Resumo da Semana – Situação fiscal preocupa mercados

22/10/2021


Por Cristian Rafael Pelliza (*)



A semana nos mercados brasileiros foi marcada pela apreensão com a situação fiscal do país. Com a demora na resolução sobre o pagamento dos precatórios do ano que vem e sem uma definição sobre a reforma que alteraria as regras do imposto de renda, a margem fiscal para a criação do novo Bolsa Família, o Auxílio Brasil, acabou se estreitando. A proposta governamental fixaria o valor a ser pago às pessoas elegíveis para o programa em 400 reais. O problema, na percepção geral, é que parte desse pagamento seria pago via créditos extraordinários, o que, na prática, significaria o rompimento do teto dos gastos. Ao longo da semana o que se viu foi que a resistência do Ministério da Economia foi cedendo às pressões políticas e, efetivamente, o teto dos gastos deve ser rompido ao longo do ano que vem.


Com esse cenário, a percepção sobre risco Brasil se elevou, impulsionando os juros e a dólar ao mesmo tempo em que a bolsa brasileira despencava. Ao longo dos próximos dias teremos o desdobramento desse cenário, com a formalização ou não da proposta. Em relação aos cenários globais, o Brasil acabou sofrendo um descolamento, já que boa parte das bolsas mundiais passaram por uma melhora após um mês de setembro bastante conturbado.


Nos Estados Unidos o mercado vê como consolidada a retirada dos estímulos monetários após a próxima reunião realizada pelo Banco Central em novembro. A sinalização vem na medida em que a inflação se mantém relativamente elevada e o mercado de trabalho, embora com alguma resistência, mostrou progresso nas últimas semanas. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego vieram em 290 mil na semana, abaixo da expectativa de mercado.


Na Zona do Euro o impacto da crise energética se fez ver na elevação dos preços ao consumidor, onde serviços e energia foram os principais responsáveis pela alta de preços e nos preços ao produtor na Alemanha. No Reino Unido, embora o índice de preços ao consumidor tenha vindo um pouco abaixo das expectativas, o presidente Bailey do Banco Central externalizou preocupações com o processo inflacionário e uma possível elevação dos juros em breve. No mercado chinês a semana iniciou com o PIB do terceiro trimestre vindo abaixo do esperado, em 0,2%. O resultado trouxe apreensão aos mercados.


Para a semana que vêm teremos a decisão da taxa Selic e o IPCA-15 no Brasil. Nos Estados Unidos, França, Alemanha e Itália a publicação do PIB do terceiro trimestre. Além disso, o Banco Central Europeu fará a decisão da taxa de juros, onde não se espera nenhuma alteração.


(*) Cristian Rafael Pelizza é mestre e doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduado em Economia pela Unochapecó e atualmente é economista e Head das áreas de Renda Fixa e Fundos de Investimento na Nippur Finance. Ele é professor de economia, com ênfase em Econometria, Microeconomia e Mercado Financeiro na Unochapecó.


Saiba mais acesse: [https://www.nippur.com.br/].


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