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Curitibana usa conceitos de TI para empreender com artesanato e dá dicas para quem quer ter um negócio

  • há 4 horas
  • 3 min de leitura

23/02/2026


Em vez de telas repletas de códigos, madeira, café moído na hora e memória afetiva. A trajetória da curitibana Alessandra Aracélia mostra que a lógica da Tecnologia da Informação (TI) pode caminhar lado a lado com o artesanato, transformando organização, indicadores e gestão de projetos em base para um negócio construído com afeto.

A ideia nasceu em 2020, durante a pandemia da covid-19. Diante de um cenário incerto, ela decidiu criar algo que trouxesse conforto e esperança. “Eu pensei em fazer um suporte para café. Queria criar algo que resgatasse memórias e que pudesse estar na mesa quando o mundo finalmente pudesse se abraçar de novo”, relembra Alessandra.

Com o incentivo e ajuda do pai, em apenas oito dias, o primeiro suporte estava pronto. O que começou com uma peça se transformou em uma linha de produtos que valorizam o ritual de coar café. Hoje, a marca Meuu Café reúne coadores, canecas, o próprio café, além de itens sazonais, como geleia de café e chocolate.


A inspiração veio da infância em Apucarana, na casa dos avós. Ela cresceu acompanhando o processo do café desde a secagem até a torra e a moagem na hora. “Eu lembro do cheiro do café fresco, passado na hora, de manhã e à tarde. Aquela experiência ficou muito forte em mim. Eu queria proporcionar isso para outras pessoas”, conta.


Rigor técnico


Com mais de uma década de atuação na área de TI e experiência em grandes empresas, Alessandra decidiu aplicar o mesmo rigor técnico ao novo negócio. Planejamento, análise de processos, metas, indicadores e uso de ferramentas digitais passaram a fazer parte da rotina. “Eu peguei todo o conhecimento que tinha da área de TI e apliquei no meu empreendimento.


Sempre trabalhei com organização e projetos. Isso me ajuda a tomar decisões mais conscientes e a estruturar cada etapa do crescimento”, explica a empreendedora.


Para ampliar a presença no mercado, Alessandra buscou o ecossistema de inovação da cidade. Ao se formalizar como MEI, passou a participar de eventos e ações da Agência Curitiba. “Participar dos encontros trouxe visibilidade e muitos insights. Você aprende com outras pessoas, troca experiências e sai com ideias que podem ser aplicadas no seu negócio”, relata.


O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Paulo Martins, ressalta a importância de histórias como essa para a economia local.

“Empreendedoras como a Alessandra mostram que conhecimento técnico e criatividade podem gerar negócios sólidos. Quando alguém transforma experiência profissional em uma nova atividade, diversifica a economia e inspira outras pessoas a empreender”, destaca Martins.

Já o presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, Dario Paixão, reforça o papel do ecossistema no fortalecimento dessas iniciativas. “A Agência Curitiba atua como catalisadora, conectando empreendedores a oportunidades, capacitações e redes de apoio. Nosso objetivo é ajudar a estruturar ideias e impulsionar negócios, respeitando a identidade de cada projeto”, afirma o presidente.


Atualmente, as vendas acontecem pelas redes sociais, pelo site e em feiras abertas e fechadas ao público. A base segue a mesma, organização, estratégia e melhoria contínua. A diferença é que, agora, tudo isso sustenta um negócio que carrega o cheiro de café passado na hora e o valor das memórias compartilhadas.


Aprenda


Ao refletir sobre a jornada, Alessandra deixa algumas dicas para quem deseja começar a empreender:


  • Defina claramente o que você quer fazer e coloque a ideia no papel.

  • Planeje cada etapa, mas não espere o cenário ideal para começar.

  • Inicie com os recursos que você já tem e evolua gradualmente.

  • Não espere dominar tudo. O aprendizado acontece durante o processo.

  • Busque conhecimento constante em cursos, eventos e conexões.

  • Aproveite experiências anteriores e transforme habilidades em diferencial competitivo.


“Eu não comecei sabendo tudo. Fui aprendendo no caminho. E vale a pena”, conclui Alessandra

 

 

Foto: Isabella Mayer/SECOM


 
 
 

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