Justiça Artificial é o puro suco do cine videogame
- admjornale
- há 2 horas
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23/01/2026

Nada mais natural para Hollywood que encontra-se no meio de uma discussão sobre o uso e papel da Inteligência Artificial, em nossa sociedade, do que resolver fazer um filme do tipo blockbuster (arrasa-quarteirões) para tentar trazer alguma reflexão a respeito do assunto.
Estamos falando de Justiça Artificial (2026), de Timur Bekmambetov, estrelando a dupla Chris Pratt e Rebecca Ferguson, que conseguem segurar as pontas de uma trama (um tanto) batida, muito pelo carisma que possuem.
Justiça Artificial é sobre um futuro próximo, onde uma Inteligência Artificial atua como um Juiz de tribunal, quando o detetive que ajudou a criar este sistema, acaba indo para o banco dos réus pelo assassinato de sua esposa. Se ele falhar em provar a sua inocência nos próximos 90 minutos, será julgado culpado e executado no local.
É importante e louvável usarmos de qualquer meio ao alcance para que possamos discutir e refletir sobre alguns aspectos relevantes de nossa vida moderna, uma vez que todas as coisas mudam e sempre é preciso renovar a conversa para que possamos tentar compreender melhor a nós mesmos e, consequentemente, as coisas a nossa volta.
Porém, acredito que o diretor e empreendedor tecnológico cazaque-russo Timur Bekmambetov, não seja a melhor opção para colocar isso em prática.
Agora, se o assunto é colocar em ação, uma história onde podemos analisar que o visual estético e o ritmo intenso são o carro-chefe, aí podemos estar falando com a pessoa certa para o trabalho.
Vale dizer que a chegada de Timur Bekmambetov, em Hollywood, passou longe de ser ruim. Após algum sucesso notável em seu país de origem, Bekmambetov atravessou o oceano para dirigir Angelina Jolie, James McAvoy e Morgan Freeman, em O Procurado (2008), que foi um destaque positivo naquele ano no gênero da ação, com visuais e efeitos muito atraentes.
Todavia, isto não se manteve. Sendo suas próximas incursões hollywoodianas, longas-metragens que ficaram devendo por vários pontos, de alguns títulos, como: Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros (2012) e Ben-Hur (2016), certamente, o maior fracasso de sua carreira, até então.
Mas, se o assunto em questão vai para o mais recente projeto Justiça Artificial, fica claro que Timur Bekmambetov, ainda alcança algum sucesso quando estamos no campo do thriller de ação, que na obra em questão, só pega no tranco quando a parte investigativa começa, ou seja, quando o protagonista interpretado por Chris Pratt inicia o processo de tentar se provar inocente. Até lá, fica uma mistura de apresentação de personagens com dramalhão que tende a afastar o público.
No seu melhor, Justiça Artificial é como um ‘gameplay’ de um jogo de videogame, onde acompanhamos sentados em uma poltrona do cinema, exatamente como o protagonista que passa quase toda a trama, acorrentado em uma cadeira de metal, tentando solucionar o caso do assassinato de sua esposa. O desenrolar da investigação é, sim, cativante, mesmo parecendo uma versão ‘primo pobre’ menos emocional, de Minority Report - A Nova Lei (2002), de Steven Spielberg.
Deixemos a discussão complexa sobre IA para outros cineastas.
Foto: Sony Pictures Releasing International









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