Resumo da Semana – Breve calmaria em meio ao cenário incerto

09/10/2021


Por Cristian Rafael Pelliza (*)



Os mercados em setembro foram marcados por uma série de eventos negativos. No Brasil, crise hídrica, inflação e ruídos políticos e fiscais. No restante do mundo, problemas de crédito de grandes empresas na China, crise energética afetando China e Europa e possibilidade de retirada de estímulos nos Estados Unidos. Em meio a um cenário conturbado tivemos uma primeira semana de outubro mais tranquila.


Do ponto de vista de indicadores internos, tivemos uma queda já esperada em agosto no varejo e na indústria, repercutindo em particular os efeitos do aumento de custos energéticos, decorrentes da crise hídrica e uma certa desconfiança geral sobre a recuperação brasileira. O indicador mais relevante da semana, sem dúvidas foi a nossa taxa de inflação de setembro, medida pelo IPCA, que atingiu 1,16%. Embora elevada, foi levemente abaixo do esperado pelo mercado de 1,25%. Assim, não se percebeu ruídos adicionais que poderiam ocorrer caso a inflação viesse acima do previsto. A crise hídrica e o aumento nos preços dos combustíveis dado o aumento no preço do petróleo tem sido os grandes vilões da inflação brasileira.


Ainda sobre a questão energética, a China enfrentou desaceleração na indústria causado pelo encarecimento e dificuldade no suprimento de carvão em algumas regiões. A Europa, por sua vez, teve problemas com o abastecimento de gás natural nas últimas semanas, o que também penalizou a indústria, em particular na Alemanha. A pressão sobre as fontes energéticas repercutiu ainda num aumento no preço do petróleo no cenário global, denotando um efeito de transbordamento de problemas locais de grandes mercados em algo mais amplo. Na última semana, a China passou por um feriado prolongado e a reabertura do mercado local na sexta-feira trouxe perspectivas positivas com a reabertura de algumas regiões antes afetadas pela variante delta.


Nos Estados Unidos, a principal notícia da semana veio na sexta-feira, com a abertura de novas vagas de emprego em setembro, o payroll. O dado veio bem abaixo do esperado, 194 mil vagas contra um projetado de 500 mil vagas. Embora negativo em termos de atividade real, o indicador tirou um pouco da pressão que o Banco Central americano (FED) enfrenta sobre a retirada de estímulos monetários (tapering). O mercado esperava que um dado forte no emprego reforçaria que os piores efeitos da pandemia já estariam amenizados e com isso o tapering poderia começar em novembro. Isso vinha carregando um fortalecimento do dólar no mundo e traz uma dose de alívio, pelo menos até a próxima reunião do FED.


A semana que vem traz alguns indicadores importantes de inflação em algumas das principais economias do mundo, em particular nos Estados Unidos, China e alguns países da Zona do Euro, como Itália e França. Para o Brasil, o Índice de confiança do consumidor publicado pela Reuters/Ipsos e os dados do crescimento do setor de serviços ainda de agosto.


(*) Cristian Rafael Pelizza é mestre e doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduado em Economia pela Unochapecó e atualmente é economista e Head das áreas de Renda Fixa e Fundos de Investimento na Nippur Finance. Ele é professor de economia, com ênfase em Econometria, Microeconomia e Mercado Financeiro na Unochapecó. Saiba mais acesse: [https://www.nippur.com.br/].



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