o Miringuava com a máxima eficiência nas próximas décadas”, explica Bley.
Diferente dos mapas cartográficos antigos, que possuíam curvas de nível a cada 5 metros, o novo levantamento gerou um modelo digital do terreno com resolução espacial de 20 centímetros, explicou o engenheiro da Sanepar Mauricio Bergamini Scheer, da Gerência de Pesquisa e Inovação. “Isso significa que a Sanepar consegue ver detalhes do terreno do tamanho de um palmo, permitindo simular digitalmente como a água vai ocupar cada pedacinho do vale”, detalha.
MEDIÇÃO – Paralelamente ao mapeamento, a Sanepar investiu na consolidação de uma rede de estações hidrometeorológicas de pesquisa. Desde 2020, sensores instalados registram o nível dos rios continuamente, somando mais de 150 mil registros cada.
Para medir a vazão que está alimentando o reservatório, a equipe utilizou diversos equipamentos de alta tecnologia, como um pequeno barco autônomo. Ele é equipado com sensores acústicos que leem a velocidade e a profundidade da água em diferentes cenários, desde estiagens severas até cheias.
O diretor de Inovação e Novos Negócios da Sanepar, Anatalicio Risden Junior, explica que com essas informações, a companhia pode traçar os planos de trabalho para a gestão da represa. “Os dados mostraram, por exemplo, que em 2021 a bacia do rio produziu cerca de 30% menos água do que nos anos seguintes. Isso ajuda a Sanepar prever como a barragem vai se comportar em tempos de seca severa”, explica.
Fórmulas matemáticas criadas a partir dos dados do barco com sensores acústicos estão permitindo que se saiba exatamente quanta água entra e sai da barragem. Com a simulação digital do enchimento e a visualização de detalhes do terreno que ficarão submersos, a empresa terá maior facilidade para futuras inspeções e a gestão do manancial.
FAUNA e FLORA – Para proteger a biodiversidade da região e compensar a área utilizada pela barragem, a Sanepar planejou a criação de um corredor de biodiversidade em 700 hectares (ha), uma área 62,6% superior a que está sendo utilizada para reservação de água (430,6 ha).
Equipes especializadas fizeram o resgate e o remanejamento de animais terrestres e aquáticos para áreas seguras de preservação, trabalho que segue durante todas as fases de enchimento do reservatório.
Também foi feito o inventário e o manejo da vegetação, com resgate e realocação de espécies raras ou ameaçadas, coleta de sementes e produção de mudas para o reflorestamento.
Foto: André Thiago/Sanepar






