NEXUS reúne 53 artistas e consolida novo espaço público para a arte na capital
24/09/2026
Integrante do circuito da 16ª Bienal Internacional de Curitiba, exposição apresenta diferentes gerações e linguagens da produção paranaense e marca a segunda ocupação artística do novo espaço expositivo da Prefeitura.

Um lugar associado às decisões administrativas da cidade também pode ser território para a arte. O Palácio 29 de Março, sede da Prefeitura de Curitiba, recebe "NEXUS: conexões entre gerações e linguagens", exposição que reúne 53 artistas associados à Associação Profissional dos Artistas Plásticos do Paraná (APAP/PR) e integra a programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARES. Com curadoria de Sabine Feres e Marcelo Conrado, a mostra traz um panorama da produção artística atual do Paraná.
A exposição marca a segunda ocupação artística do novo espaço expositivo público criado no Palácio 29 de Março dentro da programação ampliada em torno da Bienal. Em junho, o local recebeu "Mapa Aberto", exposição que abriu a Curitiba Art Week, circuito que antecedeu a 16ª Bienal. Agora, NEXUS dá continuidade a essa aproximação entre arte e espaço público, colocando a produção artística no cotidiano de servidores e das pessoas que circulam pela Prefeitura.
Essa característica do espaço encontra correspondência direta no conceito da exposição. Nexus significa conexão, vínculo, ponto de encontro. A partir dessa ideia, Sabine Feres e Marcelo Conrado aproximaram artistas de diferentes gerações, trajetórias e linguagens, todos associados à APAP/PR, entidade que reúne nomes representativos da produção artística do Paraná.
"Uma exposição na Prefeitura sai do eixo tradicional da arte, que são os museus e galerias, e vem para a casa do povo. A Prefeitura pode ser um ponto de encontro e pode ser um ponto de encontro com a arte", afirma Marcelo Conrado. Para o curador, a conexão proposta por NEXUS acontece entre as obras, os artistas e também com o público.
Quatro caminhos, sem fronteiras rígidas
Em vez de separar as 53 obras por técnicas ou suportes, a curadoria construiu quatro grandes núcleos: Matéria, Corpo, Paisagem e Abstração. São aproximações poéticas, e não categorias fechadas. Uma escultura pode falar sobre o corpo, uma fotografia se aproximar da abstração e uma pintura abstrata conservar vestígios de paisagem. É justamente nessa mobilidade que o conceito de nexus ganha força.
Em Matéria, pedra, cerâmica, metal, vidro e concreto deixam de funcionar apenas como suportes e participam ativamente da construção de sentido das obras. Corpo reúne trabalhos nos quais presença, memória e subjetividade abrem discussões sobre identidade e pertencimento.
No núcleo Paisagem, o território extrapola a representação tradicional da natureza. A cidade, a arquitetura, os espaços vividos e a memória também passam a constituir paisagens. Já Abstração concentra investigações em torno da cor, da linha, da geometria e do gesto, incluindo trabalhos que permanecem deliberadamente no território intermediário entre figuração e abstração.
Para Sabine Feres, que também preside a APAP/PR, essa ausência de fronteiras estanques aproxima a exposição do conceito de LIMIARES, tema da 16ª Bienal. "A NEXUS entra nesse contexto dos limiares, que é o tema da Bienal também. Essa coisa que vai do moderno ao antigo, dos limites, das fronteiras. A exposição abrange essa situação também", explica.
Um panorama da produção paranaense
A dimensão coletiva é uma das forças de NEXUS. Ao reunir 53 artistas associados à APAP/PR, a exposição permite observar simultaneamente diferentes pesquisas, técnicas e trajetórias da arte produzida no Paraná. Pintura, fotografia, escultura e outras linguagens convivem sem uma hierarquia preestabelecida, estabelecendo relações a partir dos temas e questões que atravessam cada trabalho.
Participam da exposição Alfi Vivern, Ana Isis Ribas, Anibal Andraus, Ariane Labre, Aurélio Peluso, Blanca de la Paz, Carla Ruschmann, Carnade, Cê Figueiredo, Claudia Anacleto, Cristina Beltrami, Débora Ling, Denise Raasch, Elizabeth Sekulic, Enzo Labre, Ercy Arias Zendim, Felipe Sekula, Francisco Borges Laranjal, Gianna Calderari, Georgiana Vidal, Giovana Correia, Helenio, Heloisa Vecchio, Ilka Passos, Jean Carlo Moro, Joseli Bezerra, Juliane Fuganti, Julio Lof, Jusbranco, Katia Velo, Krisgraf, Leticia Melara, Ligia Barros, Lizete Zem, Loiri Vecchio, Lucia Biscaia, Luiz Eduardo Hirata, Luiz Gustavo Vidal (Vidal), Marcelo Le, Marcia De Bernardo, Maria Bado, Maria Luiza Kozicki, Mariana Canet, Marinice Costa, Marli Thomaz, Mônica C. Martins, Moreira, Noemia Fontanela, Osmar Carboni, Regina Oleski, Rosangela Kusma Gasparin, Waltraud Sekula e Wilson Isfer.
O resultado é o que os curadores definem como uma "geopoética de aproximações": a matéria interroga a presença física da obra; o corpo conduz à experiência humana; a paisagem expande essa experiência para os lugares habitados; e a abstração leva o olhar aos próprios elementos da criação. Mais do que reunir técnicas distintas, NEXUS propõe diferentes maneiras de estabelecer relações com o mundo.
Arte na casa da cidade
A realização da exposição no Palácio 29 de Março acrescenta outra questão importante ao projeto. O espaço institucional deixa de funcionar apenas como cenário e participa do sentido da mostra: uma exposição sobre conexões passa a existir justamente em um lugar que é a travessia diária de servidores, cidadãos e pelas diferentes demandas da cidade.
O presidente da Fundação Cultural de Curitiba, Marino Galvão Júnior, destacou na abertura o caráter simbólico da iniciativa ao observar que um espaço tradicionalmente formal passa a ser ocupado por um ato cultural e que a Bienal terá ali um local para apresentar arte e envolver o público.
A 16ª Bienal Internacional de Curitiba é realizada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal, MON, MAC Paraná e Paraná Festival - Secretaria de Estado da Cultura (SEEC) - Governo do Paraná. Apoio: Fundação Cultural de Curitiba (FCC) - Prefeitura de Curitiba. Patrocínio: Aurora Coop. Acompanhe pelos sites www.16bienaldecuritiba.org, www.curitibaartweek.com e pelas redes sociais no Instagram @bienaldecuritiba @cubic.bienal e @curitibaartweek, no Facebook @bienaldecuritiba, no Linkedin @bienaldecuritiba e no Tik Tok @bienaldecuritiba
SOBRE A BIENAL DE CURITIBA I A Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba é um dos principais eventos de arte da América Latina e uma plataforma de referência para a produção e o pensamento contemporâneo. Realizada desde 1993, ocupa museus, galerias e espaços públicos com uma programação que reúne exposições, performances, instalações e ações educativas. Com forte vocação para o diálogo internacional, a Bienal conecta artistas de diferentes países e promove encontros entre produção local e global. Ao longo de sua trajetória, já recebeu nomes como Marina Abramović, Julio Le Parc, Louise Bourgeois, Anish Kapoor e Cildo Meireles. Além do circuito expositivo, destaca-se pelo impacto cultural e educativo, com programas de formação e ampliação de acesso à arte. Em sua última edição presencial, reuniu mais de um milhão de visitantes, consolidando Curitiba como um polo relevante no circuito internacional da arte contemporânea.
SERVIÇO
NEXUS: conexões entre gerações e linguagensCuradoria: Sabine Feres e Marcelo ConradoPeríodo: até 15 de novembro de 2026Local: Palácio 29 de Março – Prefeitura de CuritibaEndereço: Avenida Cândido de Abreu, 817 – Centro Cívico – CuritibaVisitação: segunda a sexta, das 8h às 12h e das 14h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 17h.Entrada gratuita
16.ª Bienal Internacional de Curitiba – LIMIARESAté 15 de novembro de 2026@bienaldecuritiba16.ª Bienal Internacional de Curitiba
Créditos: Divulgação / Dani Brito.







Comentários