Jacareí diz que prepara decreto para desapropriar fábrica da Caoa Chery
- 23 de jul.
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23/07/2026

A prefeitura de Jacareí informou na segunda-feira, 20, que dará início ao processo de desapropriação da fábrica da Caoa Chery no município. Segundo a administração municipal, a montadora não apresentou plano de retomada de atividades da unidade, inativa desde 2022, no prazo estipulado de um ano.
A decisão foi comunicada por meio de ofício assinado pelo prefeito Celso Florêncio (PL) e encaminhado a Carlos Alberto de Oliveira Andrade Filho, presidente do Grupo Caoa, e a Cláudio Guowi Xu, gerente-geral da Chery International. No documento, obtido pelo JC, a administração municipal afirma que avançará nos trâmites internos necessários para editar e publicar o decreto de desapropriação do imóvel.
Procurada, a Caoa Chery não se pronunciou. A reportagem do JC também procurou a Chery International, que não retornou nosso contato.
As tratativas sobre o futuro da fábrica começaram em junho de 2025. Na ocasião, o município solicitou esclarecimentos sobre os planos das empresas para o imóvel. A resposta, recebida uma semana depois, não teria apresentado informações objetivas sobre uma possível retomada da produção.
Em julho daquele ano, a prefeitura reiterou o pedido de esclarecimentos e comunicou que pretendia enviar à Câmara municipal projeto para instituir o IPTU Progressivo sobre imóveis industriais subutilizados.
No dia 21 do mesmo mês, o Executivo notificou as empresas sobre a possibilidade de reversão da doação da área ou de desapropriação do imóvel. Inicialmente, Caoa e Chery teriam 45 dias para apresentar um plano de reativação da fábrica.
A pedido das companhias, porém, o prazo foi ampliado para 12 meses. Segundo a prefeitura, a extensão serviria para permitir a elaboração de uma proposta consistente para a retomada das atividades.
O município voltou a cobrar uma posição em abril deste ano. De acordo com a administração municipal, o período de 12 meses expirou sem a apresentação de informações atualizadas que permitissem acompanhar a elaboração ou a execução de um eventual plano de reabertura da fábrica.
Apesar do avanço no processo de desapropriação, a prefeitura afirmou que permanece aberta ao diálogo. O Executivo ainda poderá analisar uma proposta "objetiva e concreta" apresentada pelas empresas durante a tramitação.
O destino do complexo não precisa estar necessariamente ligado à produção de veículos. O JC apurou que empresas de outros segmentos da indústria têm interesse em assumir a unidade caso a prefeitura e a Caoa Chery não cheguem a um acordo.
'QUEBRA DE CONTRATO'. Esse cenário depende do avanço do processo de desapropriação, que ainda passará pela edição e pela publicação de um decreto municipal. Para o prefeito Celso Florêncio, a paralisação das atividades desde 2022 representa o descumprimento das condições estabelecidas para a cessão da área "A doação do terreno estava condicionada a ter uma fábrica em funcionamento, com geração de empregos. Na nossa visão, houve uma quebra de contrato", afirmou em entrevista à TV Vanguarda.
A intenção do município é calcular os recursos públicos empregados no complexo e a valorização do imóvel antes de definir os próximos passos.
Com terreno de mais de 1 milhão de m² e área construída de 436 mil m², a planta de Jacareí foi inaugurada em 2014 para produzir a linha Celer após investimento de R$ 50 milhões. Em 2018, com a joint venture, a Caoa passou a produzir modelos como Tiggo 2 e os sedãs Arrizo 5 e Arrizo 6.
O último modelo produzido em Jacareí foi o Tiggo 3X. Depois disso, em 2022, a unidade teve suas atividades encerradas. À época, a justificativa era de que a Caoa Chery adaptaria a fábrica para a montagem de veículos elétricos.
Crédito : Estadão Conteúdo







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