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Resumo da Semana - Entre crise hídrica e estímulos econômicos

  • 3 de set. de 2021
  • 3 min de leitura

03/09/2021


Por Cristian Rafael Pelliza (*)



A semana econômica no Brasil foi marcada pela crise hídrica impactando sobre os mercados. A restrição hídrica inviabiliza o uso da energia elétrica oriunda das nossas usinas hidroelétricas e torna a conta de luz mais cara. Como a energia é insumo básico para nossa atividade produtiva, esse aumento gera pressão sobre custos de produção e por consequência pressões inflacionárias sobre todo sistema econômico. Além disso, o aumento de custos impacta sobre o volume de produção o que nos leva a dois resultados: maiores preços e menor atividade. O presidente do Banco Central afirmou ao longo da semana que a crise hídrica deve impactar sobre nosso crescimento e sobre os níveis de preços nesse ano. Nos resta torcer para que a chuva volte logo.


Ainda na esteira da crise hídrica, os dados do PIB do segundo trimestre no Brasil vieram abaixo do que o mercado esperava, com uma retração de -0,1%. Nossa atividade industrial em julho também recuou, com queda de -1,3%. Em geral, fatores negativos associados aos custos de produção, aumento nas incertezas internas e restrições externas afetaram nosso nível de atividade. Do lado dos níveis de preços, o IGP-M, índice medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apresentou variação de 0,66% em agosto, inferior ao projetado pelo mercado. O Brasil também registrou um dado positivo que foi o recuo na nossa taxa de desemprego, de 14,6% para 14,1%.


No cenário internacional, a semana iniciou com uma dose de alívio, vindo do discurso do presidente do Federal Reserve (FED), o Banco Central americano, Jerome Powell, na sexta-feira passada. No simpósio anual de Jackson Hole, Powell utilizou-se bem da arte da evasão e não deixou transparecer nada sobre a retirada de estímulos monetários na economia americana. Lembrando, que o FED compra todo mês 120 bilhões em títulos de dívida injetando dinheiro na economia. Essa injeção monetária vem sendo discutida por gerar pressões sobre inflação, elevada nos últimos meses, com alguns membros do comitê de política monetária declarando abertamente que gostariam de ver ainda esse ano o início de retirada de estímulos. O mercado vem, dessa maneira, seguindo atentamente as indicações desse processo (conhecido como tapering), que podem gerar efeitos relevantes para o Brasil, como o fortalecimento do dólar.


O argumento para a manutenção dos estímulos é de que o mercado de trabalho nos Estados Unidos ainda não se recuperou plenamente do pior da pandemia. Os pedidos iniciais de seguro-desemprego na semana vieram próximos ao esperado pelo mercado com 343 mil pedidos, ainda num patamar acima do pré-pandemia. Nesse contexto dados de aberturas de novas vagas de emprego, que serão publicados dia 03/09, devem dar um sinal ao mercado de quão longe estamos ainda do tapering americano. Nas economias europeias a atividade econômica segue em recuperação, mas as pressões inflacionárias também começam a preocupar. O IPC, índice de preços ao consumidor, na Zona do Euro veio acima do esperado para o mês de agosto.


Ainda no cenário internacional, a China registrou uma queda na atividade industrial motivada principalmente por dois fatores: um surto de variante delta do Covid-19, que motivou medidas de distanciamento social em partes da China e ainda dificuldades no abastecimento de insumos, além de preços elevados das commodities.


Para a semana que vêm, os principais indicadores que teremos no Brasil são a medida oficial da inflação, o IPCA, e dados das nossas vendas no varejo. Para os Estados Unidos o dado mais relevante segue sendo a abertura de novas vagas de emprego (payroll), ainda na sexta-feira, enquanto que na Zona do Euro teremos a reunião do Banco Central europeu, que pode começar a discutir também a questão dos estímulos monetários, além de indicadores de atividade industrial em países relevantes como a Alemanha, França e Itália. Na China teremos dados dos índices de preços ao consumidor e especialmente ao produtor, que darão um sinal de como os custos seguem pressionando a indústria chinesa.


(*) Cristian Rafael Pelizza é mestre e doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduado em Economia pela Unochapecó e atualmente é economista e Head das áreas de Renda Fixa e Fundos de Investimento na Nippur Finance. Ele é professor de economia, com ênfase em Econometria, Microeconomia e Mercado Financeiro na Unochapecó.


Saiba mais acesse: [https://www.nippur.com.br/].


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