top of page

Memorial de Curitiba recebe exposição sobre revistas ilustradas históricas

há 1 hora
3 min de leitura

26/10/2026


Antes das redes sociais e das fotografias digitais, as revistas ilustradas eram janelas para conhecer lugares, personagens e costumes. Em Curitiba, essas publicações ajudaram a registrar as transformações urbanas, divulgar ideias e aproximar os leitores de realidades distantes, entre o fim do século 19 e as primeiras décadas do século 20.


Essa história é apresentada na exposição Revistas Ilustradas: memória visual da imprensa curitibana na Primeira República (1889-1930), em cartaz no mezanino do Memorial de Curitiba. A mostra reúne oito títulos da imprensa paranaense e revela como textos, ilustrações e recursos gráficos contribuíram para construir a memória visual da cidade.


O projeto é resultado de uma pesquisa desenvolvida ao longo de quase dois anos pelos historiadores Elizabete Berberi, Luana Camargo Genaro e Vidal Costa. Além da exposição física, a iniciativa prevê um portal digital com acesso integral às revistas selecionadas.


Uma cidade nas páginas


A seleção reúne as revistas Palladium, Atheneia, A Sempre-Viva, Pallium, Victrix, Paraná, A Galeria Ilustrada e Fanal. As publicações abordavam temas como literatura, poesia, política e crítica social, combinando textos e imagens em um período de avanços na indústria gráfica.


Segundo Vidal Costa, doutor em História e um dos pesquisadores responsáveis pela exposição, as revistas tinham um papel fundamental na circulação de informações visuais. Mesmo em uma Curitiba ainda pequena, elas permitiam conhecer paisagens e referências culturais que, sem a possibilidade de viajar, dificilmente chegariam ao cotidiano dos leitores.

“Esse tipo de publicação fornecia um fragmento de cultura, uma cultura fragmentada, mas que passava adiante coisas que, se você não fosse uma pessoa que viajava, não iria conhecer. Mesmo aqui, na pequena Curitiba da época, o mundo chegava às pessoas”, explica o pesquisador.

As imagens também ajudavam a apresentar lugares do próprio Paraná. Costa cita como exemplo as formações rochosas de Vila Velha, nos Campos Gerais. Antes de a fotografia se tornar amplamente acessível, as representações publicadas nas revistas permitiam que os leitores conhecessem paisagens que talvez nunca tivessem visto pessoalmente.

A exposição destaca títulos como A Galeria Ilustrada, pela expressividade de sua composição gráfica, e Fanal, voltada à poesia e à crônica. O conjunto permite observar as transformações estéticas e técnicas da imprensa, em um período marcado também pela passagem da Art Nouveau para a Art Déco.


Recuperação dos originais


A pesquisa retoma uma iniciativa anterior de Elizabete Berberi, o projeto Olho da Rua, que disponibilizava revistas ilustradas históricas na internet. A proposta atual surgiu para dar continuidade a esse trabalho.

A equipe levantou informações sobre cerca de 30 publicações e selecionou os títulos que integram a mostra. Os exemplares foram consultados no acervo de documentação paranaense da Biblioteca Pública do Paraná, onde passaram por um processo de reprodução fotográfica e recuperação digital.

O trabalho envolveu a restauração de capas, textos e imagens, respeitando as condições de conservação de cada exemplar. Alguns detalhes gráficos, como títulos impressos em dourado ou prateado, não puderam ser reproduzidos fielmente nas fotografias.

“Esse material passou por todo um processo investigativo. Nós fotografamos os originais, trabalhamos na recuperação das imagens e tentamos restaurar o que era possível. Mas há elementos gráficos da época que se perdem na reprodução. É por isso que é importante sempre conservar o original”, ressalta Costa.

Além do catálogo impresso, o projeto prevê um portal digital com as revistas completas, organizadas em ordem cronológica. Dessa forma, o público poderá consultar as publicações na íntegra, ampliando o acesso ao conteúdo histórico.


Das revistas às telas


A exposição também convida a refletir sobre as mudanças na relação com as imagens. Se, no início do século 20, uma revista permitia guardar e revisitar conteúdos, hoje a circulação digital oferece uma quantidade muito maior de imagens, que se renovam continuamente.


Para Costa, a diferença está também no ritmo de consumo. A aquisição de uma publicação envolvia uma escolha, enquanto a abundância de conteúdos digitais tornou praticamente impossível organizar tudo o que se vê.

“O próprio fato de que você tinha que comprar já era um processo seletivo. Isso ajudava você a ter uma biblioteca manejável de imagens. Hoje, você vê mais imagens em duas horas na internet do que via na sua vida inteira”, compara o historiador.

A mostra conta com audiodescrição acessível por QR codes nos painéis.


Serviço

Exposição Revistas Ilustradas

Local: Mezanino do Memorial de Curitiba (Rua Dr. Claudino dos Santos, 79, São Francisco)Visitação: de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 9h às 15h. Até 23 de dezembroEntrada: gratuita

 

 

Foto: Matheus Neme


 
 
 

Comentários


Últimas Notícias

bottom of page