Da literatura à assistência social, servidora da FAS transforma experiências em histórias
27/10/2026

Aos 45 anos, Grace Thomal começou uma nova história profissional na Fundação de Ação Social (FAS) de Curitiba. Há um mês, ela tomou posse como educadora social, depois de ser aprovada no concurso público realizado pela Prefeitura em 2022.
Lotada no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Nossa Senhora da Luz, na Regional CIC, além do trabalho ela tem outra atividade que transformou sua vida, a literatura. Desde 2020, Grace publicou dez livros, entre romances, novelas, contos e obras infantis que abordam temas como preconceito racial e respeito às diferenças.
Curitibana, Grace conta que sempre gostou de escrever.
Na infância, ela criava roteiros para as brincadeiras com os amigos, mas foi aos 39 anos, na primeira gravidez, que a escrita ganhou novo significado. Ao decidir ser mãe, enfrentou comentários preconceituosos sobre a idade e ouviu que estava velha para ter um filho. A experiência virou um poema.
Com a chegada da maternidade, vieram também a ansiedade, a insônia e a sensação de perder o controle da própria vida. Para recuperar o equilíbrio, Grace voltou a fazer balé, procurou tratamento médico e começou a escrever.
“Das páginas em branco, vi que eu tinha o controle, a narrativa era minha. Foi assim que a minha primeira novela nasceu. Depois disso nunca mais parei, a escrita sempre ajudou a ir além”, conta.
Histórias que nascem da vida
A literatura, que começou como uma maneira de enfrentar a ansiedade, também se tornou um instrumento para transformar experiências pessoais em histórias que pudessem tocar outras pessoas.
“Comecei a escrever justamente para vencer a ansiedade e isso se tornou uma terapia para mim. Quando chega a ideia, eu escrevo, nem que seja em um guardanapo. Depois vou colocando em ordem e tornando isso uma novela”, explica.
Grace explica que existem duas formas de processo criativo, a do escritor arquiteto, que planeja toda a estrutura da obra antes de começar a escrevê-la, e a do escritor jardineiro, que lança as primeiras ideias e permite que a história se desenvolva ao longo da escrita. “Eu sou a jardineira. Eu planto as sementes e o livro vai crescendo, é algo muito especial”, conta.
A maternidade também inspirou uma de suas obras infantis. Quando o filho, Charles, tinha quatro anos, chegou da escola e contou que uma menina não quis brincar com ele por causa da cor de sua pele. Triste pela experiência vivida pelo filho, Grace decidiu escrever um livro para falar sobre respeito, independentemente da cor. A obra se chama Minha Cor Café com Leite.
Hoje, três de seus dez livros são voltados ao público infantil. Além da discriminação racial, uma das obras aborda as altas habilidades e as diferenças na forma como funciona o cérebro de quem tem essas características.
Para Grace, o desejo é que essas histórias cheguem ao maior número possível de crianças e contribuam para que as pessoas tenham uma convivência mais respeitosa. Ela não pretende viver exclusivamente da venda dos livros, mas espera que suas obras tenham um alcance cada vez maior, especialmente as infantis.
Entre seus títulos, o mais conhecido é A Virgem é Mãe do meu Filho, que alcançou 35 mil leituras on-line. O resultado incentivou a escritora a procurar uma grande livraria de Curitiba para ampliar a distribuição da obra também em lojas físicas. Os livros de Grace podem ser encontrados on-line e em livrarias.
Uma nova história na FAS
Antes de entrar na FAS, Grace trabalhou como recepcionista, participou como voluntária de projetos sociais e por última dava aulas de inglês. A aprovação no concurso da Prefeitura abriu caminho para uma nova etapa profissional.
Mesmo com pouco tempo na instituição, ela diz estar feliz com a experiência e com a acolhida dos colegas. “Não imaginava que seria tão especial. Trabalho em um local onde há um grande respeito entre as pessoas. É uma família FAS, que quero conhecer cada vez mais”, diz.
Foto: Divulgação







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