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Estudo da UEL relaciona fatores ambientais de risco e acidentes com serpentes no Paraná

  • 13 de jan. de 2023
  • 2 min de leitura

13/01/2023


Pela 1ª vez um estudo comprovou que a falta de coleta de lixo estão entre os fatores



Uma pesquisa da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em fase de conclusão junto ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal (CCA) traz à luz um problema de saúde negligenciado: acidentes por picadas de serpentes. Dados oficiais do Ministério da Saúde (MS) coletados entre 2007 e 2021 apontaram 12.877 notificações somente no Paraná, o que corresponde a cerca de 1.000 acidentes com serpentes anualmente, 83 por mês e três por dia, trazendo consequências como mortes, amputações de membros e outros impactos sociais e econômicos.


Os dados fazem parte da dissertação de mestrado da médica veterinária Isabelli Sayuri Kono, orientanda da professora Roberta Freire, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva da UEL. O estudo é importante porque praticamente não existem investigações sobre os chamados acidentes ofídicos no Brasil. Em todo o País, existem 440 espécies cadastradas de serpentes, sendo 114 no Paraná. Deste total, três gêneros são considerados perigosos.


O estudo ganha relevância também por correlacionar variáveis ambientais e econômicas com os acidentes. Pela primeira vez um estudo científico comprovou que a falta de coleta de lixo e que a destinação inadequada do esgoto domiciliar, bem como o trabalho rural braçal sem equipamentos de proteção, estão entre fatores associados à maior incidência de picadas de cobras. Nesta mesma lista entram moradias feitas em madeira. Antes do estudo feito pela mestranda, as estatísticas demonstravam apenas dados como sexo, idade e as cidades onde os problemas são recorrentes.


Segundo Isabelli, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, comprova que os acidentes com serpentes correspondem à segunda causa de intoxicação no Brasil, perdendo somente para os problemas decorrentes com medicamentos.


“Os dados da pesquisa reforçam que é necessário maior atenção para o problema, incluindo a descentralização do atendimento, a partir do treinamento de equipes de saúde e a disponibilização do soro antiofídico nas unidades básicas. O objetivo é propiciar condições para um atendimento rápido e efetivo”, disse.


COBRAS PARANAENSES – No Paraná, as cobras consideradas mais perigosas são a Jararaca, Cascavel e a Coral. As cidades paranaenses campeãs em acidentes são Morretes (277 notificações), no Litoral, Prudentópolis (261 casos constatados entre 2007 e 2021), no Centro-Sul, e Londrina (234), no Norte. O estudo também relaciona a redução de casos ao desmatamento.


“Onde existe floresta, existe cobra. Restringindo o abrigo, haverá menos serpentes. Por um lado é aparentemente um dado positivo, mas considerando a conservação ambiental, temos um problema para refletir”, completou a pesquisadora. Ela alerta também que os acidentes ocorrem a partir do momento em que há invasão dos habitats desses animais.

 
 
 

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