Gol contra salva Coxa de derrota no Couto Pereira
- 2 de abr.
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02/04/2026
Ponto somado de forma dramática mascara atuação

O Coritiba que deixou o gramado do Couto Pereira após o empate com o Vasco carrega uma dualidade perigosa. Se por um lado a vibração nas arquibancadas ao apito final premiou a resiliência de um grupo que buscou o resultado até os últimos instantes, a análise fria do desempenho revela um time que ainda tropeça nas próprias limitações técnicas e na falta de profundidade do elenco.
O ponto somado de forma dramática mascara, momentaneamente, uma atuação coletiva que esteve longe de convencer o torcedor, evidenciando que a entrega física nem sempre compensa a carência de repertório à disposição do técnico Fernando Seabra.
A ausência de Wallisson no meio de campo cobrou um preço alto demais para a estrutura planejada. Responsável pelo equilíbrio entre a destruição de jogadas e o início da transição ofensiva, o volante fez falta não apenas pelo vigor físico, mas pela leitura de espaços.
Willian Oliveira, escolhido como o substituto direto, teve uma noite para esquecer. Perdido na marcação e impreciso na saída de bola, o jogador acabou personificando a fragilidade defensiva do setor e foi apontado pela torcida como o principal culpado pelo gol vascaíno. A atuação foi tão comprometedora que sequer voltou para o segundo tempo.
No setor ofensivo, a aposta em Lavega no lugar de Breno Lopes também não surtiu o efeito desejado. O uruguaio, que havia sido o herói da vitória em Mirassol com uma atuação elétrica, desta vez sucumbiu à marcação carioca e não conseguiu imprimir a velocidade necessária pelos lados do campo.
Nos primeiros 45 minutos, apenas uma finalização na direção da meta adversária. A chance desperdiçada por Pedro Rocha, que chutou em cima do goleiro quando teve a oportunidade de abrir o placar, resumiu a apatia de um Coritiba que parecia travado diante da estratégia visitante.
A mudança de postura veio na etapa final, impulsionada pela entrada de Vini Paulista. Com a troca, o Coxa ganhou a intensidade que faltava e passou a ditar um ritmo mais agressivo no meio de campo.
O time subiu as linhas e tentou abafar o Vasco, mas esbarrou em um adversário muito bem postado defensivamente, que fechava os espaços e não oferecia brechas para as infiltrações.
O empate só veio na base da insistência e de um lampejo técnico de Josué, que encontrou Felipe Jonatan em profundidade. O lateral desviou para o meio da área, e Saldivia mandou contra a própria rede, selando o placar em um lance que premiou a raça, mas não a organização.
A sensação no Alto da Glória é a de que falta equilíbrio para rodar as peças sem que o nível de competitividade despenque. O elenco atual parece sofrer de uma queda técnica entre titulares e reservas imediatos, o que limita as opções do treinador durante as partidas.
Ao fim da quarta partida no Couto Pereira, os números em casa começam a incomodar. Com apenas quatro pontos somados em 12 possíveis, o aproveitamento de 33,3% como mandante é incompatível com as ambições do Coritiba na temporada.
O ponto conquistado diante do Vasco pode ser visto como positivo pelo contexto da reação tardia, mas a realidade é que o Coxa precisa transformar sua casa em uma fortaleza novamente. Para isso, o time precisará de mais do que apenas "raça".







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