Fiep promove debate sobre acordo entre União Europeia e Mercosul
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18/03/2026

O presidente do Sistema Fiep, Edson José de Vasconcelos, participou, nesta terça-feira (18), do evento “Acordo entre União Europeia e Mercosul”, realizado no Campus da Indústria, em Curitiba. O encontro reuniu cerca de 600 participantes, entre industriais, empresários, profissionais e integrantes da diretoria da entidade, para discutir os impactos do acordo para a economia e o setor produtivo.
Na abertura, Vasconcelos destacou que o acordo ocorre em um cenário de transformações geopolíticas relevantes e representa uma oportunidade estratégica para a indústria, mas também exige preparação. “Estamos diante de uma mudança que não tem precedentes. Esse acordo abre portas, mas também impõe desafios, especialmente em relação à competitividade e à produtividade da indústria brasileira”, afirmou.
O presidente também defendeu que o tema seja tratado de forma permanente pela entidade e pelo setor produtivo. Segundo ele, é fundamental compreender aspectos como cotas, acesso a mercados e impactos sobre diferentes segmentos industriais. “Precisamos entender onde somos fortes e onde precisamos avançar. A Fiep quer ser uma referência nesse debate e contribuir para que o setor esteja preparado para esse novo cenário”, ressaltou.
Na palestra inicial, Rafael Schroeder, diretor de estratégia de produtos da Becomex, destacou que o acordo entre União Europeia e Mercosul representa uma oportunidade relevante para ampliar exportações e integrar a indústria brasileira às cadeias globais, mas exige preparo estratégico. Segundo ele, diante de um cenário de desigualdade econômica entre os blocos, será fundamental que as empresas aumentem sua competitividade, com mais tecnologia e eficiência, já que o acordo não traz ganhos automáticos e demandará adaptação para que seus benefícios sejam efetivamente aproveitados.
Na sequência, a programação do evento contou com dois painéis temáticos. O primeiro abordou a perspectiva política e diplomática do acordo entre Mercosul e União Europeia, com mediação do economista e diplomata Marcos Troyjo. Participaram a embaixadora do Paraguai no Brasil, Maria Amarilla (representando o país), além dos embaixadores da Argentina, Guillermo Daniel Raimondi, e Aldrik Gierveld, dos Países Baixos. O debate destacou o avanço recente das negociações e a importância do acordo diante das mudanças no cenário global.
Os participantes ressaltaram que o acordo ganhou urgência em meio a um contexto internacional mais protecionista, com aumento de tarifas em algumas economias. Também foi enfatizado que a iniciativa pode gerar benefícios mútuos, ampliando comércio, investimentos e produtividade, embora ainda haja desafios, como diferenças econômicas entre os blocos e resistências políticas.
O segundo painel, moderado pelo presidente do Sistema Fiep, Edson Vasconcelos, tratou dos impactos econômicos e empresariais, reunindo especialistas que destacaram oportunidades de inserção do Brasil nas cadeias globais de suprimentos, mas também a necessidade de maior competitividade industrial. O debate contou com a participação do economista e diplomata, Marcos Troyjo, do economista e ex-ministro da Produção da Argentina, Dante Sica, e de Christian Schulz, conselheiro para assuntos econômicos da Embaixada da Alemanha. Foi apontado que o acordo pode impulsionar exportações e integração produtiva, embora não beneficie todos os setores de forma igual.
Por fim, os debatedores destacaram que o acordo oferece maior segurança jurídica e previsibilidade para os negócios, além de representar uma oportunidade estratégica em um cenário global instável. No entanto, reforçaram que será essencial preparar a indústria, avançar em produtividade e acompanhar a implementação para maximizar os benefícios e mitigar riscos.
Edson Vasconcelos concluiu o painel destacando a importância de parcerias, do monitoramento dos acordos comerciais e da atuação conjunta para fortalecer a indústria e impulsionar a geração de riqueza. “O principal desafio é transformar o acordo em oportunidades de desenvolvimento, diante de um ambiente ainda pouco competitivo no Brasil. Mas vamos trabalhar de forma conjunta para alcançarmos esses objetivos”, concluiu o presidente.
O diretor da Fiep, Paulo Roberto Pupo, encerrou a programação ressaltando a importância de ter previsibilidade tarifária para se manter competitivo no mercado global. Ele destacou que a instabilidade das tarifas prejudica as empresas e defendeu a necessidade de acordos que garantam uma visão de longo prazo sobre custos e impostos. “Para que evoluamos neste tema precisamos contar com a participação dos empresários em fóruns e conselhos para que se mantenham informados e influenciem as políticas comerciais”, finalizou.
Foto: Gelson Bampi







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