top of page

"Fale Agora" leva o FOXP2 do laboratório ao palco para investigar fala, silêncio e escuta

há 1 hora
4 min de leitura

14/09/2026


Solo científico-filosófico escrito e dirigido por Pagu Leal, com atuação de Marrara Mara, tem apresentações gratuitas nos dias 19, 20 e 27 de setembro, em Curitiba, pelo Festival da Primavera


 Crédito: Juliana Zaguobinski.
 Crédito: Juliana Zaguobinski.


O que nos torna capazes de falar? E o que acontece quando uma pessoa tem voz, mas não encontra quem a escute? Essas perguntas atravessam Fale Agora, solo científico-filosófico escrito e dirigido por Pagu Leal e interpretado por Marrara Mara. A montagem parte de uma descoberta sobre o FOXP2, gene relacionado à fala e à linguagem, para construir uma investigação cênica sobre evolução, comunicação, silêncio e poder.

A estreia acontece em setembro, dentro da programação do Festival da Primavera, promovido pela Fundação Cultural de Curitiba. O espetáculo terá quatro apresentações gratuitas no Centro Cultural Espaço de Arte, nos dias 19 e 20 de setembro, e uma apresentação na Casa Hoffmann, no dia 27.


Do gene à linguagem

A ideia de Fale Agora surgiu quando Pagu Leal encontrou, em um livro de biologia, informações sobre o FOXP2. A descoberta abriu uma pesquisa sobre a capacidade humana de linguagem e os processos evolutivos que permitiram o desenvolvimento de formas tão complexas de comunicação.

A fala, porém, não acontece por causa de um único elemento. Genética, cérebro, língua, boca, pregas vocais e outros mecanismos participam desse processo. Em cena, essas questões científicas convivem com perguntas filosóficas e situações concretas em que falar pode ser uma experiência de disputa, vulnerabilidade e resistência. "Tudo começou com um livro que me fez perguntar o que nos torna humanos: o que nos permite falar do passado, projetar o futuro e criar poesia? A pesquisa me levou ao FOXP2, um gene relacionado à capacidade humana de falar. A partir daí, fui entendendo que a fala é resultado de uma série de processos evolutivos que envolvem genética, cérebro, língua, boca, pregas vocais e toda uma complexidade que a peça investiga em cena", explica Pagu Leal.


Três vozes em cena

Sozinha no palco, Marrara Mara constrói três figuras que atravessam diferentes dimensões da fala. Uma delas é uma cientista e professora fascinada pelo corpo humano, pela evolução e pelos mecanismos que permitem transformar ideias em linguagem. Outra é uma atriz que chega a uma delegacia para prestar uma queixa e se depara com a dificuldade de falar sobre o que aconteceu e ser efetivamente ouvida. A terceira é a Narradora/Cassandra, responsável por fazer perguntas, estabelecer conexões e deslocar a narrativa entre diferentes tempos e histórias.

A construção das personagens coloca corpo e voz no centro da cena. Bailarina e atriz, Marrara reúne sua experiência nas duas linguagens para sustentar um solo que transita entre informação científica, ficção, humor, memória e questões políticas. "Na peça, interpreto três vozes: uma cientista, uma atriz e uma narradora. A cientista me levou para um universo muito diferente do meu, de pesquisa sobre genética e evolução da linguagem, e foi uma delícia descobrir tudo isso a partir do texto da Pagu. Já a atriz, que vai a uma delegacia prestar uma queixa, toca em um lugar muito sensível para mim e me faz pensar na dificuldade que tantas mulheres enfrentam para conseguir falar sobre situações de violência. E a narradora é quem faz as perguntas difíceis e liga todos esses pontos. É uma viagem entre passado, presente e futuro que estou muito curiosa para ver como vai reverberar nas pessoas", conta Marrara Mara.

A pesquisa científica encontra, assim, uma questão histórica: se a linguagem possibilitou à humanidade contar histórias, expressar sentimentos, fazer acordos, falar sobre aquilo que já aconteceu e imaginar o que ainda não aconteceu, por que tantas vozes continuam sendo interrompidas, desacreditadas ou silenciadas? "Se de um lado a humanidade pode ser pensada a partir da nossa capacidade de falar, expressar ideias e sentimentos, contar histórias e fazer acordos, por outro, essa mesma capacidade também produziu silenciamentos. Ao longo da História, muitas vozes foram caladas em detrimento de uma voz única, de um discurso que se impôs. É nesse paradoxo que a peça se coloca: o que significa ter voz e, ainda assim, não ser ouvido?", indaga Pagu Leal.

A encenação reúne diferentes linguagens artísticas para construir esse trânsito entre ciência, pensamento e experiência. Nadja Naira assina a luz; Ane Adade, a direção de movimento; Gui Almeida, cenário e figurino; e Tafnes Taborda, a trilha sonora original e as paisagens sonoras. A produção é de Cassia Hauari e Thaíse Hauari, com produção de conteúdo de Juliana Zaguobinski, design e identidade visual de Johnny Leal e produção executiva da Sociedade Poética.


SERVIÇO : Espetáculo - Fale Agora

Centro Cultural Espaço de Arte: Rua Alberto Folloni, 1534 - Ahú

Dias: 19 de setembro de 2026 (sab), 18h e 20h | 20 de setembro de 2026 (dom), 17h e 19h | *17h - apresentação com Libras | 

Ingressos: Entrada gratuita, 35 lugares, sujeitos à lotação. Distribuição 1 hora antes de cada apresentação na bilheteria. *O Centro Cultural Espaço de Arte também conta com café-bistrô, com mesas, comidas e bebidas, aberto ao público.

Casa Hoffmann: Rua Claudino dos Santos, 59 - São Francisco 

Dia: 27 de setembro de 2026 (dom), 12h 

Ingressos: distribuição 1 hora antes da apresentação.

Informações: @faleagorasolo 


Créditos: Divulgação / BB Comunicação.

 
 
 

Comentários


Últimas Notícias

bottom of page