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Exportação de tratores impulsiona comércio exterior de Curitiba e reflete força da capital na indústria do agro

  • há 1 hora
  • 4 min de leitura

09/03/2026


Curitiba foi a terceira capital do Brasil que mais exportou em 2025. As vendas externas da capital somaram US$ 2,2 bilhões, crescimento de 18% em relação a 2024, quando foram exportados US$ 1,83 bilhão. Apenas os anos de 2022, com US$ 2,56 bilhões, e 2023, com US$ 2,63 bilhões, tiveram resultados superiores.


Entre os destaques do comércio exterior está o crescimento das exportações de tratores fabricados em Curitiba, que aumentaram 25% e alcançaram US$ 448 milhões em 2025. Também tiveram resultados expressivos a soja triturada, com alta de 37% e vendas de US$ 323 milhões, os veículos para transporte, que somaram US$ 287 milhões com crescimento de 15%, e o setor de energia, com US$ 95 milhões exportados, aumento de 42%.


Os dados fazem parte de levantamento da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento com base no banco da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC).

Segundo o secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi, o desempenho mostra a capacidade de adaptação das empresas da capital, mesmo diante de desafios no comércio internacional. “As exportadoras conseguiram aumentar suas vendas para outros mercados, compensando a queda registrada para o mercado norte-americano”, explicou.

Tradição industrial de cinco décadas


O avanço nas vendas de tratores reflete a presença de uma forte cadeia industrial voltada ao agronegócio em Curitiba. A cidade abriga grandes fabricantes de máquinas agrícolas, como a New Holland, instalada na Cidade Industrial de Curitiba desde 1975. A unidade completou 50 anos em 2025 e é considerada a fábrica mais antiga da CIC. Atualmente, conta com mais de três mil trabalhadores, muitos deles moradores do bairro.


A marca integra o grupo CNH e está presente em 170 países, com máquinas operando nos cinco continentes. Segundo o gerente de marketing da New Holland, Cristiano Conti, a trajetória da companhia acompanha a evolução da mecanização agrícola no país.

“A fábrica cresceu junto do agronegócio brasileiro. Ao longo dessas décadas houve uma grande evolução em produtos, tecnologias e desenvolvimento de pessoas. A empresa acaba gerando impacto direto na vida das pessoas e também no desenvolvimento regional”, afirma Conti.

Tecnologia que conecta o campo


A evolução tecnológica é uma das marcas do setor e da fábrica. Um dos exemplos é a Central de Inteligência instalada em Curitiba, que monitora em tempo real máquinas agrícolas em operação em diversos países da América Latina.


O sistema recebe dados transmitidos pelos equipamentos, permitindo acompanhar consumo, desempenho e até indicar a necessidade de manutenção preventiva. As informações podem ser acessadas tanto pelos proprietários das máquinas quanto pelas equipes técnicas, com autorização do cliente.


Outro avanço que ganha espaço é o trator movido a biometano, tecnologia pioneira no mundo e já comercializada pela empresa. O combustível é produzido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos, como dejetos da produção animal, transformados em biogás.


“O agricultor pode produzir o próprio combustível dentro da propriedade. Isso cria um ciclo positivo, com ganho econômico e redução do impacto ambiental”, explica Conti.


Segundo ele, a tecnologia também impulsiona o desenvolvimento de uma nova cadeia produtiva ligada à produção e ao abastecimento do biometano. Para o futuro, o gerente diz que a IA, Inteligência Artificial será a próxima revolução para o setor agrícola, impactando diretamente na tecnologia embarcadas em colheitadeiras e tratores.


Orgulho de quem constrói a história


Dentro da fábrica, em Curitiba, a evolução das máquinas passa pelo trabalho de profissionais de diferentes áreas. Um deles é o técnico de qualidade Rubens Chuves, que atua na empresa há 47 anos.


Ele começou na indústria em 1979, ainda jovem, e construiu toda a carreira no setor de qualidade. Ao longo dos anos, investiu em formação técnica e acadêmica, com cursos de tecnólogo em química, administração e pós-graduação em engenharia da qualidade.


Emocionado ao lembrar da trajetória, Chuves destaca um programa que leva funcionários da indústria para conhecer produtores que utilizam as máquinas no campo. “É muito gratificante ver o orgulho que eles têm do produto e perceber como o nosso trabalho faz diferença no dia a dia deles”, conta Rubens.


Qualificação acompanha inovação


O avanço tecnológico das máquinas também tem aumentado a busca por capacitação no campo. Apenas em 2025, 3.622 pessoas participaram de cursos voltados à operação de tratores no Paraná, promovidos pelo Sistema Faep (Federação da Agricultora do Paraná), em parceria com sindicatos rurais.


De acordo com o analista técnico da entidade, Gabriel Gugel Marques, as capacitações acompanham a evolução dos equipamentos.


“Hoje temos máquinas com piloto automático e telemetria, tecnologia de monitoramento remoto que utiliza sensores, GPS e conectividade para coletar e transmitir dados em tempo real sobre o desempenho de tratores, colheitadeiras e pulverizadores. A tecnologia avança rápido e o produtor precisa acompanhar esse movimento”, afirma Gabriel.


Os cursos são gratuitos e organizados pelos sindicatos rurais de cada município, que identificam a demanda local e formam turmas para receber os instrutores.


Impacto econômico para Curitiba


Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, a presença de indústrias consolidadas fortalece o ambiente econômico da capital.

“Empresas com forte base tecnológica e atuação global geram empregos, movimentam cadeias produtivas e ajudam a posicionar Curitiba como um polo de inovação e desenvolvimento industrial”, afirma Martins.

Segundo ele, a combinação entre tradição industrial e investimento em tecnologia reforça a ligação entre a indústria curitibana e o agronegócio brasileiro.


Cenário nacional


Dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) indicam que as exportações de máquinas agrícolas seguem com bom desempenho no mercado internacional.


Em janeiro de 2026, o setor registrou US$ 117,6 milhões em vendas externas, crescimento de 14,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses, as exportações somam US$ 1,65 bilhão, com alta de 15,2%.


No segmento de tratores, foram exportadas 217 unidades em janeiro, volume igual ao registrado no mesmo período do ano passado, demonstrando estabilidade nas vendas externas desse tipo de equipamento, mesmo diante de oscilações mensais e da desaceleração do mercado interno.

 

 

 

 

Foto: Ricardo Marajó/SECOM


 
 
 

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