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Polícia Federal conclui que tripulação da Voepass sabia de falha no sistema de degelo

  • 6 de ago.
  • 2 min de leitura

06/08/2026


O acidente vai completar dois anos no próximo domingo


Divulgação
Divulgação

O laudo da Polícia Federal sobre a queda do avião da Voepass concluiu que a tripulação sabia dos problemas do sistema de degelo da aeronave e ainda assim decolou para fazer uma rota em que havia previsão oficial de formação de gelo. O acidente vai completar dois anos no próximo domingo (09). O avião caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, e 62 pessoas morreram.

 

O laudo da Polícia Federal concluiu que a tragédia foi o resultado da combinação entre falhas recorrentes no sistema de degelo da aeronave; a operação em uma área de formação severa de gelo; falhas na execução dos procedimentos previstos pelo fabricante; e sucessivas barreiras de segurança que deixaram de funcionar.

 

O documento reconstruiu os voos anteriores da aeronave. Nas conversas entre piloto e copiloto, aparece uma preocupação com a operação do avião.

 

No voo que antecedeu o que caiu, o piloto até comemora o fato de terem chegado vivos no destino. Em seguida, eles embarcaram para a viagem que terminou com 62 mortos.

 

Segundo o relatório, as falhas no sistema de degelo do avião já começaram a aparecer na subida. Ao analisar os computadores de bordo, os peritos descobriram que a mesma mensagem com essa falha foi registrada no voo do acidente em outros três voos anteriores.

 

Em todos eles, as tribulações repetiram diversas vezes o mesmo procedimento. Desligavam e ligavam o sistema de degelo, numa tentativa de restaurar o funcionamento.

 

Diálogos na cabine

Diálogos registrados na cabine revelam a percepção dos pilotos sobre o acúmulo de gelo e os problemas da aeronave pouco antes da perda de controle.

 

Enquanto os alertas de acúmulo de gelo apareciam, o comandante chega a comparar o avião ao fusca Herbie, que protagonizou o filme Se Meu Fusca Falasse.

 

A situação se agrava quando o avião já se aproximava de São Paulo. O copiloto tenta acionar novamente o sistema de degelo. Mas o piloto responde: “essa bosta não tá funcionando, né”. É quando a aeronave emite o alerta de perda de sustentação e, depois, aproximação com o solo.

 

O relatório da PF aponta que os pilotos deixaram de executar, no momento correto, procedimentos previstos pelo fabricante para falha no sistema de degelo, degradação de performance, condições severas de gelo e para a recuperação de estol.

 

Acúmulo de gelo

No voo anterior ao acidente, o PTB 2282, o alerta de acúmulo de gelo foi registrado oito vezes e o sistema passou por pelo menos cinco tentativas de reset. O laudo afirma que, se essas falhas tivessem sido registradas formalmente pelas tripulações anteriores, a aeronave não poderia ter sido despachada para operar.

 

A investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) já tinha mostrado que falhas da Voepass, dos pilotos e da fiscalização da ANAC contribuíram para a queda.

 

A Polícia Federal deve divulgar nesta quinta-feira (6) a conclusão do inquérito que apura o acidente da Voepass e apontar os responsáveis pelo acidente. A TV Globo apurou que deve haver responsabilização criminal de pessoas que contribuíram para a queda do avião.


 
 
 

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