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Ex-parça de Neymar no Santos comanda SAF em Cianorte

  • 21 de nov. de 2025
  • 2 min de leitura

21/11/2025


Gustavo Carmo é um dos poucos presidentes negros entre as quatro divisões do futebol brasileiro


"Quando você precisa ser visto não só como mão de obra, você vê a escassez de oportunidade". É assim que Gustavo Carmo resume a vivência no futebol como homem negro fora do campo. Presidente do Cianorte SAF, clube do interior do Paraná que disputa a Série D, ele é um dos poucos dirigentes negros entre as quatro divisões do futebol brasileiro.

 

No dia a dia do chamado Leão do Vale, ele ostenta com orgulho as tranças no cabelo para dirigir o clube que sonha em voos maiores no cenário nacional. Na atual temporada, o Cianorte chegou ao grande jogo do acesso à Série C do Brasileiro, mas acabou perdendo para o Barra nos minutos finais.

 

No cargo desde 2024, Carmo começou no esporte com o sonho de ser jogador. Ele fez parte da base do Santos, na mesma época que Neymar começava a chamar atenção. Dentro de campo, ele dividiu o gramado com semelhantes, mas foi quando decidiu migrar de carreira, que viu a presença de pessoas negras diminuir.

 

— O esporte traz essa questão de ter várias raças, e quando sai para áreas que não são só pelo talento esportivo, quando você precisa ser visto não só como mão de obra, você vê a escassez de oportunidade — refletiu o presidente, em entrevista ao ge.

 

Desafiando diariamente o racismo no cargo, Gustavo Carmo analisa o cenário do futebol como um reflexo da história do país, forjada na escravidão, uma das que mais demorou para ser abolida, e que traz consequências sociais até hoje.

 

— O futebol na verdade é um reflexo da sociedade. O jogo ficou cada vez para uma elite e eu penso que a elite brasileira ainda pensa dessa forma. Tanto que nós estamos falando que em cargos diretivos, ainda é minoria o meu caso. Eu acredito que a sociedade precisa ser tratada, não é só o futebol — analisou.

 

— O nosso país é uma mistura de raças, que foi formado com essa questão da escravidão. Faz muito pouco tempo que o Brasil aboliu a escravidão, é uma discussão muito profunda. Mas o futebol poderia ter mais negros em cargo fora do campo — completou.

 

— Eu fico muito feliz quando vejo semelhantes a mim, pessoas negras de sucesso, não só no futebol. Isso precisa ser cada vez acontecer cada vez mais.


 
 
 

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