top of page

Nany People celebra boa fase do teatro: “Muito próspero”

  • há 29 minutos
  • 4 min de leitura

12/02/2026


O teatro brasileiro vive um momento de salas cheias e público renovado, e  Nany People é uma das artistas que ajudam a comprovar essa fase aquecida. Aos 60 anos, a atriz e comediante celebra em São Paulo as 100 apresentações da comédia “Como Salvar um Casamento”, espetáculo que já ultrapassou a marca de 50 mil espectadores desde a estreia e se consolida como um dos destaques atuais do humor nos palcos.


A sessão comemorativa acontece no dia 22 de fevereiro, domingo, às 18h, no Teatro B32, no Itaim Bibi. Para marcar a ocasião, Nany também apresentará pela primeira vez o single “Sobreviva”, poema de sua autoria que ganhou versão musical e será lançado nas plataformas digitais no dia 23. Em entrevista ao  iG, a artista reforçou que o cenário cultural vive uma fase "muito boa" em diferentes âmbitos. 


Segundo ela, mesmo com a concorrência do streaming e das novas tecnologias, o público continua buscando a experiência presencial. “Depois da pandemia teve um ‘it’s now or never’(É agora ou nunca). As pessoas estão circulando mais. E, mesmo com passagens acessíveis, tecnologia, streaming, restaurantes, as pessoas continuam indo ao teatro. As salas estão cheias. O teatro está vivendo um momento muito próspero", afirma.


Com agenda intensa, a atriz mantém temporada fixa em São Paulo às quintas-feiras e viaja pelo país nos fins de semana. “Eu mesma me produzo. Estou em cartaz em São Paulo às quintas e viajo sexta, sábado e domingo. Já saí do teatro, peguei voo às três da manhã para Belém, depois São Luís... E os teatros estão lotados. É um momento muito positivo.”


O sucesso atual de “Como Salvar um Casamento” é resultado de uma remontagem. A ideia original surgiu após Nany conhecer o humorista Bruno Motta no Festival de Teatro de Curitiba, em 2004: “O Bruno foi tão feliz que ele teve a ideia de montar uma peça em esquetes que guiam desde quando o casal se separa até o começo de tudo. Desde o espermatozoide e o óvulo, que é o primeiro casamento das nossas vidas, onde a gente nasce", contou ela, ao falar da peça que também tem autoria de Daniel Alves.


Dois anos depois, a separação de seus irmãos serviu de impulso criativo. “Meus irmãos se separaram. E na hora que eles se separaram, eu vi que cada um tinha uma versão diferente. A versão do meu irmão vinha com uma coisa, e minhas cunhadas falavam outra. Tanto é que isso virou um parágrafo da peça: homens e mulheres são muito diferentes.”


Ela reforça que a convivência expõe contrastes. “Eu posso dizer, com conhecimento de causa, que a diferença é muito grande. Homens e mulheres se completam, mas quase nunca se entendem. Mulher quer compreensão, homem quer aprovação. Mulher quer carinho, homem quer carrão. Mulher quer romance, homem quer sexo. E assim vai.”


Quase 20 anos após a primeira montagem, o texto ganhou atualização. “Na primeira montagem, em 2007, tinha uma visão muito feminina do universo masculino. Os tempos são outros. Quando reli o texto, vi que precisávamos falar disso de novo.” Segundo ela, a nova versão amplia o olhar sobre as relações.]


“Hoje a gente tem um olhar mais democrático sobre as relações. Não é mais um olhar feminino sobre o homem. É de pessoa para pessoa. Casamento é convivência. Pode ser homem com homem, mulher com mulher. Juntou duas pessoas e está convivendo, é casamento. E não necessariamente morando na mesma casa.”


A interação com o público também se tornou um dos pontos fortes do espetáculo. “Nessa versão abrimos a plateia para falar o que incomoda um no outro. Saíram histórias maravilhosas. Não é para acabar casamento. É para salvar. As pessoas vão e voltam de novo.”


Sob direção de Marcos Ibarra, a montagem incorporou linguagem audiovisual. “Antes eram slides, hoje temos uma tecnologia mais atual. O telão praticamente virou um ator contracenando comigo.”


Possível participação em "Três Graças"


Questionada se aceitaria fazer uma participação em "Três Graças", da TV Globo, Nany não hesita. “Claro que sim.” Ela relembra a experiência em “O Sétimo Guardião”, novela exibida em 2018, na qual interpretou a personagem Marcos Paulo. “Eu assinei contrato para três meses e acabei ficando até o final. O Aguinaldo Silva escreve com genialidade. Ele sabe colocar o texto na prosódia do ator. Eu fui muito feliz porque ele escrevia muito bem para mim.”


A atriz também comentou a condução da personagem Viviane, vivida por Gabriela Loran. “Eu conheci a Gabriela nos estúdios Globo. Ela é querida demais. A maneira como a novela está conduzindo essa relação é maravilhosa. Mostra as dúvidas do homem que se relaciona com uma mulher trans, mas mostra também entrega, sem preconceito. Isso abre conversa na sala de jantar.”


Nany destacou ainda os avanços na representatividade. “Eu mesma adiei minha transição por medo de ficar presa ao universo LGBT que nos era permitido na época, que era muito ligado à noite. Hoje não. Ainda temos muito a conquistar, mas já conquistamos muito.”


Proposta da TV Gazeta


Nany revelou que recentemente teve uma pré-conversa com a TV Gazeta, que passa por uma reformulação, para integrar a programação com um quadro de fofoca, mas a negociação não avançou. “Posso te dar uma coisa que saiu na mídia até, mas teve uma pré-conversa e acabamos não fechando. A TV Gazeta passou por uma reformulação e está passando ainda. Me convidaram para fazer um quadro de fofoca, mas eu falei muito obrigada.” A artista lembrou que, ao sair do programa da Hebe, em 2006 e 2007, também foi convidada para participar do "Mulheres", porém recusou.


“Quando eu saí da Hebe, fui convidada para fazer um quadro no Mulheres. Eu falei: não, muito obrigada. Esse universo eu não quero, eu quero entrevistar pessoas.” Segundo ela, seu perfil é outro. “Eu funciono bem no toma lá, dá cá, gosto da prosódia. Quando você faz um quadro de fofoca, você fica relatando e levantando hipóteses.” Nany destacou que prefere o improviso, sem roteiro. “Na Hebe não tinha script, o Nany entra e o Nany fala. É uma escola meio Clodovil. O próprio tema é a plateia que dá, o entrevistado que dá. Eu faço a pergunta e o assunto rola.” Ao longo da carreira, recebeu outros convites semelhantes, como do "TV Fama", mas mantém a mesma posição.




Foto: Allison Valentim




 
 
 

Últimas Notícias

bottom of page