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Putin chega a Pequim para encontro com Xi Jinping

  • há 46 minutos
  • 3 min de leitura

19/05/2026


Encontros evidenciam posição influente da China num cenário geopolítico cada vez mais fragmentado


Reprodução
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Depois de Donald Trump, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, chegou a Pequim, na China, nesta terça-feira (19) para uma visita em que tentará fortalecer a parceria com seu mais poderoso aliado.

 

Putin se encontrará com o presidente chinês, Xi Jinping, ainda nesta terça, e os os dois participarão na quarta-feira (20) de celebrações pelo 25º aniversário do Tratado Sino-Russo de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável.

 

Mas o momento da viagem — poucos dias após a visita oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a Pequim — chama a atenção e destaca a posição influente da China num cenário geopolítico cada vez mais fragmentado e marcado por rivalidades entre as grandes potências.

 

Em meio ao isolamento da Rússia pelo Ocidente devido à guerra da Ucrânia, a China se tornou, de longe, o maior parceiro comercial da Rússia, sendo responsável por mais de um terço de suas importações e comprando mais de um quarto das exportações russas.

 

Mas há relatos de que a parceria também tem dimensões militares. Uma investigação da agência de notícias Reuters de julho de 2025 revelou que companhias chinesas teriam usado empresas de fachada para enviar motores de drones para fabricantes de armas da Rússia disfarçados de equipamentos de refrigeração industrial. Pequim negou.

 

Na pauta do encontro devem estar questões econômicas e comerciais bilaterais e discussões de pautas internacionais e regionais, segundo a imprensa estatal dos dois países.

 

O analista Claus Soong, do Instituto Mercator para Estudos da China (Merics) na Alemanha, afirma que o atual cenário geopolítico colocou Pequim numa posição vantajosa.

 

Segundo ele, tanto os EUA quanto a Rússia precisam da China, embora de maneiras opostas: Washington busca um rival estratégico, enquanto Moscou quer um parceiro com os mesmos interesses geopolíticos e energéticos.

 

Na semana passada, Trump foi recebido calorosamente por Xi e deixou Pequim num tom otimista. A visita de Putin pode ter como objetivo, em parte, buscar garantias de que eventuais avanços nas relações China-EUA não ocorram às custas de Moscou.

 

Para Putin, a prioridade imediata é reafirmar seus laços estreitos com Xi e sondar o atual posicionamento de Pequim. Uma questão mais voltada para o futuro, sugere Soong, é quem poderia atuar como mediador confiável caso a Rússia quisesse terminar a guerra na Ucrânia.

 

Sinais recentes — incluindo o desfile do Dia da Vitória mais discreto e a continuidade dos ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera russa — sugerem que o Kremlin pode estar começando a cansar da guerra. Putin até mesmo chegou a sugerir que o conflito poderia estar se aproximando do fim.

 

Uma reportagem do jornal "Financial Times" afirma que Xi Jinping disse a Trump que o líder russo pode se arrepender da invasão à Ucrânia.

 

Para Pequim, o relacionamento com Moscou continua sendo uma prioridade estratégica, observa Soong, embora a relação seja assimétrica, com a Rússia agora dependendo mais da China do que o contrário.

 

Diante da pressão cada vez maior na Ucrânia, Putin continua dependendo da China de diversas maneiras, observa o analista Ding Shufan, professor de Estudos da Ásia Oriental na Universidade Nacional Chengchi de Taiwan: das importações contínuas de energia russa pela China, a bens de dupla utilização — civil ou militar —, passando por cadeias de suprimentos.

 

 

Contudo, é incerto se Pequim irá ajustar seu nível de apoio como quem "controla a água saindo da torneira", explica Soong.


 
 
 

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