Expectativa de novo governo leva Bolsa a recorde; dólar cai 4,12%
08/10/2026

O dia seguinte ao fim do 1.º turno das eleições foi marcado por movimento recorde na Bolsa de Valores e queda do dólar e das previsões de juros. A dianteira do senador Flávio Bolsonaro sobre o presidente Luiz Inácio do Lula da Silva reforçou entre analistas a expectativa de um novo governo mais alinhado às pautas do mercado, como a aprovação de medidas de ajuste nas contas públicas.
Pela primeira vez, o Ibovespa, principal referência da Bolsa brasileira, cruzou o patamar dos 200 mil pontos. No fechamento do dia, marcou 206,9 mil pontos, com alta de 7,7% - a maior variação desde 24 de março de 2020. O volume de negócios, também histórico, somou R$ 79 bilhões.
O resultado eleitoral desencadeou um rali por ativos domésticos, com diversas ações renovando máximas de preço ou valor de mercado. A Petrobras e o Itaú chegaram a marcas inéditas de R$ 751,0 bilhões e R$ 563,8 bilhões, respectivamente. Em apenas uma sessão, os cinco maiores bancos do País ganharam R$ 150 bilhões em valor de mercado. "Os bancos estão no coração dessa reprecificação. É o mercado reduzindo rapidamente o prêmio de risco e antecipando juros menores, o que melhora custo de capital, crédito e ‘valuation’", disse Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos.
Na esteira desse otimismo, o JPMorgan elevou a recomendação para Brasil de neutra para "overweight" (equivalente à compra) após os resultados do 1.º turno das eleições, ao afirmar que é difícil ignorar o impacto nos mercados.
No mercado futuro de juros, as taxas para vencimentos mais longos chegaram a cair um ponto porcentual, também com a leitura de potencial redução dos riscos associados à política fiscal com uma eventual vitória da oposição. Já o dólar fechou o dia a R$ 5,0018 (queda de 4,12%), depois de ter descido a R$ 4,95 pela manhã.
Apesar da expectativa no mercado, até agora os programas tanto de Flávio quanto de Lula trataram de questões da economia de forma bastante genérica. "Não dá muito para se chegar à conclusão do que, de fato, cada candidato vai fazer", diz o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles.
Para o analista de investimentos da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo, o principal ponto de atenção até o fim das eleições passa a ser a transição entre expectativa e execução. "O mercado deverá cobrar rapidamente sinais de disciplina fiscal, composição ministerial e capacidade de articulação com o Congresso. Caso as expectativas de ajuste fiscal sejam confirmadas, há espaço para compressão adicional dos prêmios de risco e dos juros domésticos."
Créditos: Estadão Conteúdo
Foto: Victor Moriyama/Bloomberg







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