MST do Paraná partilha mais de 35 toneladas de alimentos no “Natal Sem Fome”
- 26 de dez. de 2022
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26/12/2022
Ação em Porecatu partilhou 40 cestas de alimentos da reforma agrária

Arroz, feijão, batata-doce, abóbora, mandioca, fubá, suco, verduras, ek e até iogurte. A diversidade de alimentos produzidos por camponeses do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná fará parte da ceia de Natal de milhares de milhares de famílias urbanas que vivem em situação de vulnerabilidade.
Ao todo foram mais de 20 ações da campanha “Natal Sem Fome e Solidário”, em que famílias assentadas e acampadas em áreas da reforma agrária partilharam cerca de 35 toneladas de alimentos. Também foram doados 700 litros de iogurte e 4 mil marmitas. A maior parte das doações ocorreu entre esta quinta e sexta-feira (22 e 23). A campanha segue até dia 10 de janeiro, em todo o Brasil.
A iniciativa ocorre pelo terceiro ano consecutivo, como forma de contribuir para o enfrentamento da crise humanitária que o país enfrenta durante o atual governo federal, agravada pela pandemia da Covid 19: são 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer todos os dias, e mais da metade (58,7%) do povo convive com a insegurança alimentar leve, moderada ou grave – segundo Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar de 2022.
A camponesa Bruna Zimpel, moradora do acampamento Terra Livre, em Clevelândia, e integrante da direção nacional do MST, conta que a solidariedade é vivida no dia a dia pelas famílias acampadas e assentadas, e se ampliou no último período. “Com o agravamento da crise social e a pandemia, essas ações foram construídas para além dos nossos territórios, beneficiando muitas famílias trabalhadoras urbanas de todo o país”, relata a dirigente.
Em campanhas de solidariedade com quem passa fome, o MST-PR partilhou mais de 1 milhão de quilos de alimentos saudáveis e cerca 180 mil marmitas, desde abril de 2020. Para o MST, a vitória de Lula nas urnas significa a renovação das esperanças de superar a miséria no nosso país, “mas há muito por se fazer agora”, garante Bruna, se referindo aos números da fome.
Igor de Nadai, integrante da direção do MST do Paraná e morador do acampamento Herdeiros da Luta de Porecatu, relata a força da unidade entre a militância do MST e a população urbana da periferia. Chama atenção para o fato de ser a primeira ação massiva neste período em que a pandemia está mais branda. “Demonstra que a política de solidariedade do movimento é permanente, e enquanto houver fome e for uma necessidade da classe trabalhadora da cidade, o MST vai estar ali”.
A esperança é um ingrediente a mais que esteve presente nas dezenas de sacolas partilhadas: “Apesar desse cenário terrível, é uma ação que busca trazer esse sentimento de esperança que está todo mundo vivendo com esse novo governo que está vindo. Essa ação de natal e de final de ano pra renovar o esperança e de um novo ciclo que vem aí”, diz o militante.
Cleusa Maria de Souza é moradora do Assentamento Pontal do Tigre, em Querência do Norte – uma das comunidades que partilhou 250 quilos de batata-doce livre de agrotóxicos. “Essa produção de barata é orgânica, no trabalho familiar em que toda a família ajuda na hora do trabalho, na hora da colheita. E quem receber esse alimento que faça bom proveito, e que Deus abençoe todos nós”, disse a camponesa. O alimento fez parte da doação entregue para cozinhas de Comitês Populares de Paranavaí.
“Nós queremos agradecer a todos aqueles que confeccionaram, que plantaram, que embalaram essas cestas”, disse Eduardo Fabrício Andrade, integrante da Comunidade dos Missionários do Bom Pastor, localizada no Guarituba, em Piraquara. Cerca de 100 cestas chegaram às mãos de famílias moradoras de ocupações da região que vivem em situação de vulnerabilidade social.
Esta quarta e quinta (21 e 22) foram de celebração das conquistas do trabalho entre camponesas(es) do MST e trabalhadores urbanos. O coletivo Marmitas da Terra partilhou 4.000 quentinhas nas praças Rui Barbosa e Tiradentes, em Curitiba, além de comunidade na capital e Região Metropolitana.
Com a doação de hoje, a ação chegou aos 180 mil almoços distribuídos desde o início da pandemia. A maior parte dos alimentos servidos nas marmitas vem de mutirões agroecológicos realizados pelo coletivo no Assentamento Contestado, na Lapa, orientados pela Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA). De outubro de 2020 até o momento, foram colhidos mais de 16 toneladas de comida saudável.







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