Resumo da Semana – Ajustes monetários no mundo

20/12/2021


Por Cristian Rafael Pelliza (*)



O noticiário econômico da semana no Brasil foi relativamente brando, com o enfoque essencialmente na aprovação da PEC dos Precatórios, que trouxe o tão esperado alívio fiscal para o ano que vem e consigo uma melhoria na performance dos mercados financeiros, com fechamento na curva de juros e alta na bolsa. O cenário internacional, no entanto, mostrou-se muito mais agitado, com algumas das principais economias do mundo decidindo o caminho das políticas monetárias.


Destaca-se em primeiro lugar o avanço do tapering nos Estados Unidos. O banco central americano (FED) vinha injetando 120 bilhões de dólares por mês na economia via compra de títulos, e inicialmente planejava uma redução gradual de 15 bilhões ao mês, estendendo o processo em 8 meses até o fim dos estímulos. Porém, o avanço da inflação, que atingiu o maior patamar em 40 aos, associado à melhora nas condições do mercado de trabalho gerou uma urgência no processo de redução do impulso monetário. No novo plano, a redução inicial será de 30 bilhões, com o valor dobrando a cada mês e a previsão do fim das injeções monetárias até março. Além disso, o FED projetou três aumentos de 0,25% nos juros em 2022 e mais três em 2023. O processo tende a fortalecer o dólar frente às outras moedas, embora tenha tido um impacto inicial suave, dada a decisão em linha com as expectativas do mercado.


Na Zona do Euro, a inflação também atingiu níveis historicamente elevados e o banco central europeu optou por um ajuste gradativo nos estímulos monetários, mais suave até que a opção americana. Pesa sobre a região ainda um receio com possíveis avanços da variante ômicron da covid, bem como de uma penalização sobre os níveis de atividade econômicos, que sofreram muito ao longo de 2020.


O Reino Unido, por sua vez, foi a primeira grande economia a elevar suas taxas de juros no pós pandemia. Um amento de 0,1% para 0,25% sinaliza um compromisso de redução inflacionária, que passou dos 5% no acumulado de 12 meses, acima das previsões iniciais do banco central do país. O processo de ajuste monetários torna-se uma tendência mundial, na medida que as taxas de inflação elevadas se repetem mês a mês.


Para a semana que vem, o destaque no noticiário econômico brasileiro é a publicação do IPCA-15, nossa previa da inflação para dezembro. O mundo ainda deve repercutir as decisões de política monetária, em particular nos Estados Unidos.


(*) Cristian Rafael Pelizza é mestre e doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduado em Economia pela Unochapecó e atualmente é economista e Head das áreas de Renda Fixa e Fundos de Investimento na Nippur Finance. Ele é professor de economia, com ênfase em Econometria, Microeconomia e Mercado Financeiro na Unochapecó.


Saiba mais acesse: [https://www.nippur.com.br/].


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