Escolas estaduais do Paraná levam clubes de ciências para encontro nacional em Brasília
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23/03/2026

Quatro escolas da rede estadual do Paraná vão representar o Estado no Encontro Nacional Mais Ciência na Escola, que acontece entre terça (24) e quinta-feira (26), no Centro Internacional de Convenções do Brasil, em Brasília. O evento reúne educadores, pesquisadores, gestores públicos e estudantes de todo o país para fortalecer o diálogo entre ciência, educação e desenvolvimento social.
Participam do encontro o Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos, com o clube Pỹn fīfī, localizado na Terra Indígena Marrecas, em Turvo, no Centro do Estado; o Colégio Estadual do Campo Professora Margarida Franklin Gonçalves, com o clube Margarida Consciente, em Ibaiti (Norte Pioneiro); o Colégio Estadual do Jardim San Rafael, com o clube San Rafa Makers, em Ibiporã (Norte); e o Colégio Estadual do Campo Godomá Bevilacqua de Oliveira, com o Circuito Criativo, de Apucarana (Vale do Ivaí).
As unidades integram a Rede de Clubes do programa Paraná Faz Ciência, iniciativa que busca aproximar os estudantes do universo científico e tecnológico por meio de atividades práticas e investigativas no ambiente escolar.
O encontro nacional tem como objetivo promover a troca de experiências, a apresentação de projetos inovadores e a construção de estratégias que ampliem o acesso ao conhecimento científico nas escolas brasileiras. A programação inclui palestras, mesas-redondas e atividades interativas, com foco na integração entre diferentes áreas do saber.
A participação das escolas paranaenses reforça o papel da Rede de Clubes na formação de estudantes protagonistas e na consolidação de práticas pedagógicas que estimulam o pensamento crítico, a inovação e a conexão entre ciência e cotidiano.
Para o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a presença dos estudantes no evento nacional evidencia o investimento do Paraná em inovação educacional. “Levar nossos alunos para um evento dessa dimensão mostra que a escola pública está conectada com o futuro. Estamos incentivando o protagonismo estudantil e criando oportunidades para que eles desenvolvam soluções, troquem experiências e ampliem seus horizontes por meio da ciência e da tecnologia”, afirmou.
PROJETOS DE DESTAQUE - No Colégio Estadual do Campo Professora Margarida Franklin, em Ibaiti, o professor Pedro Brito explica que a ideia do Clube Margarida Consciente, que conta com 13 alunos, começou com a busca por soluções para desafios do próprio bairro. Após uma breve pesquisa na comunidade, a equipe constatou que o excesso de lixo era um problema recorrente.
Com base em diversas pesquisas sobre descarte de lixo em outros países e na realidade da região, surgiu primeiramente a ideia de elaborar uma composteira para dar uma destinação adequada para o lixo orgânico. “Com o sucesso e o impacto da iniciativa em outros alunos, o clube passou a buscar formas de reaproveitamento ou descarte para outros tipos de lixo doméstico, como plástico, vidro e papel”, conta o professor.
Um dos projetos do Clube Pỹn fīfī, que engloba 28 alunos do Colégio Estadual Indígena Cacique Otavio dos Santos, localizado em Turvo, investigou os ciclos de produção do pinhão a partir da realidade da Terra Indígena Marrecas, onde o alimento tem forte importância cultural e econômica para a comunidade indígena Kaingang. A pesquisa buscava respostas, além de fatores climáticos, para uma queda acentuada na colheita do pinhão após anos de alta produtividade.
O professor orientador do clube, Luan Granville, explica que o projeto envolveu tanto pesquisas científicas quanto conhecimento tradicional dos mais sábios. “Com base no conhecimento dos membros mais antigos da comunidade e em estudos científicos, os alunos identificaram que o processo de maturação da pinha pode levar até 36 meses, o que indica que a colheita intensa pode afetar pinhas ainda em desenvolvimento, impactando safras futuras”. A partir dessa hipótese, o grupo passou a estudar formas mais sustentáveis de extração.
Como solução, os estudantes desenvolvem um coletor modular com câmera, que busca reduzir acidentes durante a colheita. “Já que muitas vezes é necessário subir nas árvores, e também diminuir os danos às pinhas mais jovens”, explica o professor.
PARANÁ FAZ CIÊNCIA - Criado no âmbito do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação (NAPI) Paraná Faz Ciência, o programa tem entre suas metas a implantação de clubes de ciência em escolas da Educação Básica da rede estadual. A proposta é construir ambientes de aprendizagem que incentivem a investigação, a criatividade e o desenvolvimento de soluções voltadas a desafios reais da sociedade.
Atualmente, a iniciativa conta com cerca de 290 clubes de ciência, distribuídos em 275 escolas estaduais nos 32 Núcleos Regionais de Educação, com a participação de 4.650 estudantes paranaenses. Desde o início do programa, o investimento do Governo do Estado já superou R$ 23,5 milhões na iniciativa.
Com foco no futuro, o Paraná Faz Ciência busca contribuir para a formação pessoal e social dos estudantes, incentivando escolhas conscientes e ações pautadas na sustentabilidade e no bem comum.
Foto: CEC Professora Margarida Franklin





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