Resumo da Semana – Compasso de espera

19/11/2021


Por Cristian Rafael Pelliza (*)



A semana que se iniciou no dia 15/11 não trouxe grandes novidades em termos de indicadores econômicos no Brasil. Destaca-se ainda a discussão da PEC dos Precatórios, que segue sendo apreciada no Senado, associada aos ruídos fiscais de um possível rompimento no teto dos gastos públicos. Segundo Adolfo Sachsida, Secretário de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia, o avanço da PEC dos Precatórios mudaria o foco do mercado para os aspectos positivos da economia brasileira, como a melhora na arrecadação tributária e a redução da dívida bruta sobre o PIB nesse ano. Ainda nesse contexto, a SPE divulgou novas projeções para a economia brasileira em 2022, com o PIB crescendo 2,1%, bem acima das projeções do mercado, mostradas, por exemplo, no Boletim Focus do Banco Central, que projetam nosso crescimento no ano que vem abaixo de 1%. Ainda nos indicadores nacionais, o Índice de Atividade Econômica IBC-Br, que serve como termômetro do nosso PIB, registrou um recuo de 0,14% no terceiro trimestre, queda associada em particular aos efeitos dos choques sobre energia e combustíveis que alimentaram fortemente a inflação no período e às incertezas geradas no campo fiscal.

No cenário internacional, os Estados Unidos registraram 268 mil pedidos iniciais de seguro-desemprego, mantendo os patamares das semanas anteriores e apontando para uma melhora consistente no mercado de trabalho. Lembrando, que em boa parte do período pós pandemia, esse indicador manteve-se acima dos 400 mil pedidos iniciais semanais. Ao mesmo tempo, as vendas no varejo em outubro aceleraram 1,7% acima das expectativas de mercado, inclusive com as vendas de automóveis aumentando após seis meses de números negativos. Os dados do varejo já mostram uma possível antecipação nas compras de final de ano, com uma perspectiva positiva para o varejo no último trimestre.

Na Zona do Euro seguem algumas preocupações em relação à inflação, confirmada para o mês de outubro em 4,1% na base anual, mais que o dobro da meta estabelecida de 2%. A revisão do crescimento do PIB no terceiro trimestre manteve-se num anualizado de 2,2% em linha com os dados previamente divulgados.

No mercado asiático dados tivemos dados contrastantes. Por um lado, a atividade industrial chinesa acelerou em 3,5% em outubro, mais que o esperado pelo mercado, bem como o varejo, que se elevou em 4,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Os resultados devem-se em partes à reabertura da economia após a onda de covid dos últimos meses e a menores restrições na oferta de combustíveis, em particular o carvão. No entanto, o setor imobiliário ainda mostra desaceleração, com queda nas novas construções. No Japão, o PIB do terceiro trimestre apontou queda de -0,8%, com gargalos na produção e surtos pontuais de covid.

Na semana que vem, teremos a publicação dos dados de emprego do Caged e a prévia da inflação brasileira em novembro (IPCA-15). No mundo, às atenções ficarão sobre a revisão do PIB americano e alemão no terceiro trimestre e indicadores de atividade.


(*) Cristian Rafael Pelizza é mestre e doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduado em Economia pela Unochapecó e atualmente é economista e Head das áreas de Renda Fixa e Fundos de Investimento na Nippur Finance. Ele é professor de economia, com ênfase em Econometria, Microeconomia e Mercado Financeiro na Unochapecó.


Saiba mais acesse: [https://www.nippur.com.br/].


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