Resumo da Semana - Tomando Fôlego

27/08/2021


Por Cristian Rafael Pelizza (*)



A semana foi marcada por um momento de maior calma nos mercados brasileiros. Nenhum grande evento motivou essa tomada de fôlego, apenas a redução dos ruídos, em particular na questão política e fiscal. Nesse ponto, declarações vindas, em especial do legislativo, indicaram a não intenção de quebrar o teto dos gastos ou mexer de maneira profunda nas regras fiscais. A questão do parcelamento dos precatórios, que iniciou gerou um ruído forte nos últimos dias, segue no radar. Ainda na parte fiscal, a receita tributária de julho superou os 171 Bilhões de reais, acima do esperado pelo mercado, o que contribuiu para o alívio.


Ainda no noticiário econômico brasileiro, tivemos a divulgação da prévia da inflação de agosto, o IPCA-15, que veio em 0,89%, um pouco acima do projetado pelo mercado. Essa taxa segue alta, pressionada ainda pelo custo de insumos básicos e em particular pela crise hídrica que gerou um aumento no custo da energia elétrica e segue como uma preocupação. Nesse contexto, pode-se esperar ainda uma postura agressiva do Comitê de Política Monetária (COPOM) do nosso Banco Central no que tange à alta de juros. Embora parte da inflação esteja ligada muito mais à custos que efetivamente à demanda, podemos esperar pelo menos 1% de alta na Selic na próxima reunião do COPOM, marcada para 21 e 22 de setembro, dado que o Banco Central tem constantemente sinalizado que deve subir os juros para patamares acima do neutro enquanto não tivermos uma ancoragem na expectativa de inflação para 2022 perto do nosso centro da meta.


No cenário internacional ganha destaque nessa semana o simpósio anual de Jackson Hole, conduzido pelo Banco Central americano (FED). O mercado segue atento às declarações dos membros do comitê de política monetária americano em relação à retirada dos estímulos monetários adotados no pós-pandemia. Alguns membros do comitê já declararam que esperam que o processo de compra de títulos pelo Banco Central inicie sua redução ainda esse ano, o que geraria um fortalecimento no dólar. Pesa contra essa decisão a situação do emprego nos Estados Unidos, que na visão de alguns membros ainda não atingiu um patamar confortável. Os pedidos iniciais de seguro desemprego, divulgados nessa semana atingiram a marca de 353 mil, acima da média pré pandemia. Um anúncio mais formal desse processo deve vir na reunião do comitê em setembro.


Ainda no cenário internacional, observou-se uma certa melhora no ambiente econômico chinês, com uma redução dos casos da variante delta associado a sinalização de que o governo irá injetar mais liquidez na economia. Depois de semanas complicadas no mercado chinês, com o órgão regulador pressionando muitas das principais empresas do país e a atividade industrial pressionada pela escassez de insumos, surge um certo alívio no mercado. Ainda na Ásia, a Coréia do Sul elevou sua taxa básica de juros, o que surpreendeu parcialmente o mercado, sendo a primeira economia da região a iniciar o processo.


Para semana que vêm teremos uma agenda ainda intensa, com o Brasil divulgando o IGP-M, índice de inflação e dados de produção industrial. Na Zona do Euro teremos dados de inflação e também de vendas no varejo, importantes para saber o quanto a variante delta do covid pode ter prejudicado a retomada dessas economias. Para o mercado americano teremos o relatório de abertura de vagas de emprego (payroll), que serve também como um termômetro para as possíveis retiradas de estímulo pelo FED. Seguimos acompanhando.


(*) Cristian Rafael Pelizza é mestre e doutor em Economia Aplicada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), graduado em Economia pela Unochapecó e atualmente é economista e Head das áreas de Renda Fixa e Fundos de Investimento na Nippur Finance. Ele é professor de economia, com ênfase em Econometria, Microeconomia e Mercado Financeiro na Unochapecó.


Saiba mais acesse: [https://www.nippur.com.br/].

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