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Pintura centenária do acervo da Prefeitura de Curitiba passa por restauração

  • admjornale
  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

20/01/2026


Uma das obras mais emblemáticas do acervo histórico e artístico da Prefeitura de Curitiba passará por um processo completo de restauração. A pintura Acto da Demarcação do Districto da Villa de Curityba, de 1922, assinada pelo artista Belmiro Barbosa de Almeida, foi temporariamente retirada do Salão Nobre do Palácio 29 de Março. A conclusão dos trabalhos está prevista para novembro de 2026.


A obra retrata um episódio fundamental da história local, ligado à consolidação administrativa e territorial da então Vila de Curitiba. Pelo seu valor artístico e documental, ocupa lugar de destaque no Salão Nobre da Prefeitura, espaço tradicionalmente destinado à memória institucional e à vida cívica da cidade.


O quadro com 2,5 metros de altura por 4,5 metros de largura e pintado em óleo sobre tela de grandes dimensões foi adquirido pela Prefeitura Municipal de Curitiba em 1940 e integra atualmente o acervo da Fundação Cultural de Curitiba. Ao longo das décadas, porém, o estado de conservação foi sendo comprometido, especialmente por intervenções antigas que acabaram danificando a pintura.


Processo de conservação e restauro


Agora ela passará por um rigoroso processo técnico de conservação e restauro. O tratamento inclui desmontagem controlada, transporte especializado, higienização da superfície, remoção do verniz e de intervenções inadequadas, além da estabilização estrutural do suporte, entre outras técnicas necessárias para a preservação da pintura.


Segundo a restauradora Cláudia Calazans, responsável pelo trabalho, ao longo dos anos a obra sofreu danos progressivos e chegou a passar por uma intervenção equivocada, que provocou a formação de bolhas na superfície da tela. “O restauro será realizado com muita delicadeza e com técnicas que preservem ao máximo as características originais da obra, garantindo melhores condições de conservação”, explica.


A obra começou ser preparada na última sexta-feira (16/1). Inicialmente, a pintura foi totalmente mapeada com registros fotográficos, tendo registrado cada particularidade, assim como manchas, desgastes e alterações causadas pela ação do tempo.  Esta etapa é importante para que se identifique todas as ações de restauro que serão necessárias para resgatar as cores e formas da pintura, sempre obedecendo os traços originais do artista. Também será realizado um relatório técnico detalhado, assegurando transparência, rastreabilidade e subsídios para futuras ações de conservação preventiva.


Em seguida utilizou-se uma técnica chamada faceamento, que consiste na fixação de um papel especial, ultrafino, sobre a pintura, criando uma camada protetora que garante a integridade.


Transporte ao ateliê


Nesta segunda feira (19/1), a obra foi cuidadosamente descida da base onde estava, desmontada da moldura, embalada e transportada ao ateliê de Claudia.


Já no ateliê da restauradora, a obra passará por uma avaliação mais detalhada das intervenções necessárias. As primeiras etapas previstas incluem a higienização geral e a remoção do verniz, etapas fundamentais para a recuperação da pintura e para a definição das ações seguintes do processo de restauro.


A restauradora explicou que um dos processos principais a serem feitos será o reentelamento. “A princípio, a gente vai ter que fazer a remoção do reentelamento em cera que está pesando na obra e vamos colocar um novo, mais moderno e menos invasivo,” explica ela. Esta é uma técnica de restauração de pinturas em tela onde um tecido de suporte é colado no verso da tela original para reforçar e estabilizar a pintura.


O artista


Belmiro Barbosa de Almeida (1858–1935) foi um dos mais importantes pintores brasileiros de sua geração. Formado pela Academia Imperial de Belas Artes, destacou-se inicialmente pela pintura histórica e de gênero e, ao longo da carreira, tornou-se um dos introdutores do impressionismo no Brasil, sem abandonar o rigor técnico acadêmico. Sua obra é marcada pelo domínio do desenho, pelo refinado tratamento da luz e pela capacidade de conciliar narrativa histórica e sensibilidade pictórica — características evidentes na pintura que retrata o ato de demarcação da antiga Villa de Curityba.

 

 

Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM


 
 
 

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