Emprestado pelo Athletico, Jajá sofre racismo em apresentação na Rússia
- 23 de fev. de 2023
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23/02/2023
Em 2018, o racismo da torcida do Torpedo Moscou chegou até a impedir contratação de uma zagueiro negro

O atacante Jajá, emprestado pelo Athletico ao Torpedo Moscou, da Rússia, passou por ato de racismo na foto do anúncio de sua contratação no Instagram do clube. Um internauta comentou emoji de banana no post, que teve outras cinco interações. O time Moscou é último colocado na disputa da liga nacional – somou apenas seis pontos em 17 rodadas.
Jajá, ex-Athletico, será o segundo jogador negro no elenco do clube, que também conta com o atacante peruano Yordy Reyna, contratado recentemente.
Multado no Athletico
Há poucos dias, o Athletico aplicou uma multa no salário do atacante Jajá. Ele se recusou a entrar no final da partida contra o Operário, vencida pelo Furacão por 3×1, pelo Campeonato Paranaense.
O técnico Paulo Turra se irritou e passou o caso para a diretoria rubro-negra, que decidiu pelo corte no salário do jogador.
O lance aconteceu aos 50 minutos do segundo tempo do jogo contra o Fantasma. Paulo Turra decidiu tirar Cuello e chamou Jajá para o jogo. Ele disse que não iria entrar em campo, em ato de indisciplina. Após a partida, Paulo Turra preferiu não comentar o fato. “Isso é uma questão que já passa para a direção e foge da minha incumbência”, afirmou o técnico do Athletico.
Em 2018, o racismo da torcida do Torpedo Moscou chegou até a impedir contratação de uma zagueiro negro. Erving Botaka-Yoboma, russo, mas de origem congolesa, chegaria ao clube depois de passagem nas categorias de desenvolvimento do Lokomotiv, mas teve manifestação negativa dos ultras do clube, também pelas redes sociais: “Pode haver preto nas cores do clube, mas só há brancos entre os torcedores”.
Torcedores chegaram ainda a publicar foto do jogador com símbolo de proibição, com os dizeres “nosso clube, nossas regras”. Na época o presidente do Torpedo, Roman Avdeyev, rechaçou as atitudes racistas: “A cor da pele não é um critério para as nossas contratações. Nunca foi e nunca será.”
Mesmo com o posicionamento do presidente, manifestações racistas e neonazistas não foram reprimidas no estádio Sportivnyy Gorodok, casa do Torpedo Moscou. A transferência de Botaka-Yoboma foi cancelada pela “política de não pagar por transferências de jogadores” do clube, como atestado em nota oficial – que ainda reitera: “a cor de pele nunca foi critério para escolhermos os jogadores do clube. O racismo não tem o direito de existir.“







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