Curitiba se prepara para o El Niño com fundo de R$ 327 milhões
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17/07/2026
Criado em 2020, o fundo anticrise é destinado ao enfrentamento de situações como crise econômica, desequilíbrio financeiro ou de calamidade

Curitiba está se preparando para enfrentar o El Niño, que deve provocar eventos extremos como chuvas e tempestades especialmente na Região Sul. Além do comitê gestor especial para coordenar as ações de prevenção e resposta aos possíveis impactos do fenômeno, o município conta com uma reserva financeira para enfrentar eventuais tragédias ambientais. Trata-se do Fundo de Recuperação e Estabilização Fiscal (Funrec), destinado ao enfrentamento de situações como crise econômica, desequilíbrio financeiro ou de calamidade, como desastres naturais ou de saúde pública. O fundo soberano anticrise de Curitiba conta com R$ 327 milhões em recursos.
“Nós temos o nosso fundo, criado em 2020, que este ano deve chegar a R$ 400 milhões. Foi uma iniciativa pioneira, porque foi o primeiro do País a ser abastecido com recursos do superávit fiscal do município. O fundo é importante não apenas para combater crises, mas é uma segurança a mais em casos de eventos climáticos como o El Niño”, diz o prefeito Eduardo Pimentel.
Para 2026, especialistas apontam a possibilidade de formação de um Super El Niño, com potencial para chuvas mais intensas e aumento do risco de enchentes e deslizamentos. O fenômeno desafia as administrações municipais do ponto de vista financeiro, de prevenção, organização e mitigação dos seus efeitos. Os municípios vêm solicitando uma ação conjunta de União e Estados para fazer frente aos eventos extremos.
“É preciso um esforço conjunto e é muito importante que a União e Estados se organizem para apoiar os municípios. Mas, além disso, em Curitiba temos o fundo, que nos dá mais uma segurança para enfrentar os efeitos do El Niño”, diz o secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi.
O secretário lembra que após o plano de recuperação fiscal em 2017, que colocou as contas municipais em dia, a ideia foi criar um mecanismo que pudesse fazer com que todo esse esforço, a boa saúde financeira, pudesse servir para uma poupança para tempos difíceis ou eventos imprevistos. “Na sequência veio a pandemia, algo que ninguém imaginava. E ficou muito claro a necessidade de ter uma reserva financeira para esses casos”, contou Vitor Puppi.
O fundo de Curitiba é inspirado em programas adotados por Detroit e Washington, nos Estados Unidos, que após crises fiscais criaram o modelo para mitigar redução de receitas. Detroit, que vivenciou a maior falência de uma cidade nos Estados Unidos, com uma dívida de US$ 18 bilhões, em 2013, criou o Saving Fund em 2016 para tirar a cidade do caos. Nos anos 2000, o estado de Washington criou o Rainy Day Fund, que hoje tem US$ 2 bilhões.
'Adotados atualmente por todos os estados americanos, esses fundos foram fundamentais durante a recessão de 2008 e a pandemia de covid-19 para manter a estabilidade fiscal e a manutenção de serviços fundamentais”, lembrou Puppi.







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