Na contramão da geração de empregos, comércio varejista demite 46 mil
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21/08/2026
Mercado total gerou 921 mil empregos líquidos no mesmo intervalo

O varejo brasileiro fechou 45,9 mil postos de trabalho com carteira assinada no primeiro semestre de 2026 – o pior resultado para o período desde 2020. Enquanto isso, o mercado total gerou 921 mil empregos líquidos no mesmo intervalo, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).
Para especialistas, o movimento é influenciado por uma tempestade perfeita que se sobrepõe à taxa de desemprego nas mínimas históricas: juros altos, economia perdendo força, explosão das bets (que comprometem parte da renda) e a migração do consumidor para o ecommerce.
A tendência é que o desempenho do setor continue fraco nos próximos meses.
De um lado, o cenário macroeconômico adverso segue pressionando margens e vendas. De outro, o mercado ainda vai sentir o impacto da demissão de cerca de 3.000 funcionários pela Casas Bahia, que pediu recuperação judicial no último domingo (16) e anunciou o fechamento de 298 lojas.
Comércio varejista elimonou vagas
No primeiro semestre, o comércio varejista, que responde por 68% do estoque de vagas do comércio como um todo, só gerou vagas em três meses: em março, maio e junho. No primeiro semestre do ano passado, criou 23,7 mil vagas, de acordo com os dados do Caged.
Quando se olha para os números por grandes setores, o comércio foi o único que eliminou vagas no primeiro semestre (-3.500), contra uma criação de vagas de 571,9 mil em serviços, 168,9 mil na construção, 143,4 mil na indústria e 40,8 mil na agropecuária.
O rombo só não foi maior porque, além do varejo, o setor também é formado pelas empresas de venda de automóveis e motos, que geram vagas pelo crescimento do uso de aplicativos de entrega e transporte, e atacadistas, que também estão no azul por sentirem menos o efeito do endividamento elevado da população.
“O financiamento ao consumo ficou ainda mais caro, e isso pesa em setores de bens duráveis, como eletroeletrônicos e móveis, que dependem muito de parcelamento”, observa o economista Bruno Imaizumi, da consultoria 4intelligence.
Dados do Banco Central ajudam a mensurar a piora nas condições para empréstimos. A taxa de juros a pessoas físicas com recursos livres (medida que exclui financiamento imobiliário e rural) ficou em 64% ao ano em junho, contra 59,4% ao ano há um ano, segundo os últimos dados do Banco Central. Os juros do cartão de crédito estão em 97,4% ao ano, ante 92,1% em junho de 2025.
Os cortes afetaram a maior parte dos diferentes segmentos do varejo, mas o destaque ficou com as lojas de artigos de vestuário e acessórios, que sozinhas cortaram 30,9 mil vagas nos primeiros seis meses do ano, segundo o Caged, o equivalente a mais de dois terços de todo o saldo negativo do setor no período.
Na sequência aparecem as lojas de calçados, com 11,3 mil postos fechados no primeiro semestre, e os super e hipermercados, com um corte de 5,6 mil vagas, subsetores que vêm sendo cada vez mais expostos à concorrência do comércio eletrônico, segundo especialistas.







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