Os pesticidas na agricultura brasileira
09/09/2026

Na França há um grande debate sobre a proibição dos pesticidas que causam câncer nos agricultores e nos consumidores, bem como exterminam as abelhas que são fundamentais para diversos cultivos, estes últimos chamados de Neonitinoides.
Há diversos pesticidas banidos na França que estão autorizados e livremente comercializados no Brasil.
O Mancozebe, um dos fungicidas mais vendidos no país, possui monografia ativa na Anvisa e amplo uso em soja, batata, arroz e uva.
O Glufosinato, herbicida amplamente utilizado no Brasil, servindo inclusive como substituto ou complemento ao glifosato no controle de plantas daninhas na pós-emergência.
O Thiophanate-méthyl, chamado de Tiofanato-metílico, é um fungicida sistêmico registrado e amplamente vendido por várias marcas agrícolas no país, muito utilizado em lavouras de soja, feijão e algodão.
O uso do Clorpirifós, inseticida organofosforado é muito debatido no exterior pelos riscos ao desenvolvimento neurológico infantil, no Brasil, segue permitido e muito utilizado em grandes culturas como milho, soja e café, é proibido apenas para fins domésticos/urbanos.
Finalmente, o Glifosato, é o agrotóxico mais vendido no Brasil, utilizado massivamente na agricultura direta, especialmente em sementes transgênicas de soja e milho, também proibido na França.
O governo francês reconhece formalmente a relação entre certos tipos de câncer, como o linfoma não-Hodgkin e o mieloma múltiplo e a exposição a pesticidas.
A Association Phyto-Victimes, fundada em 2011 por profissionais da agricultura apoia agricultores, paisagistas e outros profissionais do campo atua no complexo processo de reconhecimento de patologias, como linfomas, leucemia, câncer de próstata e a doença de Parkinson, como doenças profissionais.
Em janeiro de 2026, a França baniu alimentos e frutas provenientes da América do Sul, que contenham traços ou resíduos detectáveis dos pesticidas proibidos naquele país. Os cincos pesticidas banidos são: o Mancozebe, fungicida utilizado em abacates, uvas, mangas, batatas e pimentões; o Glufosinato, herbicida usado em Batatas e árvores frutíferas; o Thiophanate-méthyl, fungicida usados em cítricos, aveia e marmelos; o Carbendazim, fungicida de uso em cereais, tomates e citros e o Bénomyl, fungicida utilizado em grãos e frutas tropicais.
A proteção francesa abrange pessoas, animais domésticos e animais selvagens.
Consideram-se também vulneráveis as mulheres grávidas e as mulheres em período de amamentação, as crianças não nascidas, os bebês e crianças, os idosos, os trabalhadores e os moradores que ficam fortemente expostos a pesticidas a longo prazo.
Desde 2020, existe o Fundo de Indenização das Vítimas de Pesticidas, voltado a reparar financeiramente os danos à saúde de profissionais e até mesmo de crianças expostas durante a gestação. Este Fundo atingiu a marca recorde de mais de 1.000 pedidos de indenização em um único ano, totalizando 25,9 milhões de euros pagos em compensações. A maioria dos afetados são homens aposentados do setor de viticultura e grãos com câncer de próstata.
Enquanto isso, no Brasil, o negacionismo científico aliado aos interesses econômicos afetam o meio ambiente, seres humanos e animais e, o principal, não há indenizações de qualquer espécie, seguindo a toada das bebidas alcóolicas, produtos fumígeros e mais recentemente, dos jogos de azar, Bets e assemelhados.
Por: Cláudio Henrique de Castro
Foto: Divulgação







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